Análise: Elon Musk deve se tornar o maior financiador das Midterms

26 de Out de 2026 - 12:00
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Análise: Elon Musk deve se tornar o maior financiador das Midterms

Mais de US$ 16 bilhões (cerca de R$ 79,6 bilhões) — um montante que continua a crescer — foram arrecadados durante o ciclo eleitoral de 2026, segundo um levantamento realizado no início de outubro pela Comissão Eleitoral Federal.

A maior parte desse montante não passou por candidatos ou partidos políticos, mas sim por comitês de ação política.

Isso inclui gastos vultosos de Elon Musk, o homem mais rico do mundo, que também deve se tornar o maior financiador desta eleição, em um esforço para preservar as maiorias republicanas na Câmara e no Senado.

Há gastos por parte de pessoas ricas ligadas à esquerda — George Soros e Michael Bloomberg estarão entre os que mais desembolsarão recursos neste ciclo.

No entanto, esses gastos são ofuscados pelas vultosas contribuições destinadas à direita política.

Além disso, pode levar meses ou até anos até obtermos um levantamento mais preciso do dinheiro que circulou por meio de grupos de financiamento opaco — entidades sujeitas a exigências de transparência ainda mais restritas do que as aplicadas aos chamados PACs (comitês de ação política).

Procurei Fredreka Schouten, da CNN, para entender melhor o que sabemos, até o momento, sobre os gastos de campanha neste ano.

Quem está vencendo a disputa por recursos financeiros este ano: republicanos ou democratas?

SCHOUTEN: Neste momento, são os republicanos — especialmente no que diz respeito às disputas para o Senado.

Ao longo de todo o ano, vimos candidatos democratas — tanto para a Câmara quanto para o Senado — com um desempenho superior ao de seus rivais republicanos.
Mas, neste outono, grandes somas de dinheiro começaram a chegar para apoiar os republicanos. E, olha, chegaram com força.

Basta observar os dois *super PACs* que atuam nas disputas para o Senado.

O “Senate Majority PAC”, alinhado aos democratas, afirma ter arrecadado US$ 354 milhões (aproximadamente R$ 1,7 bilhão) neste ciclo — um recorde para o grupo. Nada mal.

Por outro lado, o SLF — também conhecido como “Senate Leadership Fund” —, o principal “super PAC” que trabalha para eleger republicanos ao Senado, arrecadou mais de US$ 540 milhões (cerca R$ 2,6 bilhões).

Paralelamente, o bilionário Elon Musk e grupos alinhados ao presidente Donald Trump estão investindo dezenas de milhões de dólares nas disputas para ajudar os republicanos.

Nosso colega David Wright, que acompanha de perto a publicidade política, relatou uma vantagem para os democratas diante da ofensiva financeira republicana: os recursos democratas estão rendendo mais.

Por quê? O Partido Republicano tem dependido mais de “super PACs”, que pagam tarifas mais altas por publicidade, além de terem tomado suas decisões de compra mais tarde, em um momento em que a oferta de espaços publicitários já está escassa.

Qual é o grande assunto no financiamento de campanhas este ano?

SCHOUTEN: Elon Musk.

O homem mais rico do mundo é também o maior doador individual declarado neste ciclo eleitoral.

Segundo os relatórios mais recentes, suas doações ultrapassaram a marca de US$ 400 milhões (R$ 1,9 bilhão) até meados de outubro. E, como a eleição ainda não terminou, não temos um cálculo completo da dimensão de seu impacto.

Vale lembrar, contudo, que foi um fato de grande repercussão quando ele destinou cerca de US$ 290 milhões (R$ 1,4 bilhão), no contexto da eleição de 2024, para ajudar a eleger o presidente Donald Trump e outros candidatos republicanos.

Ele é, hoje, um mega-doador como este país jamais viu.

Em setembro, por exemplo, o bilionário destinou um total de US$ 158 milhões (R$ 786 milhões) ao SLF, em duas parcelas; o montante parece ter sido imediatamente repassado a outro grupo, o Texas PAC.

Esse grupo, por sua vez, tem investido vultosas quantias para impulsionar a candidatura do republicano Ken Paxton em detrimento da do democrata James Talarico, em uma disputa senatorial bastante acirrada.

Se Paxton vencer, Musk é, sem dúvida, uma das pessoas a quem ele terá de agradecer.

Não faz muito tempo, Musk falava em romper com os republicanos e fundar seu próprio partido, após um desentendimento público com o ex-presidente.

No entanto, seus gastos mostram que ele está de volta ao campo republicano.

Outro ponto de grande destaque são os gastos vinculados a Trump.

Seu super PAC, o MAGA Inc., acumulou reservas vultosas ao longo do ano, em um momento em que os republicanos temiam perder suas maiorias na Câmara e no Senado.

Então, em setembro, os recursos alinhados a Trump começaram a ser liberados para apoiar os republicanos, incluindo Paxton.

