Corrupção escala e vira 2ª maior preocupação dos brasileiros em meio à crise STF-Master
Em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e o escândalo do Banco Master, que engolfa expoentes do campo político país afora, a corrupção avança na lista dos maiores problemas do país na opinião dos brasileiros. É o que revela a Pesquisa Nacional de Segurança e Tecnologia Pax/Quaest, divulgada nesta sexta-feira (18).
Em acordo com a tendência histórica do levantamento, a violência ainda é a principal preocupação dos cidadãos, com 28% das respostas. Em segundo lugar aparece a corrupção, que ganhou duas posições em relação ao levantamento anterior e chegou a 22% das respostas.
A economia aparece em terceiro lugar na lista dos maiores problemas do Brasil, com 19%. E, para 15% dos entrevistados, a saúde é o principal problema. Com 5% cada, aparecem na sequência os temas de desemprego e educação.
Para a maioria dos brasileiros, a violência aumentou porque tem acontecido mais crimes e eles ficaram mais violentos, aponta a pesquisa.
Para 1%, o problema mais grave do Brasil é a infraestrutura. Na opinião de 2%, são outros problemas que ficam no topo e 4% não souberam ou não responderam. A coleta dos dados foi realizada por meio de entrevistas face-a-face dos dias 12 a 15 de setembro. Foram realizadas 2.004 entrevistas com brasileiros de 16 anos de idade ou mais. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, e a taxa de confiança é de 95%.
Na pesquisa divulgada em agosto pela Quaest sobre o tema, com metodologia e opções diferentes, 33% dos entrevistados apontavam a violência como o principal problema, seguida pela economia (15%), saúde (14%), corrupção (14%), problemas sociais (12%), educação (7%), e outras preocupações (5%).
Levantamento Genial/Quaest divulgado em maio já apontava a violência como a principal preocupação dos brasileiros, à frente de saúde, economia, educação e corrupção. A violência se mantém no topo da série histórica pelo menos desde o começo de 2025.
Entre uma rodada de pesquisa e outra, a crise só aumentou e ganhou contornos inéditos, o que pode ter influenciado a percepção dos brasileiros sobre o problema. O episódio envolve o escândalo das fraudes no Banco Master e as relações do banqueiro preso Daniel Vorcaro com ministros do STF, notoriamente Alexandre de Moraes, e políticos diversos.
Brasileiro avalia que a punição a criminosos tem sido menor
A pesquisa Pax/Quaest revela ainda que, na opinião de 70% dos entrevistados, a violência aumentou muito nos últimos dois anos. Para 9%, aumentou pouco. Para 15%, ficou igual, para 4% diminuiu um pouco e para 1% dos entrevistados, a violência diminuiu muito. Não souberam ou não responderam 1% dos entrevistados.
Para 73% dos entrevistados, a violência aumentou porque têm acontecido mais crimes e eles ficaram mais violentos — 14% responderam que é apenas por causa do aumento no volume de crimes, enquanto, para outros 12%, a violência aumentou apenas porque os crimes ficaram mais violentos.
Na visão de 67% das pessoas ouvidas pelos pesquisadores, a punição para os criminosos tem sido menor nos últimos anos. Outros 22% acham que a punição tem sido maior, e 11% não sabem ou não responderam.
Como os brasileiros avaliam as forças de segurança
Apesar de considerar o país mais violento e inseguro, a maioria dos entrevistados avalia bem as instituições que compõem o sistema brasileiro de segurança pública, principalmente as polícias. A Polícia Federal é avaliada positivamente por 44% dos entrevistados. Já 31% consideram o trabalho da PF regular e 19%, ruim (6% não sabem ou não responderam).
A Polícia Militar é avaliada positivamente por 45% dos entrevistados. Já 31% consideram o trabalho da PM regular, e 21%, ruim (3% não sabem ou não responderam). Já a Polícia Civil dos estados é considerada positivamente por 41%, regular por 36% e negativa por 15% (5% não sabem/não responderam).
As prefeituras tiveram 39% de avaliação positiva nas respostas sobre o trabalho na área de segurança pública e combate à violência, 33% de regular e 26% de negativa (2% não sabem ou não responderam).
Os governos dos estados, os entes federativos com a maior responsabilidade no combate ao crime, de acordo com a Constituição, foram avaliados positivamente por 34% dos entrevistados. Já 32% consideram o trabalho dos governos estaduais regular, e 31%, ruim (3% não sabem ou não responderam).
Por sua vez, o governo federal tem seu trabalho no combate à violência avaliado de maneira positiva por 26% dos entrevistados, de maneira regular por 34% e negativamente por 36% (4% não sabem ou não responderam).
O Poder Judiciário, talvez de maneira sintomática em relação à crise do STF atual, foi a esfera de combate ao crime com o pior índice de avaliações positivas nesta rodada da pesquisa Pax/Quaest. Ao todo, 23% consideram o trabalho da Justiça positivo, 38% regular e 35%, negativo (4% não sabem ou não responderam).
A consolidação da violência como maior preocupação dos brasileiros é uma tendência constatada em levantamentos de outros institutos de pesquisa. De acordo com pesquisa de intenção de voto e outros assuntos correlatos BTG/Nexus, por exemplo, divulgada no dia 8 de setembro, o tema "segurança pública, violência, criminalidade” também ocupa o primeiro lugar dentre os principais problemas do Brasil, com 35% das respostas. Em segundo lugar aparecia a saúde pública, com 31%, e em terceiro a corrupção, com 23%.