Suzano ou Klabin: por que os analistas têm preferido SUZB3?

23 de Set de 2026 - 14:20
 0  0
Suzano ou Klabin: por que os analistas têm preferido SUZB3?
Suzano

A Suzano (SUZB3) vem ganhando espaço nas análises de bancos como a principal escolha dentro do setor de papel e celulose, mesmo diante de um cenário ainda desafiador para os preços da commodity. Bradesco BBI, BTG Pactual e Bank of America (BofA) chegam à preferência pela companhia por caminhos diferentes, mas convergem em pontos como a maior exposição ao ciclo da celulose, a posição competitiva de custos e a possibilidade de recuperação dos resultados.

Em relatório divulgado nesta semana, o Bradesco BBI manteve a Suzano como sua única recomendação de compra entre as empresas de celulose sob cobertura e rebaixou a Klabin (KLBN11) para neutra. Ao mesmo tempo, reduziu o preço-alvo da Suzano de R$ 73 para R$ 59 para o fim de 2027 e o da Klabin de R$ 24 para R$ 21.

A visão do BBI não significa que o banco tenha ficado otimista com o ciclo estrutural da celulose. Pelo contrário. A instituição reduziu sua estimativa de preço de longo prazo da fibra curta de US$ 600 para US$ 570 por tonelada e vê o crescimento da oferta à frente da demanda como um desafio relevante. No curto prazo, porém, a combinação de recomposição de estoques na China, demanda sazonalmente mais forte e oferta limitada ajudou os produtores a implementar aumentos de preços.

É justamente nesse cenário que a Suzano ganha vantagem. Para o BTG Pactual, a companhia oferece uma exposição mais direta à recuperação da fibra curta, enquanto a Klabin possui um negócio mais diversificado, o que reduz a sensibilidade de seus resultados a um movimento de alta da celulose. O banco mantém Suzano como preferência, com recomendação de compra, enquanto classifica Klabin como neutra.

Segundo o BTG, os preços da fibra curta na China estão próximos de US$ 580 por tonelada e podem testar a marca de US$ 600 nos próximos meses caso o reajuste de US$ 20 anunciado para outubro seja implementado. Para a Suzano, uma alta relativamente modesta, de cerca de US$ 560 para US$ 600 por tonelada, já poderia gerar impacto relevante sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e o fluxo de caixa livre.

Outro diferencial apontado pelo BTG é a estrutura de custos. A Suzano está entre as produtoras globais de menor custo, o que, na avaliação do banco, dá à companhia maior capacidade para atravessar o ambiente de oferta mais desafiador esperado para o próximo ano. O BTG calcula ainda que a ação negocia a cerca de 5,6 vezes o Ebitda estimado para 2027 e oferece rendimento de fluxo de caixa ao acionista de 11%, contra cerca de 7% para a Klabin.

A comparação do Safra acrescenta outro elemento à tese. Em um estudo de cerca de seis anos, o banco concluiu que as revisões de expectativas de lucro foram o fator que melhor acompanhou a alternância de desempenho entre Suzano e Klabin. O indicador esteve alinhado com a ação vencedora nas dez janelas analisadas. A celulose, por sua vez, acompanhou o papel de melhor desempenho em sete delas.

O estudo também mostra que a relação entre as duas ações está em um nível historicamente extremo. A razão entre os papéis chegou a 2,51 vezes, no quarto percentil da série de 5,7 anos. Desde fevereiro, a Suzano acumulava desempenho relativo negativo de 15,6% frente à Klabin, embora as últimas cinco semanas já mostrassem recuperação de 5,7% a favor da primeira.

Para o Safra, isso não significa que a Suzano seja permanentemente superior. O levantamento encontrou dez períodos relevantes, metade favoráveis à Suzano e metade à Klabin. A diferença está na maior sensibilidade da Suzano ao ciclo da celulose, enquanto a diversificação da Klabin confere um perfil relativamente mais defensivo.

O Bank of America (BofA) reforça a tese de recuperação mais recente. Na véspera, o banco reiterou a recomendação de compra para a Suzano e preço-alvo de R$ 66, após a companhia anunciar o segundo aumento consecutivo nos preços da celulose.

Para o BofA, o novo reajuste é mais um sinal de que o fundo do ciclo pode ter ficado para trás. A Suzano elevou os preços em US$ 50 por tonelada nas Américas, US$ 50 por tonelada na Europa e US$ 20 por tonelada na China e em outros mercados asiáticos. Foi o segundo aumento consecutivo, depois da alta de US$ 20 por tonelada para a fibra curta na China em setembro.

O banco aponta que a melhora não está isolada. A oferta e a demanda de fibras curta e longa estão mais apertadas, os estoques nos principais portos chineses seguem em queda e a recomposição de estoques na Ásia continua resiliente. As exportações brasileiras de fibra curta para a China caíram 16% em agosto, enquanto os estoques nos portos de Qingdao e Changshu recuaram cerca de 130 mil toneladas em uma semana, para aproximadamente 2,32 milhões de toneladas.

O mercado de fibra longa também apresenta sinais de aperto, com paradas e fechamentos de fábricas no Canadá e na Europa retirando quase 200 mil toneladas de oferta desde o fim de julho. Para o BofA, esse conjunto de fatores aumenta a capacidade da Suzano de implementar reajustes mais amplos nos preços.

A geração de caixa é outro ponto destacado pelo banco. Em seu cenário-base, com a fibra curta na China a US$ 564 por tonelada e o dólar a R$ 5 em 2027, o BofA estima yield de fluxo de caixa livre ao acionista de 13% para a Suzano. Se a celulose alcançar média de US$ 600 por tonelada, o indicador subiria para 16%. Mesmo em um cenário mais pessimista, com a commodity a US$ 500 por tonelada, a estimativa ainda é de 8%.

Na avaliação do BofA, o fato da Suzano manter um yield de fluxo de caixa em um dígito alto mesmo em um cenário de preços deprimidos da celulose oferece margem de segurança e reforça a atratividade da ação.

The post Suzano ou Klabin: por que os analistas têm preferido SUZB3? appeared first on InfoMoney.