Taxas do Tesouro superam 2020 e têm maior alta da série histórica com vitória de Lula

26 de Out de 2026 - 13:20
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Taxas do Tesouro superam 2020 e têm maior alta da série histórica com vitória de Lula

Os títulos prefixados do Tesouro Direto têm nesta segunda-feira (26) a maior alta diária de taxas da série histórica do Tesouro, iniciada em 2005, e superam o recorde de março de 2020. O movimento acontece no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) por cerca de 4,4 milhões de votos no domingo (25), e mesmo depois de uma intervenção do Tesouro Nacional no mercado.

O Tesouro Prefixado 2032 passou de 12,89% ao ano no fechamento de sexta-feira (23) para 15,78% na abertura das negociações, às 12h13, uma alta de 2,89 pontos percentuais. No mesmo intervalo, o Tesouro Prefixado 2029 foi de 12,76% para 15,40%, e o Tesouro IPCA+ 2050 subiu de IPCA + 6,42% para IPCA + 7,64%.

Pelo critério da série histórica, o avanço do Prefixado 2032 supera os 206 pontos-base de 12 de março de 2020, no início da pandemia de Covid. O Tesouro Direto foi criado em 2002, mas a série oficial de taxas do Tesouro começa em dezembro de 2004. Todos os prefixados à venda ultrapassam a marca de 2020, inclusive o que menos sobe, o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037, com alta de 252 pontos.

Nos títulos atrelados à inflação, o IPCA+ 2032 sobe 134 pontos-base, a segunda maior alta diária do grupo na série histórica, atrás apenas dos 162 pontos de 12 de março de 2020, registrados naquele dia por um título de prazo mais curto, o IPCA+ 2024. Nos vencimentos mais longos, a alta de hoje, entre 113 e 118 pontos, fica abaixo da registrada em 2020.

Com o salto, o Prefixado 2032 atinge a maior taxa da série do título, iniciada em fevereiro de 2025, e supera os 15,14% de março daquele ano. Já o Prefixado 2029, a 15,40%, volta ao nível de janeiro de 2025.

O Tesouro IPCA+ 2050 também renova a máxima da série, iniciada em fevereiro de 2025, e passa os IPCA + 7,54% de 30 de julho deste ano.

Abertura atrasada e intervenção

A plataforma do Tesouro Direto só abriu às 12h13, com quase três horas de atraso. No primeiro pregão após o primeiro turno, as negociações começaram às 11h28.

Antes disso, em meio à disparada dos juros futuros, o Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos atrelados à inflação e de prefixados previstos para esta semana e manteve apenas a oferta de LFT, atrelada à Selic.

Pouco depois, o órgão anunciou uma intervenção no mercado, com a recompra de até 5 milhões de NTN-F de cada um dos vencimentos de 2031, 2033 e 2037, em estratégia semelhante à adotada em março, durante a pressão causada pela guerra do Irã. Na recompra, o Tesouro compra de volta papéis que estão com os investidores e absorve parte da pressão de venda sobre os títulos.

Como o leilão de recompra aconteceu entre 11h15 e 11h45, as taxas de abertura do Tesouro Direto já incorporam a atuação do Tesouro, e mesmo assim o movimento é recorde.

Rali do 1º turno apagado

A alta desta segunda devolve toda a queda de juros que se seguiu ao primeiro turno, quando o mercado passou a apostar na vitória de Flávio, e leva as taxas para cima do nível anterior à votação. O Prefixado 2032 está 1,63 ponto acima dos 14,15% da abertura de 2 de outubro, último pregão antes do primeiro turno, e o IPCA+ 2050 supera em 0,58 ponto a taxa de IPCA + 7,06% daquele dia.

Às vésperas do segundo turno, Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, esperava alta de pelo menos 1 ponto nas taxas longas em caso de vitória de Lula. Bruno Corano, economista da Corano Capital, via em artigo escrito antes da votação os juros futuros longos de volta à faixa de 14% a 15%, nível que o DI de janeiro de 2031 atingiu logo no início do pregão.

Para Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, o mercado havia precificado uma mudança de governo, e a reeleição leva investidores, sobretudo estrangeiros, a retirar capital do país e a cobrar mais juros para financiar o Brasil. “A pancada principal é no juro futuro porque os investidores olham para o Brasil e não confiam”, diz. Segundo ele, a reação é mais forte que a de 2022 porque, naquela época, o mercado acreditou que o governo faria mais ajustes, o que não se confirmou nos anos seguintes.

Impacto nos preços

Na marcação a mercado, o preço do Tesouro IPCA+ 2050 cai 23,6% em relação a sexta-feira, enquanto o Prefixado 2032 perde 12,2% e o IPCA+ 2032, 7,1%. Pelo preço de compra, o IPCA+ 2050 vale hoje 11,3% menos que na abertura de 2 de outubro, e o Prefixado 2032, 6,3% menos.

A queda de preço só vira prejuízo para quem vende antes do vencimento. Quem leva o título até o fim recebe a rentabilidade contratada na compra.

A Genial Investimentos recomenda trocar risco doméstico por proteção. Na carteira sugerida para o cenário de reeleição, o pós-fixado responde por 40%, como base de liquidez remunerada pela Selic, seguido por títulos IPCA+ de vencimentos curtos, com 15%, e prefixados curtos, com 10%. Segundo os estrategistas Roberto Motta, Filipe Villegas e Thainá Rambaldo, o IPCA+ curto “protege o poder de compra sem carregar o prêmio fiscal, que tende a abrir a ponta longa”. Já o prefixado curto é uma aposta moderada de que a desaceleração da economia leve o Banco Central a cortar juros, com risco menor que o dos prefixados longos.

O próximo passo para os juros é a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 4 de novembro. A equipe de macroeconomia do ASA projeta apenas mais um corte da Selic, hoje em 13,75% ao ano, nesse encontro, com a taxa terminando 2026 em 13,5%. Sem a expectativa de um ajuste fiscal crível, o ASA avalia que as expectativas de inflação tendem a seguir desancoradas, e que o Banco Central só volte a cortar juros entre o segundo e o terceiro trimestres de 2027, com a Selic em 13% no fim do ano que vem.

Veja as taxas do Tesouro Direto na abertura desta segunda-feira (26), às 12h13:

TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Reserva 2036SELIC01/01/2036
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0992%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202915,40%01/01/2029
Tesouro Prefixado 203215,78%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203715,42%01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 8,10%15/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,94%15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,71%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,76%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,64%15/08/2050

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