Ativo nas redes, pastor réu por estupro não é localizado pela Justiça
São Paulo — Investigado por estupro de vulnerável contra a própria sobrinha, à época dos fatos, com dois anos, o pastor Fabio Prado segue sem ser localizado pela Justiça de São Paulo, apesar de ser ativo nas redes sociais, onde prega o evangelho. Em 2026, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) enviou ao Foro Regional de Santo Amaro outro endereço do réu para uma nova tentativa de citação em um caso que teve início 13 anos antes.Em 2013, a mãe da criança registrou um boletim de ocorrência contra Fabio Prado, alegando que a filha se queixava de dores na região íntima. À época dos fatos, o pastor morava na mesma residência que a sobrinha e os pais dela. A avó da menina, mãe de Fabio, também residia no imóvel.Um exame pericial realizado naquele mesmo mês não encontrou lesões corporais de interesse médico-legal. “Atos libidinosos diversos da conjunção carnal, se houve, não deixaram vestígios no momento da presente perícia”, diz o documento da perícia. Mais tarde, em juízo, a mãe da criança disse acreditar que a avó deu banho na menina com o objetivo de apagar eventuais vestígios e, assim, proteger o filho.Já o laudo da psicóloga forense diz ter notado indícios psicológicos de que a menor tenha vivenciado alguma situação traumática relacionada com o âmbito da violência.Fabio Prado se tornou réu por estupro de vulnerável em 22 de julho de 2019 e indiciado um mês depois. Antes disso, a mãe da vítima já havia conseguido medida protetiva contra o acusado.Em 23 de setembro daquele ano, um oficial de Justiça tentou localizar o pastor pela primeira vez para citá-lo no processo, sem sucesso. Ele não foi encontrado no endereço indicado.O Ministério Público, então, apresentou novos endereços ligados ao réu. Após esgotadas as tentativas de citação pessoal, a promotora Renata Hatori Nascimento requereu que Prado fosse citado por edital. E assim foi feito em 11 de maio de 2021. Com a publicação em portal eletrônico, ele teria 15 dias para apresentar resposta à acusação e constituir defesa.De novo, sem sucesso. Depois de novas tentativas falhas, a 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher determinou, em 2022, a suspensão do processo e do prazo prescricional, com base no artigo 366 do Código de Processo Penal.O processo segue suspenso. Enquanto isso, o pastor segue ativo nas redes sociais. No Tiktok, a última publicação foi feita em 8 de setembro deste ano. Ele aparece pregando em um culto em uma igreja evangélica.Já os perfis no Instagram e no Facebook estavam fechados no momento da publicação desta reportagem, assim como a página que ele mantém com a atual esposa voltada a conteúdos religiosos. O mesmo vale para a conta da editora do casal. Leia também São PauloPolícia prende empresário suspeito de matar a ex e o filho dela em Cotia São PauloVeja momento em que comerciante se entrega à polícia após voadora em idoso São PauloProfessor de taekwondo é preso por abusar de alunas menores de idade São PauloJustiça muda crime de ladrão após provar que PM morreu por tiro de colega O Metrópoles, inclusive, tentou contato com Fabio Prado no número de WhatsApp que aparece no link da bio do Instagram, mas a conta havia sido excluída da plataforma. O perfil da editora no aplicativo de mensagens também não estava mais disponível.A reportagem procurou o pastor por telefone, mas não foi atendida. O espaço permanece aberto em caso de eventual manifestação.Furto de caixinha de NatalEm 2024, atuando como porteiro noturno de um prédio residencial na Vila Olímpia, na zona sul de São Paulo, o pastor Fabio Prado também foi acusado de furtar parte da caixinha de Natal dos funcionários do condomínio. O dinheiro seria dividido entre seis empregados do prédio. Segundo o boletim de ocorrência, Prado teria subtraído uma quantia de cerca de R$ 5 mil.De acordo com o registro, ao abrirem a caixinha, os funcionários constataram o sumiço dos envelopes com os valores mais altos. Ao verificarem as câmeras de segurança do condomínio dos dias 21 e 23 de dezembro daquele ano, notaram o que chamaram de “ações suspeitas” do pastor com a caixinha de Natal.Nas imagens, ele é visto pegando o objeto e levando-o até o banheiro, onde permaneceu por cerca de uma hora em ambas as ocasiões, ainda conforme a ocorrência.