Medidas populares de Lula não se converteram em apoio, diz CEO da AP Data
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou uma série de medidas recentes, incluindo o reajuste do Bolsa Família, o fim das bets, a renegociação de dívidas e, mais recentemente, a zeragem dos impostos federais sobre a gasolina por um mês. No entanto, segundo o cientista de dados Sergio Denicoli, CEO da AP Exata, essas iniciativas não têm gerado o impacto esperado nas intenções de voto.
Em entrevista ao WW, Denicoli afirmou que o monitoramento das redes sociais em tempo real não registrou reflexo positivo para Lula após o anúncio das medidas. “A gente observa as redes sociais em tempo real, não teve esse impacto”, declarou.
Rejeição como teto de crescimento
O especialista apontou que o principal obstáculo para o crescimento eleitoral de Lula é o elevado índice de avaliação negativa do governo. Segundo Denicoli, esse fator cria um teto que impede o avanço do petista nas pesquisas, independentemente das ações adotadas.
“O problema do Lula é a avaliação do governo, que a avaliação negativa está muito alta. Então, ele tem um teto de crescimento, ele não consegue ultrapassar apesar das medidas”, explicou.
Eleitores percebem caráter eleitoreiro das ações
Denicoli destacou ainda que o timing das medidas foi amplamente questionado pelo eleitorado. Para ele, os eleitores demonstram um crescente cansaço diante de iniciativas percebidas como claramente eleitoreiras, especialmente às vésperas de uma disputa eleitoral.
“O eleitor começa a demonstrar um certo cansaço disso e entende como uma medida realmente às vésperas de uma eleição para tentar mudar o jogo eleitoral”, afirmou.
O especialista reconheceu que as medidas foram bem recebidas pela população em termos práticos, mas ressaltou que isso não se converteu em apoio político. “As pessoas gostaram da medida, mas isso não se reverteu em mais apoio para o Lula, pelo menos nos dados que nós observamos durante o dia”, concluiu Denicoli.