Fim da escala 6x1 é 'vitória' e dá 'impulso eleitoral' para Lula, destaca imprensa internacional
- Author, Luiz Fernando Toledo
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published 15 outubro 2026, 06:22 -03Atualizado Há 15 minutos
- Tempo de leitura: 4 min
A aprovação do fim da pelo , na noite de quarta-feira (14/10), repercutiu na imprensa internacional como uma vitória política do presidente às vésperas do segundo turno.
A proposta , e poderá ser
"Senado do Brasil aprova jornada de trabalho mais curta em vitória para Lula", destacou a Reuters.
A agência descreveu a medida como a maior reformulação dos direitos trabalhistas brasileiros em décadas e ressaltou que a aprovação entrega ao presidente uma importante conquista legislativa a menos de duas semanas da eleição de 25 de outubro.
A Reuters também destacou o apoio de parlamentares de diferentes campos políticos, incluindo Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno, que antes se opunha à mudança.
O texto citou a estimativa do governo de que mais de 37 milhões de trabalhadores com emprego formal poderão ser beneficiados pela redução do limite semanal de 44 para 40 horas.
A Associated Press (AP) ressaltou a expectativa do presidente de fortalecer sua candidatura com a medida.
Segundo analistas e políticos citados pela AP, aliados de Bolsonaro deixaram de bloquear a proposta para evitar desgaste eleitoral do candidato diante da popularidade da mudança.
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Fim da Promoção Agregador de pesquisas
A reportagem também registrou que empresários e parlamentares defendiam uma transição de dez anos para a implementação das novas regras.
O Financial Times destacou a aprovação como uma vitória de Lula e o cumprimento de uma de suas principais promessas antes do segundo turno.
O jornal ressaltou que Flávio Bolsonaro, apontado no texto como favorito na disputa, mudou de posição e apoiou a reforma.
Mas também ouviu o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), segundo quem o efeito eleitoral pode ser limitado, porque os trabalhadores só começarão a sentir os benefícios depois da eleição.
Para ele, a aprovação dificilmente reverterá, em tão pouco tempo, o desgaste provocado pelo custo de vida e pelo endividamento das famílias.
O jornal britânico também afirmou que a mudança aproximará o Brasil de países de renda mais alta, onde as jornadas diminuíram com ganhos de produtividade e eficiência.
Ao mesmo tempo, destacou alertas de entidades empresariais sobre o aumento dos custos, especialmente no comércio, limpeza, restaurantes, bares e hotéis.
O The Guardian destacou a vitória política de Lula e a mudança de posição de Bolsonaro diante do apoio popular à reforma.
Na França, o Le Monde, em notícia com a AFP, ressaltou no título que o Parlamento aprovou a redução do tempo de trabalho prometida por Lula.
A chamada destacou a expectativa do presidente de fortalecer sua posição no segundo turno e registrou que Bolsonaro votou a favor da reforma, apesar de ter se oposto a ela.
A Deutsche Welle, em texto produzido com informações de AP e Reuters, também apresentou a aprovação como uma vitória para Lula antes do segundo turno.
O veículo alemão destacou a redução da jornada de 44 para 40 horas e afirmou que a decisão poderia dar impulso ao presidente na disputa eleitoral.
O fim da escala 6x1 é resultado de uma campanha lançada após um vídeo do então viralizar no final de 2023. Ele foi eleito vereador no Rio de Janeiro pelo PSOL no ano seguinte e acaba de conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados, que assumirá em 2027.
Com o impacto do desabafo de Azevedo nas redes sociais, o fim da escala 6x1 tomou proporções nacionais como demanda de trabalhadores, com apoio da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Em fevereiro de 2025, ela apresentou uma PEC que foi juntada a outra, apresentada em 2019 pelo então deputado petista Reginaldo Lopes e que havia sido "engavetada" pelo Congresso.
O que muda com o fim da escala 6x1
O texto aprovado no Senado é idêntico ao que teve aval da Câmara em maio — qualquer alteração exigiria que a PEC fosse submetida à nova análise pelos deputados. Mudanças na Constituição só entram em vigor quando o texto é aprovado de forma idêntica nas duas casas legislativas.
A proposta prevê que a obrigatoriedade de ao menos dois dias de folga entre em vigor 60 dias depois da promulgação da alteração constitucional, etapa que ocorre logo após a aprovação no Congresso.
Já a redução da jornada de 44 horas semanais para 40 horas entraria em vigor em duas etapas. Primeiro, haveria a redução para 42 horas, também após os 60 dias. O limite de 40 horas seria alcançado após mais um ano.
A mudança também prevê que os trabalhadores beneficiados não sofrerão redução salarial.