Tesouro viking de 18,5 kg é encontrado por acaso no jardim de uma casa no norte da Dinamarca

20 de Set de 2026 - 09:10
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Tesouro viking de 18,5 kg é encontrado por acaso no jardim de uma casa no norte da Dinamarca
  • Por Ana Paula Pickler

  • Especial para a Gazeta do Povo

  • 20/09/2026 às 09:00

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O que deveria ser apenas uma obra para preparar o terreno de um novo terraço terminou com uma descoberta arqueológica excepcional na Dinamarca. Um morador de Rebild, no norte do país, encontrou por acaso 18,5 quilos de prata enterrados no jardim de casa, em setembro deste ano.

O conjunto reúne cerca de 700 objetos e fragmentos que foram escondidos durante o século 10 e é considerado o maior já encontrado em território dinamarquês.

A descoberta aconteceu depois de aproximadamente meia hora de trabalho. Enquanto retirava grama, pedras e cascalho, o homem percebeu que sua ferramenta havia atingido alguma coisa metálica. Ao continuar a escavação com as próprias mãos, encontrou um objeto, depois outro e mais outros.

A princípio, imaginou que fossem pedaços de ferro velho, arame de cerca e cacos de cerâmica. Só depois percebeu que estava diante de joias, moedas e barras de prata.

O morador preferiu permanecer anônimo. Segundo ele, a situação começou como algumas horas de trabalho pesado no jardim e acabou se transformando na maior surpresa de sua vida.

O que foi encontrado no maior tesouro da Era Viking de 18,5 quilos?

O tesouro encontrado em Rebild é quase três vezes maior que o chamado Tesouro de Terslev, que, com cerca de 6,5 quilos de prata, era considerado até então o maior depósito do período encontrado na Dinamarca. No novo achado, os pesquisadores contabilizaram aproximadamente 700 objetos e fragmentos.

Cerca de 320 peças, com peso total de 6,4 quilos, ainda estavam dentro do recipiente de cerâmica usado originalmente para esconder parte da riqueza. O restante havia se espalhado pelo solo ao redor.

Quais objetos foram encontrados no tesouro?

Entre os objetos estão barras de prata, pulseiras, correntes, joias, fragmentos deliberadamente cortados e 47 . Também foi localizado um pequeno amuleto em formato de martelo associado ao deus Thor, uma referência às crenças nórdicas da época.

Um dos objetos mais intrigantes é uma barra de prata com uma inscrição feita em runas. Os pesquisadores acreditam que a marca possa ser lida como “hutu”, mas ainda não conseguiram determinar seu significado. A inscrição pode ser um nome, uma marca de propriedade ou algum outro tipo de identificação usada pelo dono da peça.

Como os vikings armazenavam e usavam a prata?

A importância do tesouro viking não está apenas na quantidade de prata, mas também na maneira como o material foi organizado. Segundo os pesquisadores, barras, fragmentos de joias e outras peças aparecem agrupados em determinadas faixas de peso, indicando que o conjunto provavelmente foi reunido de maneira planejada.

Por que moedas e joias eram cortadas em pedaços?

Na Era Viking, a prata não precisava necessariamente estar na forma de moeda para ter valor. O metal podia ser utilizado como meio de pagamento e como reserva de riqueza de acordo com seu peso. Por isso, moedas, joias e barras podiam ser cortadas em pedaços menores, divididas ou derretidas para que a quantidade necessária de prata fosse utilizada em uma negociação.

É justamente essa característica que levou o arqueólogo Torben Sarauw, responsável pelo patrimônio cultural dos Museus do Norte da Jutlândia, a comparar o achado a um “cofre da Era Viking”.

O conjunto preserva, portanto, não apenas objetos antigos, mas evidências de como a riqueza era armazenada, organizada e utilizada naquele período.

De onde veio a prata encontrada na Dinamarca?

As moedas encontradas também ajudam a revelar a dimensão das redes comerciais existentes na Escandinávia há cerca de mil anos. O tesouro reúne exemplares de origem anglo-saxônica e árabe, indicando contatos entre a Dinamarca, a Inglaterra e regiões muito mais distantes a leste.

Entre as peças estão duas moedas inglesas de prata cunhadas durante o reinado de Eduardo, o Velho, que governou entre 899 e 924. Também foram encontrados dirhams, moedas associadas ao mundo islâmico. Algumas delas aparecem fragmentadas, algo compatível com o sistema em que a prata era avaliada principalmente pelo peso.

O que o tesouro revela sobre a Dinamarca no século 10?

Para Sarauw, as peças mostram que a prata escondida em Rebild fazia parte de um mundo muito maior, no qual pessoas, mercadorias e valores circulavam por grandes distâncias. O período em que o tesouro foi enterrado também coincide com importantes transformações na Dinamarca, como a formação do reino dinamarquês e a expansão do cristianismo na Escandinávia.

Por que o tesouro viking foi enterrado?

Ainda não se sabe quem reuniu tamanha quantidade de riqueza, por que decidiu escondê-la ou por que nunca voltou para recuperá-la.

Os pesquisadores também não conseguiram determinar se o depósito ficava próximo de um antigo assentamento viking, de uma estrada ou em um ponto escolhido por ser mais discreto e seguro. Como o local atualmente está em uma área urbanizada, uma investigação arqueológica ampla é limitada.

A região, porém, já havia revelado outros vestígios importantes. Em 1971, um depósito de aproximadamente quatro quilos de prata do século 10 foi encontrado nas proximidades. Já em 2026, apenas dois meses antes do novo achado, pesquisadores localizaram o Tesouro de Rold, formado por seis braceletes vikings de ouro, com peso total de 762,5 gramas.

Agora, o tesouro de 18,5 quilos passa por avaliação do Museu Nacional da Dinamarca. Pela legislação do país, descobertas arqueológicas classificadas como bens arqueológicos de interesse nacional pertencem ao Estado, e o responsável pelo achado pode receber uma recompensa.

Os Museus do Norte da Jutlândia esperam, futuramente, viabilizar a exposição do conjunto no Museu Viking de Fyrkat.

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