Centrão tem janela rara para "domar" o bolsonarismo

30 de Out de 2026 - 05:20
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Centrão tem janela rara para "domar" o bolsonarismo

O parece ter, diante de si, uma rara janela para realizar um antigo sonho do grupo: domar o bolsonarismo sem perder os votos fiéis a .

O cenário é o seguinte: (PL) perdeu as eleições, está fora do país e pode ser, aos poucos, escanteado pelo próprio partido devido à radicalização do discurso.

Flávio afirmou que proposta que põe fim à reeleição valeria para ele e sua família

Jair Bolsonaro está preso. E, mesmo que venha a ser solto, deverá continuar inelegível e enfrentando problemas de saúde. Os demais herdeiros do clã, por sua vez, carecem de estrutura para dominar o movimento.

Nesse cenário, o Centrão pode iniciar uma construção em duas frentes. A primeira seria garantir que o novo  representante do bolsonarismo esteja alinhado ao Centrão. A segunda seria mudar as regras do jogo para devolver força aos partidos e reduzir a influência dos influenciadores.

Essa movimentação já começou na Câmara, onde o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) promete fazer avançar a proposta de reforma política que acaba com a votação 100% proporcional e institui o modelo distrital misto.

Dessa forma, o poder de puxadores de votos como Nikolas Ferreira (PL-MG) deve diminuir. Metade da bancada será eleita da forma antiga. A outra metade será escolhida pelo sistema distrital, no qual o desenho dos distritos poderá favorecer caciques e velhas estruturas partidárias.

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Assim, influenciadores terão de se submeter às lideranças das legendas e modular seus discursos para manter a relevância dentro dos partidos. Com isso, haverá menos espaço para candidaturas rebeldes que usam o poder de mobilização de grandes votações para bater de frente com decisões partidárias.

De olho em 2030

Já de olho em 2030, lideranças do Centrão também trabalham para evitar uma candidatura “chucra”, indicada por uma única liderança. No caso, Jair Bolsonaro.

Caciques falam em “reestruturação” e defendem que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seja construído como nome de consenso entre bolsonaristas e Centrão.

Tarcísio tem seu próprio desafio. A ideia é passar a imagem de um líder equilibrado. Mas ele não pode, sob o risco de perder relevância, simplesmente se descolar do bolsonarismo.

O risco é claro: Tarcísio precisa chegar às urnas em 2030 como sucessor de Jair Bolsonaro. Caso contrário, há a possibilidade de um aventureiro tentar assumir esse posto, como fez Pablo Marçal na eleição municipal de 2024 em São Paulo.

Alas radicais do bolsonarismo sabem disso e devem, novamente, subir o tom contra o governador. A aposta, porém, é que a relevância desse grupo diminua diante da modalidade “à distância” da liderança exercida por Flávio e Eduardo Bolsonaro.