Startups: Com Magalu, guerra do delivery ganha nova etapa no Cade

18 de Set de 2026 - 16:40
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Startups: Com Magalu, guerra do delivery ganha nova etapa no Cade

A Magalu entrou recentemente na briga pelo mercado de delivery e já está mostrando que não veio para apaziguar. Em um novo capítulo dessa disputa, o aiqfome, app comprado pelo Grupo Magalu em 2020, entrou com um processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) questionando as regras de exclusividade do iFood em cidades do interior.

Na denúncia, o aiqfome, aplicativo de delivery com atuação concentrada no interior do Brasil, alega que um acordo firmado entre o órgão e o iFood em 2023 deixou parte dos municípios fora das restrições e pode favorecer práticas que dificultam a atuação de outros aplicativos.

A ação vem à tona no mesmo mês em que a varejista anunciou o lançamento do Magalu Delivery, serviço que já estreia em mais de 400 cidades do país, entregando refeições, supermercado e conveniência dentro do próprio app da companhia.

Segundo o Valor, a denúncia foi feita em fevereiro de 2026 e ainda tramita em sigilo. Neste momento, o Cade estaria analisando as informações e ainda precisa decidir se abre inquérito administrativo ou arquiva o caso.

A discussão envolve o alcance do Termo de Compromisso de Cessação (TCC), firmado em 2023, que estabeleceu limites para contratos de exclusividade do iFood. O aiqfome defende a revisão das regras para que as restrições também alcancem cidades pequenas e médias, enquanto o iFood sustenta que o acordo já estabelece limites nacionais e municipais aplicáveis ao mercado.

Na representação, o aiqfome argumenta que o recorte de 500 mil habitantes previsto no TCC deixa de fora uma parcela relevante do mercado de delivery brasileiro. A plataforma afirma que o chamado “interior profundo”, com municípios entre 40 mil e 200 mil habitantes, concentra operações de diferentes aplicativos e deveria estar contemplado pelas medidas de proteção à concorrência.

“Nós acreditamos em plataforma aberta. O lojista tem que poder estar em quantos apps quiser, e cabe a cada empresa conquistar esse empreendedor pela qualidade, não prendê-lo via contrato. O que vemos na prática é o oposto: restaurantes que querem operar em outro app são punidos. Caem no ranking de busca, perdem vitrine e destaque, e ainda recebem ameaça de multa por quebra de exclusividade. Isso não é competição, é dependência forçada”, diz Igor Remigio, CEO e cofundador do aiqfome.

Segundo ele, foram apresentadas ao Cade evidências relacionadas a essas alegações, especialmente sobre multas contratuais. O CEO ainda afirma que os valores podem chegar a R$ 300 mil para um restaurante pequeno em uma cidade de 35 mil habitantes.

“É claro que não temos como auditar e investigar o algoritmo do iFood, e esse nem é o nosso papel. Porém, os relatos de lojistas prejudicados são abundantes. O aiqfome faz o caminho inverso do que denuncia: queremos que o lojista fique com a gente porque quer, não porque foi algemado”, complementa.

Com o lançamento do Magalu Delivery, o aiqfome passou a ser uma das áreas disponíveis no superapp da varejista. A operação continua baseada na estrutura do aiqfome, mas ganha acesso à base de mais de 50 milhões de usuários ativos mensais do Magalu.

A estratégia inicial mantém a aposta no interior. A primeira fase do Magalu Delivery contempla municípios de Minas Gerais, Paraná e São Paulo, regiões onde o aiqfome já reúne quase 30 mil restaurantes em cerca de 500 cidades, com população entre 80 mil e 120 mil habitantes.

Segundo a empresa, a ideia é avançar para mercados maiores de forma gradual. Campinas, por exemplo, está entre os mercados avaliados pela companhia, enquanto a empresa também considera testar o serviço em uma cidade de aproximadamente 300 mil habitantes. O movimento coloca a Magalu progressivamente na disputa por mercados que estão no centro da briga entre iFood, 99 e Keeta.

O que diz o iFood

Em nota à imprensa, o iFood afirma que a representação do aiqfome “não é nova e se baseia em premissas factualmente equivocadas”. A empresa nega que esteja expandindo parcerias exclusivas para cidades menores e afirma que sua atuação está concentrada nos grandes centros urbanos.

“A alegação de que o TCC deixa cidades menores desprotegidas não procede. Além do limite municipal de 8% do GMV para cidades acima de 500 mil habitantes, o acordo estabelece um limite nacional de 25% válido para todos os municípios. Nas cidades pequenas, o total de restaurantes ativos na plataforma que têm contrato de exclusividade representam menos de 1% do total”, diz o iFood.

Sobre a visibilidade dos estabelecimentos, a companhia declara que o posicionamento na plataforma é determinado por critérios objetivos, como perfil de consumo, qualidade do serviço e investimento do parceiro. A empresa nega adotar condutas retaliatórias contra restaurantes que também operam em outras plataformas e afirma manter suas práticas em conformidade com o TCC.

“O TCC está em vigor há mais de três anos, é monitorado pelo Cade a cada seis meses e o órgão atestou seu cumprimento. Não há base para revisão do acordo. As alegações da aiqfome são infundadas”, afirma o iFood.

Chuva de denúncias no Cade

Essa não é a primeira vez que um app de delivery usa o Cade para provocar os concorrentes. Em agosto, o iFood protocolou um pedido de abertura de processo administrativo no Cade contra a Keeta alegando práticas predatórias no mercado. Segundo o iFood, a concorrente estaria operando com prejuízo por pedido e usando recursos da controladora, a Meituan, para subsidiar descontos e preços abaixo do custo.

Antes disso, havia sido a Keeta quem enviou uma denúncia contra a 99Food, acusando a concorrente de adotar cláusulas que restringiriam a atuação dos restaurantes em plataformas rivais e de estabelecer regras de paridade de preços em relação ao iFood.

No meio desse toma lá, dá cá, o Cade decidiu acompanhar mais de perto as práticas comerciais do setor. Em novembro de 2025, a autarquia abriu um procedimento administrativo para monitorar o mercado de marketplaces de delivery de comida e pediu estudos sobre a dinâmica competitiva em Goiânia, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo e São Vicente.

Conteúdo produzido por Startups.com.br

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