Proposta de André Lara Resende para reduzir Selic gera alerta sobre inflação

4 de Nov de 2026 - 22:30
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Proposta de André Lara Resende para reduzir Selic gera alerta sobre inflação

O economista André Lara Resende reacendeu o debate econômico ao sugerir uma redução forçada da taxa Selic por meio de decisão política. A tese, que circula entre alas do governo, defende que o custo dos juros é o real vilão das contas públicas brasileiras. No entanto, especialistas alertam que uma intervenção direta na autoridade monetária pode repetir crises graves de desvalorização da moeda.

Qual é a base da tese defendida por André Lara Resende?

O economista André Lara Resende argumenta que o motor da crise fiscal brasileira não é o excesso de gastos do governo, mas sim a taxa Selic elevada. Para ele, o custo para pagar os juros da dívida pública é o que desequilibra o orçamento. Resende sugere a criação de um novo conselho que estabeleceria a meta dos juros entre a meta de inflação e o crescimento potencial da economia, permitindo que o Banco Central anunciasse uma redução gradual para cerca de 7,5% ao ano. Segundo o economista, o déficit do governo é baixo quando comparado a potências como os Estados Unidos e a China.

Quais são os riscos de uma queda forçada nos juros?

Especialistas do mercado e pesquisadores da FGV IBRE alertam que reduzir juros por decreto ignora a lógica financeira. Quando o governo impõe um teto artificial, investidores costumam retirar dinheiro do país, buscando moedas estrangeiras mais seguras, o que faz o dólar subir. Além disso, a queda forçada estimula o consumo de forma rápida demais. Como a produção das fábricas e a infraestrutura do país não aumentam na mesma velocidade, o resultado imediato é o descontrole dos preços. Em vez de baratear o crédito, o risco percebido faz com que os juros de longo prazo subam ainda mais.

Por que o exemplo da Turquia é usado como alerta para o Brasil?

A Turquia viveu uma tragédia econômica em 2021 após o presidente Erdogan forçar cortes na taxa de juros por razões políticas. Na época, a taxa básica caiu de 19% para 14% em poucos meses. O resultado foi uma desvalorização drástica da lira turca; o dólar dobrou de valor e a inflação saltou de 19% para mais de 85% em um ano. Para tentar conter a queda da moeda, o governo queimou reservas bilionárias de dólares, mas a estratégia falhou. Hoje, a Turquia é obrigada a manter juros em 50% ao ano para tentar recuperar a credibilidade perdida e conter os estragos causados pela intervenção política.

O que especialistas apontam como a verdadeira causa do desajuste econômico?

Pesquisadores apontam que o patamar alto da Selic reflete o esgotamento de um modelo que estimula o consumo e eleva gastos acima da produtividade. Entre 1995 e 2025, o salário mínimo subiu 195% acima da inflação, enquanto a produtividade do trabalhador cresceu apenas 22%. Esse descompasso gera inflação. Além disso, a reindexação de benefícios e pisos de saúde e educação gerou uma despesa extra de R$ 520 bilhões no atual mandato, sendo responsável por 40% do aumento da dívida. Para os técnicos, o juro alto é o preço da desconfiança do mercado em relação ao futuro das contas públicas.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.