Por que a mamografia não deve esperar?
A ausência de dor, de nódulos ou de mudanças perceptíveis nas mamas costuma transmitir uma sensação de tranquilidade para a mulher. Mas o câncer de mama nem sempre provoca sintomas nos estágios iniciais. Algumas alterações são tão pequenas que só aparecem nos exames de imagem. Esperar que o corpo dê algum sinal, portanto, não é uma estratégia segura para identificar a doença precocemente.¹
A mamografia é o principal método de rastreamento do câncer de mama e contribui para aumentar as chances de cura.¹ “Ela permite identificar o câncer em estágio inicial, mesmo antes do aparecimento dos sintomas”, afirma Paula Moraes, médica radiologista especializada em mama e coordenadora de Imagem Mamária da Dasa, rede de medicina diagnóstica à qual pertence o Alta Diagnósticos.
Quanto mais cedo o tumor é descoberto, maiores são as possibilidades de sucesso do tratamento. Lesões restritas à mama apresentam prognóstico mais favorável, com maior possibilidade de terapias menos agressivas e preservação da mama.
A partir de qual idade fazer mamografia?
As sociedades brasileiras de Mastologia, Radiologia e Ginecologia e Obstetrícia recomendam a mamografia anual dos 40 aos 74 anos para mulheres de risco habitual.² A partir dos 75, a continuidade do acompanhamento depende das condições de saúde e da expectativa de vida da paciente.
A orientação difere da adotada pelo Ministério da Saúde, que recomenda o rastreamento populacional a cada dois anos, dos 50 aos 74 anos. O SUS também oferece mamografia a mulheres de 40 a 49 anos sem sintomas, mediante decisão conjunta com um profissional de saúde, após esclarecimento sobre os benefícios e riscos do procedimento.³
A médica alerta, no entanto, que a idade não é o único critério a ser considerado. Histórico familiar de câncer de mama, mutações genéticas associadas à doença, radioterapia prévia no tórax e determinadas alterações identificadas em biópsias anteriores exigem uma avaliação individualizada. Esses fatores influenciam o início do acompanhamento e a escolha dos métodos de investigação.²
Segundo Moraes, a maioria das pacientes diagnosticadas não apresenta histórico familiar da doença. Estima-se que apenas 5% a 10% dos casos sejam hereditários.⁴ A ausência de antecedentes na família, portanto, não dispensa os exames de rotina.
A composição do tecido mamário também interfere na escolha dos procedimentos. Mamas com maior proporção de tecido fibroglandular são consideradas densas. Essa característica está associada a um risco aumentado de câncer de mama e dificulta a identificação de algumas lesões na mamografia.⁴
Nessas situações, a indicação de métodos complementares depende da densidade e do risco individual. A ultrassonografia é considerada para determinadas pacientes, enquanto a ressonância magnética tem indicação especialmente importante para aquelas com maior probabilidade de desenvolver a doença e também é recomendada em alguns casos de mamas extremamente densas.⁵
Mamografia, ultrassom e ressonância: qual a diferença?
A mamografia produz imagens por meio de raios X e exige a compressão da mama por alguns segundos. Esse procedimento melhora a qualidade das imagens, reduz a movimentação durante a aquisição e diminui a dose de radiação necessária. Uma de suas principais vantagens é identificar microcalcificações, pequenos depósitos de cálcio que, dependendo da forma e da distribuição, podem representar um sinal precoce de câncer.
Para investigar nódulos e diferenciar lesões sólidas de cistos, a ultrassonografia é frequentemente solicitada. A técnica utiliza ondas sonoras, não emprega radiação ionizante e também é indicada como complemento em situações específicas.⁵
Já a ressonância magnética utiliza campo magnético e ondas de radiofrequência. Na avaliação das mamas, geralmente é administrado contraste intravenoso, que fornece informações sobre a vascularização dos tecidos. O método apresenta alta sensibilidade para identificar alterações suspeitas, sobretudo em pacientes com maior risco de desenvolver a doença.⁵
Há uma diferença importante entre a mamografia convencional e a tomossíntese, conhecida como mamografia 3D. Enquanto a primeira produz imagens bidimensionais, a segunda registra a mama em diferentes ângulos e reconstrói as imagens em cortes finos.
“É como olhar um livro fechado e depois poder examinar suas páginas uma a uma. Com a tomossíntese, conseguimos avaliar o tecido mamário em diferentes planos, o que facilita a visualização de algumas alterações que poderiam ficar escondidas pela sobreposição dos tecidos”, explica Moraes.
A tecnologia registra imagens em diferentes ângulos e as reconstrói em cortes finos. Uma revisão sistemática publicada no periódico European Radiology associou seu emprego a maiores taxas de detecção de câncer e a menos convocações para avaliações adicionais, em comparação com a mamografia digital convencional.⁶
O que acontece após um resultado suspeito?
Receber um laudo de mamografia com recomendação de investigação adicional costuma gerar apreensão. Uma alteração suspeita, entretanto, não significa necessariamente câncer.
