Apple estaria cortando verbas de funcionários para uso de IA
Ao que tudo indica, a Apple está revendo os seus gastos com o uso de ferramentas de inteligência artificial — isso porque, segundo uma nova reportagem assinada por Mark Gurman (da Bloomberg), a empresa reduziu “discretamente” o limite diário de gastos para alguns engenheiros que utilizam modelos de IA.
Segundo fontes anônimas do jornalista, em alguns casos o orçamento diário fornecido pela Maçã passou de US$300 para US$200. Além disso, a empresa planeja cortes adicionais para algumas equipes, podendo reduzir suas verbas diárias para US$100; a empresa chegou a considerar reduzir esse valor para meros US$25.
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Os orçamentos cobrem os chamados tokens, que são processados por chatbots de IA ao atender a solicitações. Modelos mais avançados costumam ter um custo maior, e tarefas complexas podem consumir grandes quantidades de tokens.
Os funcionários da Apple têm acesso a uma variedade de serviços de IA, incluindo o Claude (da Anthropic), o ChatGPT (da OpenAI) e o Gemini (do Google). Com as reduções, algumas equipes “estão sendo orientadas a utilizar modelos menos dispendiosos” ou mesmo recorrer a modelos de IA que operam localmente. Ainda assim, funcionários que precisarem de verbas maiores para desempenhar suas funções poderão solicitar exceções à alta gestão.
Segundo Gurman, as reações às mudanças foram variadas, já que alguns funcionários não utilizavam nem mesmo toda a verba diária anterior. Outros veem as reduções como um sinal de cortes de custos mais abrangentes, o que aumenta as preocupações com possíveis demissões.
Algumas divisões da Apple já contrataram consultores externos para avaliar sua eficiência e suas operações, o que tem alimentado a ansiedade dos funcionários quanto a eventuais reestruturações.
Como detalhado pela empresa nesta semana em sua conferência sobre os resultados do quarto trimestre fiscal de 2026, os gastos gerais aumentaram. Mais precisamente, as despesas com pesquisa e desenvolvimento cresceram 32% no último ano fiscal, impulsionadas por custos mais elevados com infraestrutura e IA. As despesas operacionais de toda a companhia subiram 22%, atingindo um total de US$75,5 bilhões — o equivalente a 16% das vendas líquidas totais.
Gurman também aponta que, no mercado como um todo, a Apple não é a única empresa que busca controlar os gastos com IA. A Microsoft também restringiu os limites internos para despesas com IA, enquanto a Tesla estabeleceu um teto semanal de US$200 para gastos de seus funcionários com essa tecnologia. A Uber, por sua vez, limitou o uso de ferramentas individuais de IA voltadas para programação a US$1.500 por mês. Já a Meta introduziu orçamentos baseados em tokens e incentivou seus colaboradores a migrarem para ferramentas de IA desenvolvidas internamente.