Roman tem combustível para 22 anos, graças à SpaceX
O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman (RST), ou Roman para encurtar, foi finalmente lançado no dia 30 de agosto de 2026, e deverá alcançar o ponto L2, onde já se encontra o James Webb (JWST), em meados de dezembro. Planejado como o sucessor de facto do Hubble, ele possui um campo de visão 100 vezes maior e tem como missão principal localizar e catalogar exoplanetas.
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O Roman detém uma particularidade curiosa: ele pode ser reabastecido no espaço, diferente do JWST, que tem que se virar com o combustível com o qual subiu, e do Hubble, que sequer tem um sistema de propulsão; isso facilita manobras de correção e reposicionamento estratégico.

Telescópio Espacial Roman é o primeiro projetado para ser reabastecido no Espaço... mas talvez não seja necessário (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)
Porém, graças a um lançamento muito bem-sucedido do foguete Falcon Heavy da SpaceX, o observatório tem gasosa o bastante para operar pelo dobro de tempo planejado, assim como o JWST, lançado pelo Ariane 5 no Dia de Natal de 2021.
Roman tem gasosa de sobra
O Roman pode ter custado bem menos que o James Webb (US$ 4,3 bilhões contra US$ 8,8 bilhões no momento do lançamento, em ambos os casos), mas teve sua cota de problemas antes de sair do chão, principalmente pelo plano ainda não completamente descartado do presidente dos EUA Donald Trump, de passar o facão no orçamento da NASA em nome de um foco voltado à dominância militar americana no Espaço, em vez de Ciência.
A redução de verba afetaria entre outras coisas o Centro de Voos Espaciais Goddard, que cuida dos observatórios, podendo este inclusive ser fechado. Como o Congresso (democratas E republicanos, o que é raro) não gosta da ideia e está há anos batendo cabeça com a Casa Branca sobre o assunto, a grana continua sendo liberada e projetos científicos seguem em curso, ao menos por enquanto.
O Roman, por incrível que pareça, corria o risco de simplesmente não ser lançado, mesmo estando pronto, mas não faria sentido nenhum jogar mais de US$ 4 bilhões em dinheiro dos contribuintes no lixo, e assim, o telescópio subiu após alguns atrasos, sem muitos problemas. Na verdade, o lançamento superou algumas expectativas, com destaque para a economia de combustível.
Sendo uma plataforma bem mais antiga e que dependia dos ônibus espaciais, o Hubble não foi equipado com um sistema de propulsão e, dessa forma, ele depende de motores elétricos e da boa e velha Terceira Lei de Newton, para realizar as manobras necessárias. O James Webb, por sua vez, foi projetado para se posicionar no ponto L2 e, dessa forma, possui combustível e propulsores que o levam até lá.
O Roman, que está indo para o mesmo ponto, opera da mesma forma, mas ele possui um diferencial: um sistema acoplado que o permite ser reabastecido no Espaço, se um dia desenvolvermos espaçonaves compatíveis e capazes da tarefa; no momento, não temos nada do tipo.

Graças ao unlimited power do Falcon Heavy, o Roman economizará muito combustível até chegar em L2 (Crédito: Joel Kowsky/NASA)
A quantidade de combustível operacional para realizar manobras de posicionamento e deslocamento depende de quanto sobrar da viagem da órbita terrestre até o L2, e é aqui que a SpaceX brilhou: a quantidade de combustível inserida no Roman foi calculada para permitir que ele operasse por entre 10 e 11 anos, já descontando o que ele vai queimar até chegar à posição.
No entanto, o lançamento do observatório e a primeira manobra de correção de curso foram tão brilhantemente executados que o consumo de gasosa ficou muito abaixo do esperado. Nas palavras de Jamie Dunn, diretor do Centro Goddard:
"Como resultado de um excelente planejamento de nosso time de Dinâmica Orbital, uma execução brilhante do time de Operaçòes, e um lançamento preciso da SpaceX, o Roman possui combustível suficiente para 22 anos de operações científicas em potencial."
Essa não é a primeira vez que isso acontece em tempos recentes: o James Webb teve o mesmo privilégio ao subir com combustível planejado para 10 anos mas, graças a um lançamento no alvo do foguete Ariane 5 da Arianespace, a economia foi tanta que o tempo de operação potencial foi estendido para 20 anos. No fim, ambos os casos mostram as vantagens de se contar com foguetes com capacidades ignorantes de lançar cargas realmente pesadas para o cosmos.
A grande diferença entre o Roman e o James Webb é a possibilidade de o primeiro contar com um sistema de reabastecimento, operado por uma "sonda-tanque" não tripulada, com o procedimento executado remotamente. O observatório foi inclusive equipado com um refletor e pontos de referência externos, para auxiliar na sua detecção durante uma missão do tipo.
Porém, como o RST conseguiu salvar uma quantidade enorme de combustível, graças à combinação da potência do Falcon Heavy com o excelente trabalho dos profissionais da NASA, toda a operação de reabastecimento será muito provavelmente questionado; 22 anos é tempo suficiente para em vez de um tanque voador, a agência sair com um observatório novinho em folha e simplesmente o substituir
É bem provável que nesse sentido, o Roman seja tratado de forma similar ao James Webb: quando o combustível estiver próximo do fim, ambos serão movidos para uma órbita inativa, abrindo caminho para seus eventuais sucessores.

Telescópio Espacial Roman pronto para encapsulamento no compartimento de carga do Falcon Heavy; o "gancho" na parte inferior direita faz parte do sistema de reabastecimento de combustível (Crédito: SpaceX)
Mas claro, isso é um assunto para um outro dia.
Fonte: Ars Technica