Para orientar a conduta médica, os radiologistas utilizam o BI-RADS, sistema internacional que padroniza a descrição dos achados e a classificação do risco de malignidade. Características como formato, contornos e distribuição das lesões determinam a categoria atribuída no laudo.⁷
Nas categorias BI-RADS 4 e 5, a biópsia costuma ser indicada para esclarecer a natureza da alteração. No BI-RADS 4, a probabilidade de malignidade é superior a 2%, mas varia bastante conforme as características da lesão.⁷
Segundo Moraes, a maioria das lesões submetidas à biópsia é benigna. O procedimento, entretanto, é indicado para reduzir o risco de deixar um câncer sem diagnóstico.
A coleta é guiada pelo método de imagem que melhor identifica a alteração. Conforme sua localização e suas características, o profissional utiliza ultrassonografia, mamografia ou ressonância magnética para orientar a retirada de pequenos fragmentos de tecido.
O material segue para análise anatomopatológica, realizada ao microscópio. O resultado é então comparado com os achados das imagens, em uma etapa chamada de correlação radiológico-patológica. Se a biópsia indicar uma lesão benigna, mas não explicar a alteração suspeita, a equipe avalia a necessidade de uma nova coleta ou de outros procedimentos.⁸
Do exame à investigação diagnóstica
Nos Núcleos de Mama do Alta Diagnósticos, localizados no Alta Higienópolis, em São Paulo, e no Alta Barra Shopping, no Rio de Janeiro, a paciente encontra exames de imagem, biópsias guiadas, marcação pré-cirúrgica (que sinaliza onde está uma lesão para orientar o cirurgião durante sua retirada) e testes genéticos na mesma unidade.
Entre os exames disponíveis estão mamografia digital, tomossíntese, mamografia com contraste, ultrassonografia das mamas e axilas, Doppler (um tipo de ultrassom que avalia o fluxo sanguíneo) e ressonância magnética. A investigação das alterações mamárias também conta com profissionais de diferentes especialidades.
“Nos núcleos integrados, temos acesso ao histórico da paciente e aos resultados dos diferentes exames, incluindo a biópsia e a análise anatomopatológica. Isso permite avaliar o caso com mais precisão”, afirma Moraes.
O Alta também dispõe do Espaço da Mulher em 12 unidades, dez em São Paulo e duas no Rio de Janeiro. Os ambientes oferecem privacidade e atendimento personalizado para a realização de exames de saúde feminina, incluindo avaliações mamárias, densitometria óssea, que mede a densidade dos ossos e auxilia no diagnóstico da osteoporose, e colposcopia, que permite examinar detalhadamente o colo do útero, a vagina e a vulva para identificar possíveis alterações.
A Dasa realiza mais de 414 milhões de exames por ano e mantém relacionamento com 350 mil médicos parceiros. No Alta, o agendamento e o acesso aos resultados são disponibilizados online, e a paciente tem a possibilidade de concentrar a mamografia e outros procedimentos de check-up em uma única visita.
Nódulos, secreção espontânea pelo mamilo ou alterações persistentes na pele exigem investigação, independentemente da data prevista para o próximo exame.¹ O Outubro Rosa é uma oportunidade para conferir se a mamografia está em dia e retomar os cuidados que ficaram para depois. Como lembra a campanha do Alta Diagnósticos, “Tem compromisso que não dá pra adiar”.
Agende seus exames de mama.
Referências científicas
- INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Detecção precoce do câncer de mama. Ministério da Saúde.https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-de-mama/acoes/deteccao-precoce
- COLÉGIO BRASILEIRO DE RADIOLOGIA E DIAGNÓSTICO POR IMAGEM (CBR); SOCIEDADE BRASILEIRA DE MASTOLOGIA (SBM); FEBRASGO. Recomendações para o rastreamento do câncer de mama no Brasil. Radiologia Brasileira. 2023;56(4):207–214.https://cbr.org.br/wp-content/uploads/2023/09/Recomendacoes-do-Colegio.pdf
- MINISTÉRIO DA SAÚDE. Nota Técnica nº 626/2025-CGCAN/DECAN/SAES/MS. Orientações sobre o acesso à mamografia no SUS. 2025.https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/notas-tecnicas/2025/nota-tecnica-no-626-2025-cgcan-decan-saes-ms.pdf
- INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Fatores de risco para o câncer de mama. Ministério da Saúde.https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-de-mama/fatores-de-risco
- PAULIS, L. V. et al. ACR Appropriateness Criteria® Supplemental Breast Cancer Screening Based on Breast Density: 2024 Update. Journal of the American College of Radiology. 2025;22(5S):S405-S423.https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40409891/
- HEYWANG-KÖBRUNNER, S. H. et al. Digital breast tomosynthesis (DBT) plus synthesised two-dimensional mammography (s2D) in breast cancer screening is associated with higher cancer detection and lower recalls compared to digital mammography (DM) alone: results of a systematic review and meta-analysis. European Radiology. 2022;32:2301–2312.https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34694451/
- AMERICAN COLLEGE OF RADIOLOGY (ACR). Breast Imaging Reporting & Data System (BI-RADS®).https://www.acr.org/Clinical-Resources/Clinical-Tools-and-Reference/Reporting-and-Data-Systems/BI-RADS
- CANADIAN ASSOCIATION OF RADIOLOGISTS. CAR Practice Guidelines on Breast Imaging and Interventions: Breast Intervention and Biopsy Procedures. Canadian Association of Radiologists Journal. 2026.https://car.ca/wp-content/uploads/2026/05/Breast-imaging-interventions-5_breast-intervention-and-biopsy-procedures_flegg-et-al-2026.pdf