Fibras baixam o colesterol? Entenda como agem e por que não bastam
Aveia, psyllium, cevada, frutas e leguminosas têm algo em comum: são boas fontes de fibras, um nutriente que anda em falta no prato do brasileiro. A recomendação média é de 25 gramas por dia para mulheres e 30 para homens, mas estudos indicam que o consumo no país é menos da metade do mínimo recomendado.
E os benefícios desses componentes não ficam restritos ao intestino. Uma das repercussões no organismo tem a ver com o colesterol e a saúde cardiovascular — com um efeito que vale entender bem, inclusive nos seus limites.
Como as fibras reduzem o colesterol LDL
“Quando consumimos aveia, psyllium, cevada, frutas e leguminosas, as fibras formam uma espécie de gel no intestino e se ligam aos sais biliares, dificultando a reabsorção do colesterol”, conta a nutricionista Valéria Machado, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).
“Com isso, uma quantidade maior de sais é eliminada nas fezes, e o fígado precisa produzir novos sais biliares utilizando colesterol da circulação. Ao final, vemos uma diminuição dos níveis de colesterol ruim, o LDL, no sangue”, destrincha.
Em resumo, o processo acontece assim:
- As fibras formam um gel e se ligam aos sais biliares no intestino;
- Mais sais biliares são eliminados nas fezes;
- O fígado usa o colesterol da circulação para produzir novos sais;
- O resultado é a queda do LDL no sangue.
Comer fibras substitui o remédio para colesterol?
Não. Fibra é alimento, não remédio: ela é fundamental para a saúde, mas não substitui medicamentos.
“Não adianta a pessoa achar que vai tratar o colesterol alto só comendo fibras. Não vai funcionar”, exemplifica o cardiologista Andrei Sposito, da Socesp. “Elas ajudam dentro de um contexto global de alimentação saudável, mas sozinhas não curam nenhuma doença”, enfatiza o médico.
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Onde estão as fibras que ajudam o coração
Além de aveia, psyllium, cevada, frutas e leguminosas merecem lugar fixo no cardápio. Feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha podem, sozinhos, responder por uma fatia significativa das fibras consumidas no dia, e sua presença no prato é uma recomendação enfática do Guia Alimentar brasileiro.
Trocar cereais refinados e massas brancas por versões integrais também ajuda. “Ao optar pelo arroz integral ou por farinhas menos refinadas, o cidadão garante um aporte maior de nutrientes essenciais para o metabolismo”, diz a nutricionista Manuela Dolinsky, presidente do Conselho Federal de Nutrição (CFN).
Entenda outros efeitos do nutriente na reportagem de capa de VEJA SAÚDE sobre a importância das fibras frente às principais doenças da atualidade.
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