Paraguai: crise bancária gera preocupação sobre garantias com terras rurais
A APS (Associação de Produtores de Soja, Oleaginosas e Cereais do Paraguai) alertou por nota oficial para os possíveis impactos da crise envolvendo o Ueno Bank sobre o setor agropecuário do país. Em comunicado, a entidade manifestou preocupação com a segurança jurídica das propriedades rurais, a preservação dos recursos financeiros de poupadores e a condução do processo de resolução da instituição, determinado pelo BCP (Banco Central do Paraguai).
Na avaliação da associação, a crise exige atenção especial do setor produtivo para evitar que a recuperação de ativos financeiros resulte em prejuízos aos proprietários rurais. A APS defende controles rigorosos sobre a utilização de garantias imobiliárias e alerta para o risco de títulos de propriedades falsos ou irregulares serem aceitos no pagamento de dívidas bancárias.
A entidade ressalta que a recuperação de recursos eventualmente comprometidos não pode ocorrer em detrimento das terras e dos direitos de proprietários legítimos. A preocupação considera o histórico de crises bancárias registradas no Paraguai, como as envolvendo o Bancosur, em 1995; o Banco Unión e o BIPSA, em 1997; o Banco Oriental, em 1998; e o Banco Alemán Paraguayo, em 2002.
Para a APS, esses episódios precisam servir de alerta para que o atual processo não provoque novos prejuízos ao setor produtivo, especialmente em relação à segurança patrimonial e à confiança nas operações financeiras.
A associação também cobrou transparência sobre as aplicações realizadas com recursos do IPS (Instituto de Previdência Social), formado pelas contribuições de trabalhadores e empregadores. A entidade pede esclarecimentos sobre os critérios utilizados nas operações, os responsáveis pelas autorizações e a fiscalização dos investimentos.
“O dinheiro dos trabalhadores não pode ficar à mercê de interesses particulares”, afirmou a APS.
Outro ponto de preocupação é a proteção dos poupadores e do Fundo de Garantia de Depósitos. A associação defende prioridade na restituição dos valores aos clientes afetados, principalmente microempreendedores, trabalhadores que dependem de rendimentos diários e funcionários com salários retidos.
Na avaliação da entidade, atrasos nos pagamentos podem comprometer a renda das famílias e a continuidade de pequenos negócios. Embora o comunicado não apresente uma estimativa de perdas ou impactos diretos sobre a produção agropecuária, a APS aponta a necessidade de preservar a confiança no sistema financeiro e a segurança dos ativos utilizados pelo setor produtivo.
Investigação e responsabilização
A APS também defendeu uma investigação sobre a destinação dos recursos do banco, possíveis falhas de fiscalização e responsabilidades administrativas, civis e penais. Caso sejam comprovados desvios ou irregularidades, a associação cobra a recuperação dos valores e a punição dos envolvidos.
A entidade pediu ainda que os resultados das apurações, os custos do processo de resolução e as medidas adotadas sejam divulgados publicamente.
No campo político, a associação declarou apoio à abertura de um julgamento político contra o presidente do Paraguai, Santiago Peña. A APS defende que o Congresso Nacional avalie sua responsabilidade política com independência, transparência e respeito ao devido processo legal.
Para a entidade, a condução da crise deve priorizar o interesse nacional, a proteção dos recursos dos trabalhadores e a preservação da segurança jurídica. A associação concluiu que as experiências anteriores do sistema financeiro paraguaio precisam resultar em medidas que evitem novos prejuízos aos poupadores e ao setor produtivo.
https://stories.cnnbrasil.com.br/?post_type=web-story&p=530179