O MAGA Inc. também financia dois novos super PACs — com nomes que soam inofensivos, “No Going Back PAC” e “Safety & Affordability PAC” — que estão atuando nas eleições de meio de mandato.

Os nomes desses “super PACs” não deixam exatamente claro para os eleitores que os anúncios veiculados estão ligados a Trump — um presidente que chega às eleições de meio de mandato com índices de aprovação historicamente baixos.

Trump afirmou recentemente que sua máquina política está a caminho de gastar US$ 400 milhões até o dia da eleição, com o objetivo de ajudar a preservar as maiorias do Partido Republicano no Congresso.

Ele dispõe de recursos para isso.

Esse grande volume de investimentos republicanos gerou certo pânico entre os democratas no Capitólio, conforme relataram recentemente nossos colegas Sarah Ferris e Patrick Svitek.

É nesse cenário que surge o ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que tradicionalmente entra nas disputas eleitorais apenas na reta final.

A equipe do bilionário anunciou, recentemente, um aporte de última hora de US$ 80 milhões (cerca de R$ 398 milhões) para apoiar os democratas.

E quanto a George Soros?

SCHOUTEN: O bilionário é, tradicionalmente, uma importante fonte de financiamento para os democratas.

Sua operação política, agora supervisionada por seu filho Alex, destinou mais de US$ 100 milhões (R$ 497 milhões) ao Democracy PAC e ao Democracy PAC II — os “super PACs” que ele controla.

Esses PACs repassam verbas para outros PACs de orientação esquerdista, como o Fulcrum PAC — que atua no que pode vir a ser a disputa mais surpreendente da eleição: uma corrida ao Senado dos EUA, no estado do Mississippi — reduto conservador —, que se mostra inesperadamente competitiva.

É uma quantia vultosa, mas Soros não é o maior agente de que se tem notícia nesta eleição.

O fundo de campanha de Trump soma centenas de milhões de dólares. De onde vem esse dinheiro?

SCHOUTEN: Pessoas e empresas muito ricas.

Por exemplo, apenas em setembro, três pessoas foram responsáveis ​​por três quartos dos US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 119 milhões) que a MAGA Inc. arrecadou naquele mês: o magnata dos cassinos Steve Wynn (US$ 8 milhões), o CEO da Blackstone, Stephen Schwarzman (US$ 5 milhões), e a bilionária do setor de coberturas de Wisconsin, Diane Hendricks (US$ 5 milhões).

A GEO Reentry Services, subsidiária de uma empresa de administração de presídios privados que possui contratos federais para operar instalações do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA), também doou US$ 1 milhão (cerca de R$ 4,9 milhões) para a MAGA Inc. naquele mês.

Zach, você fez uma análise aprofundada sobre algumas das pessoas que doaram para a MAGA Inc. e para outros projetos ligados a Trump.

WOLF: Isso foi em junho, e eu estava investigando, especificamente, o que os doadores da MAGA Inc. poderiam estar buscando junto ao governo federal.

Quais outras tendências são notáveis ​​nesta eleição?

SCHOUTEN: Esta é a primeira grande eleição desde a explosão da inteligência artificial.

Estamos vendo muitos anúncios políticos criados com o uso de IA — que são baratos de produzir, mas capazes de distorcer a realidade.

É extremamente fácil mostrar candidatos em situações constrangedoras que, na verdade, nunca aconteceram.

E o governo federal ainda não conseguiu acompanhar o ritmo para regulamentar essa tecnologia.

Recentemente, analisamos essa tendência mais de perto.

Do nosso relatório:

Anúncios políticos de tom dramático, que começaram a ser veiculados este ano, mostram um candidato ao Senado dirigindo um ônibus com imigrantes sem documentação rumo a um local de votação; um candidato a governador segurando sacolas abarrotadas de dinheiro; e um congressista republicano de mãos dadas com dois de seus colegas democratas, no que um narrador descreveu como um “trisal”.

Nenhuma dessas situações comprometedoras aconteceu de fato — todos os anúncios foram criados com o uso de inteligência artificial.

O que não saberemos antes do dia da eleição?

WOLF: Fazer uma reportagem sobre isso parece montar um quebra-cabeça — é preciso juntar as peças, a posteriori, com base nos relatórios da FEC.

O que você tem mais interesse em descobrir após a eleição?

SCHOUTEN: Estaremos mais próximos de obter um balanço final das doações divulgadas publicamente, embora seja difícil imaginar que alguém consiga superar Musk.

Também teremos uma noção mais clara de como o dinheiro de origem não rastreável — doações provenientes de organizações sem fins lucrativos e empresas de fachada — influenciou a eleição, ainda que, muitas vezes, leve bastante tempo para que essas informações venham à tona.

Por fim, o próprio resultado da eleição nos revelará quem fez as apostas inteligentes — ou quem, talvez, tenha apenas enriquecido consultores e outros atores do ecossistema político.

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