Reportagem revela como a Apple pressiona as fornecedoras de memória

30 de Out de 2026 - 23:10
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Reportagem revela como a Apple pressiona as fornecedoras de memória

Uma nova reportagem do The Wall Street Journal detalha algumas das táticas de pressão empregadas pela Apple e por seu antigo chefe de compras, , para a compra de componentes de memória durante a atual escassez que a indústria enfrenta.

Essas informações de bastidores revelam que a Apple “pressionava as fabricantes de chips flash a abrirem seus registros contábeis, permitindo que a empresa monitorasse as vendas e garantisse que nenhum outro cliente obtivesse condições melhores que as suas”. Mas essa não era a única tática, como podemos ver no trecho a seguir:

Após encomendar componentes flash a preços extremamente baixos, a Apple, por vezes, recusava o recebimento caso os preços de mercado estivessem em queda. Isso deixava os fornecedores com estoques de chips não vendidos, incluindo unidades fabricadas sob medida para a Apple. Executivos da Kioxia chegaram a brincar, comparando a situação a Charlie Brown tentando chutar uma bola de futebol — com Lucy sempre puxando a bola no último instante.

A reportagem traz outro exemplo envolvendo a fornecedora de armazenamento flash , muito antes da atual crise. Outras fornecedoras da Apple, como a e a , não foram mencionadas.

Por volta do fim de 2015, a SanDisk recusou pedidos da Apple para o envio de suprimentos adicionais, uma vez que já contava com outros clientes dispostos a pagar mais. Blevins ameaçou um representante de vendas da SanDisk com retaliações, afirmando que faria com que o CEO da empresa, Sanjay Mehrotra, “rastejasse de joelhos” de volta à Apple.

Entretanto, o boom da era da inteligência artificial fez com que a situação mudasse (desfavoravelmente) para a Apple. Isso porque, há dois anos, a empresa comprava quase o dobro de armazenamento flash que , , e somadas, segundo dados da reportagem; atualmente, as gigantes da computação em nuvem (hyperscalers) estão adquirindo o dobro do volume comprado pela Apple.

Esse foi um revés para a Apple, que precisou aumentar os preços de diversos produtos neste ano (incluindo iPhones, iPads, Macs, HomePods, Apple TV, entre outros), justificando os reajustes pela escassez de chips de memória. Isso também fez com que a companhia recalculasse o seu relacionamento com algumas fornecedoras.

Trabalhamos com muitos de nossos fornecedores há décadas e valorizamos profundamente essa parceria ao longo dos anos. Esperamos dar continuidade ao nosso importante trabalho em conjunto.

Nesta semana, inclusive, a SK Hynix apontou que a escassez de chips de memória deverá persistir até 2030; portanto, o cenário poderá não se reverter a favor da Apple novamente por mais alguns anos…

via MacRumors