Rússia força cidadãos do país a utilizar “superapp” estatal que amplia vigilância

18 de Set de 2026 - 18:20
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Rússia força cidadãos do país a utilizar “superapp” estatal que amplia vigilância

O regime da Rússia vem ampliando a adoção forçada pela população do Max, um “superaplicativo” controlado pelo Estado que concentra mensagens, pagamentos e serviços públicos e possui capacidades técnicas que permitem ampliar significativamente a vigilância do Kremlin sobre seus usuários.

As informações sobre a adoção forçada do aplicativo foram reveladas nesta sexta-feira (18) pelo jornal britânico The Guardian, que aponta que dezenas de milhões de russos foram levados a instalar o Max nos últimos 18 meses. Os riscos de vigilância pelo regime russo foram identificados em um estudo de pesquisadores das universidades de Michigan, Calgary e Georgia Tech e do Instituto Indiano de Tecnologia de Délhi, divulgado no último dia 10. A análise técnica concluiu que o Max possui recursos capazes de capturar informações exibidas dentro de seus serviços, acessar dados armazenados, interferir no tráfego e até executar ações em nome do usuário sem que ele perceba.

Desde setembro de 2025, o regime russo exige que o Max venha pré-instalado em todos os celulares e tablets novos vendidos no país. Paralelamente, Moscou restringiu ou bloqueou serviços estrangeiros e locais concorrentes, incluindo o WhatsApp e o Telegram, e aumentou as limitações sobre ferramentas usadas para contornar a censura na internet.

Segundo os pesquisadores, o Max pode capturar conteúdo, acessar e modificar informações armazenadas, interferir no tráfego de rede e até inserir códigos. A arquitetura também permitiria controlar o sistema de autenticação de forma que ações pudessem ser realizadas em nome de um usuário sem que ele percebesse.

O aplicativo funciona de maneira semelhante ao WeChat, utilizado pelo regime da China. Dentro de uma única plataforma, o usuário pode trocar mensagens, realizar pagamentos, utilizar serviços bancários, confirmar sua identidade e acessar serviços governamentais.

Segundo o The Guardian escolas e universidades russas estão pressionando seus membros a utilizarem a plataforma do Kremlin. A pressão também alcança servidores públicos e pessoas que trabalham em instituições ligadas ao Estado.

As autoridades russas rejeitam as acusações de que o Max tenha sido criado como ferramenta de espionagem. O regime de Putin promove a plataforma como uma alternativa nacional mais segura aos aplicativos estrangeiros, enquanto canais associados ao serviço afirmam que denúncias sobre vigilância são falsas e destacam programas destinados a encontrar vulnerabilidades de segurança.