Ao menos 68 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em acidente com trem de alta velocidade na Espanha

28 de Out de 2026 - 13:30
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Ao menos 68 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em acidente com trem de alta velocidade na Espanha
    • Author, Redação
    • Role, BBC News Mundo
  • Published 28 outubro 2026, 08:35 -03Atualizado Há 46 minutos
  • Tempo de leitura: 4 min

A acordou nesta manhã com mais um grave acidente ferroviário. O governo confirmou pelo menos 68 mortos e dezenas de feridos, mas o número de vítimas fatais confirmadas pode ser maior.

A colisão envolveu um trem de alta velocidade AVE, que havia partido de Madri com destino a Sevilha, e uma composição da empresa Iryo que seguia no sentido contrário.

O acidente ocorreu cerca de 140 quilômetros ao sul de Madri, nas proximidades da cidade de Urda, na província de Toledo, por volta das 8h54 no horário local (4h54 em Brasília).

Com o impacto, quatro vagões tombaram por um barranco.

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As equipes de emergência trabalham contra o tempo para socorrer os feridos e tentar localizar sobreviventes.

No AVE viajavam 397 passageiros. Já o trem da Iryo transportava 147 pessoas, entre elas um bebê.

"Os serviços de emergência estão trabalhando no local para atender os afetados e garantir sua segurança, em coordenação com todas as autoridades envolvidas", afirmou o presidente do governo espanhol, , nas redes sociais.

Posteriormente, Sánchez visitou o centro de emergência montado perto do local do acidente. "Hoje, toda a Espanha está de luto", disse ele.

"Vidas foram destruídas, famílias foram dilaceradas; a dor é imensa."

O ministro dos Transportes, Oscar Puente, deu algumas informações iniciais sobre as possíveis causas do acidente. O ocorrido, segundo ele, foi "realmente inacreditável".

Segundo Puente, uma falha no sistema computacional levou à interrupção inicial de seis trens em movimento, incluindo os dois que posteriormente colidiram.

"Em caso de falha do sistema, o centro de controle assume o comando", afirma Puente, acrescentando que foi o próprio centro de controle que decidiu autorizar a retomada da circulação dos trens, sem qualquer restrição de velocidade.

Essa decisão, segundo Puente, foi tomada "em circunstâncias inexplicáveis". Isso fez com que o trem da Renfe colidisse com o trem da Iryo, que estava parado nos trilhos mais à frente.

A operadora ferroviária Renfe informou que os serviços entre Madri, Ciudad Real e a Andaluzia foram suspensos.

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Eduarda, uma jovem de 17 anos que viajava em um dos trens, contou à rádio SER que a situação no local era de "caos" e que viu vítimas presas sob os vagões.

"Eu estava tranquila, com meus dois gatinhos ao lado, quando houve uma freada muito forte e fui arremessada para a frente com a poltrona. As pessoas começaram a sair; havia gente chorando. Era possível ver mortos sob os trens por toda parte", relatou.

"Muita gente sem conseguir sair, gritos... Um horror."

Equipes da Guarda Civil, dos bombeiros das províncias de Toledo e Ciudad Real, voluntários da Proteção Civil e profissionais do Serviço de Saúde de Castilla-La Mancha se dirigiram ao local do acidente.

O desastre ocorre apenas alguns meses depois de .

Em 9 de janeiro, 45 pessoas morreram após a colisão de dois trens de alta velocidade na província de Córdoba, no sul da Espanha.

Na ocasião, um trem da Iryo que fazia o trajeto entre Málaga e Madri, com cerca de 300 passageiros a bordo, descarrilou seus três últimos vagões e invadiu a via ao lado, atingindo outra composição que operava a linha Madri-Huelva. O segundo trem também descarrilou. Havia 184 passageiros a bordo.

Acidente interrompe campanha eleitoral

As cenas devastadoras na linha ferroviária de alta velocidade ao sul de Toledo interromperam, por ora, a campanha para as eleições gerais espanholas, marcadas para 29 de novembro.

Alberto Núñez Feijóo, líder do conservador Partido Popular (PP) e considerado o favorito na disputa eleitoral, afirmou que "a prioridade agora é atender às vítimas", e o PP suspendeu todas as suas atividades de campanha.

O Partido Socialista (PSOE), do primeiro-ministro Pedro Sánchez, também cancelou seus eventos nesta quarta-feira, e Sánchez expressou seu "carinho, solidariedade e apoio" a todos os atingidos pela tragédia.

No entanto, não houve uma suspensão semelhante das atividades políticas por parte do partido de extrema-direita Vox — visto como um possível parceiro de coalizão para os conservadores de Feijóo após a votação do próximo mês.

Santiago Abascal apareceu na televisão para condenar a "deterioração da infraestrutura e das instituições na Espanha, o que é, francamente, totalmente insuportável". Ele atribuiu a responsabilidade ao atual governo, denunciando o "descaso, a ruína e a traição sofridos pelo povo espanhol".

Após o desastre ferroviário de Adamuz — ocorrido em janeiro na mesma linha de alta velocidade e que resultou em 46 mortes —, Abascal também se recusou a interromper a campanha para uma eleição regional que ocorreria em janeiro.