Análise: Lula mira eleitorado feminino com reajuste do Bolsa Família
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, em cerimônia no Palácio do Planalto, um reajuste de 15% no programa Bolsa Família. Com a medida, o piso do benefício passa de R$ 600 para R$ 691. O anúncio ocorre a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições municipais. A apuração é da analista de Política da CNN Jussara Soares ao CNN Prime Time.
Segundo Jussara, a decisão teria sido motivada por um encontro realizado há três semanas no Palácio do Planalto, no qual Lula se reuniu com um grupo de mulheres para discutir custo de vida e orçamento doméstico.
A medida foi referendada pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que afastou a possibilidade de ilegalidade eleitoral no anúncio.
Foco no eleitorado feminino
O reajuste mira um público muito específico: as mulheres. De acordo com Jussara Soares, mais de 80% dos titulares do Bolsa Família são mulheres, chefes de família. “O presidente Lula, ao fazer esse anúncio, mira este eleitorado”, afirmou a analista.
Pesquisas recentes apontam que Lula, que sempre manteve boa margem entre as eleitoras, vem “perdendo um pouco de tração neste eleitorado feminino”, especialmente na disputa com Flávio Bolsonaro.
Estratégia eleitoral na reta final
Além do reajuste, a campanha de Lula busca reforçar o discurso de que ele governa para os trabalhadores e as classes menos favorecidas. Em contraposição, a estratégia é associar Flávio Bolsonaro ao governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Não tem como comparar com o Flávio, ele nunca governou nada”, teria dito Lula, segundo Jussara Soares.
A campanha pretende citar, como exemplos de contraste, isenções concedidas no governo Bolsonaro para proprietários de jatinhos e jet skis, em oposição a propostas como a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e o compromisso de zerar o imposto da cesta básica.