Bitcoin testa os US$ 80 mil: correção ameaça a recuperação do BTC?

9 de Out de 2026 - 14:50
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Bitcoin testa os US$ 80 mil: correção ameaça a recuperação do BTC?

O Bitcoin (BTC) voltou a testar uma região decisiva depois de perder força na recuperação iniciada em julho. A criptomoeda chegou a se aproximar dos US$ 80 mil nos últimos dias e, nesta sexta-feira (9), às 14h15, voltava a negociar na casa dos US$ 82,5 mil, ainda abaixo da resistência recente de US$ 87,4 mil.

A correção acontece depois de uma alta de quase 47% desde a mínima de US$ 57,8 mil, registrada em 1º de julho. O movimento recuperou parte das perdas acumuladas desde a máxima histórica de US$ 126,2 mil, alcançada em outubro de 2025, mas ainda não é suficiente para confirmar a consistência da recuperação.

Nos últimos dias, o cenário ficou mais desafiador. O Bitcoin perdeu os US$ 83 mil e zerou os ganhos acumulados no início de outubro, em um movimento acompanhado por liquidações de posições alavancadas e alta dos juros americanos.

A leitura conjunta dos gráficos diário e semanal mostra uma diferença importante: o Bitcoin perdeu força no curto prazo, mas ainda não desmontou a recuperação em um horizonte mais amplo.

Nesse cenário, a região dos US$ 80 mil passa a funcionar como um teste importante para distinguir uma realização dentro da recuperação de uma correção de maior alcance.

US$ 80 mil vira primeiro teste no gráfico

A perda de força aparece com clareza no gráfico diário. Depois do fundo anual em US$ 57,8 mil, o Bitcoin passou a formar topos e fundos ascendentes e chegou à região de US$ 87,4 mil. A dificuldade para superar essa barreira, porém, abriu espaço para a correção atual.

O BTC passou a negociar abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos, próximas de US$ 83,85 mil e US$ 84,19 mil, respectivamente. Somada à dificuldade de superar a máxima recente, a perda dessas referências mostra enfraquecimento no curtíssimo prazo, embora ainda não seja suficiente para desmontar toda a recuperação.

Agora, a faixa entre US$ 80 mil e US$ 80,4 mil aparece como o primeiro suporte relevante. Sua preservação manteria a correção dentro da estrutura recente. Uma perda consistente aumentaria o risco de extensão do movimento em direção à região próxima dos US$ 75 mil.

Na direção contrária, o Bitcoin precisa recuperar as médias de curto prazo e, principalmente, superar os US$ 87,4 mil. Acima desse patamar, as próximas referências aparecem em US$ 91,2 mil e US$ 97,9 mil.

“Gráfico diário do Bitcoin em 9 de outubro de 2026 mostra BTC abaixo das médias de 9 e 21 períodos e suporte próximo de US$ 80 mil.”
Bitcoin negocia abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos no gráfico diário; região dos US$ 80 mil aparece como suporte importante. Fonte: elaboração de Rodrigo Paz/InfoMoney
NívelLeitura
US$ 87,4 milResistência para retomada
US$ 83,8 mil–84,2 milMédias perdidas no diário
US$ 80 mil–80,4 milSuporte-chave
US$ 75 milPróxima referência abaixo

Alta de 47% ainda não confirma fundo, diz Binance

A discussão sobre os US$ 80 mil ocorre em um momento em que a própria dimensão da recuperação precisa ser colocada em perspectiva.

Em análise publicada nesta semana, a Binance Research lembra que o Bitcoin caiu 54,2% entre a máxima de US$ 126,2 mil, em outubro de 2025, e a mínima de US$ 57,8 mil, em julho deste ano.

A perda nominal foi bem menor que as registradas nos três grandes mercados de baixa anteriores, de 86,9%, 84,1% e 77,6%. Mas há uma diferença importante: o Bitcoin também ficou menos volátil ao longo dos ciclos.

Segundo a Binance, a volatilidade anualizada caiu de 99% no ciclo de 2013 a 2015 para 47% atualmente. Ajustada por essa mudança, a queda atual corresponde a um movimento de 1,94 desvio-padrão, magnitude próxima à observada nos três ciclos anteriores.

Ciclos de baixa e janela histórica de fundo

No ciclo atual, a mínima ocorreu antes da janela de 11 a 13 meses após o pico observada nos mercados de baixa anteriores. Fonte: Binance Research/CoinMarketCap
No ciclo atual, a mínima ocorreu antes da janela de 11 a 13 meses após o pico observada nos mercados de baixa anteriores. Fonte: Binance Research/CoinMarketCap

Em outras palavras, uma queda percentual menor hoje pode representar um movimento estatisticamente tão relevante quanto recuos muito maiores registrados quando o Bitcoin era mais volátil.

A leitura é que as quedas percentuais podem estar ficando menores à medida que o próprio ativo oscila menos — e não necessariamente porque o Bitcoin tenha passado a sofrer mercados de baixa menos intensos.

O avanço de quase 47% desde julho tampouco é suficiente, isoladamente, para confirmar que a mínima ficou definitivamente para trás.

A Binance identificou sete episódios entre 2011 e 2023 nos quais o Bitcoin avançou pelo menos 40% desde uma mínima enquanto continuava 25% ou mais abaixo de seu recorde histórico. Nos cinco casos em que a reação começou depois de quedas entre 30% e 38%, quatro terminaram com um novo teste da mínima anterior.

O ciclo atual entrou nessa faixa em setembro. A própria Binance ressalta, contudo, que se trata de uma amostra pequena e que o histórico funciona como referência, não como previsão.

A recuperação recente foi forte. No fim de setembro, o Bitcoin encerrou o terceiro trimestre com valorização próxima de 40%, superando os principais investimentos acompanhados pelo InfoMoney no período. A questão agora é quanto desse movimento consegue ser preservado.

“Uptober” começou sob pressão

Outubro costuma carregar uma reputação favorável entre investidores de criptomoedas. Segundo a Binance Research, o mês apresenta retorno mediano de 12,7% para o Bitcoin desde 2013.

A sazonalidade, porém, não representa garantia de retorno positivo. O próprio levantamento da Binance tratava outubro de 2026 como um teste para saber se a recuperação iniciada no terceiro trimestre conseguiria ganhar continuidade.

Nos primeiros pregões do mês, esse teste encontrou resistência.

O mês começou depois de um setembro forte, quando o BTC chegou a superar os US$ 85 mil em meio à melhora de dados de inflação dos Estados Unidos e a uma sequência de entradas nos ETFs. O InfoMoney mostrou, em 30 de setembro, que os fundos haviam acumulado nove sessões consecutivas de captação.

Poucos dias depois, o cenário mudou.

ETFs, liquidações e juros aumentam a pressão

O fluxo institucional, que havia ajudado a sustentar a recuperação em setembro, perdeu força em outubro.

Dados compilados pelo CoinMarketCap apontaram saída líquida de US$ 484,9 milhões dos ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos em 7 de outubro, maior retirada diária desde 25 de junho.

O movimento contrasta com o observado no fim de setembro. Na semana encerrada em 25 daquele mês, os ETFs haviam captado US$ 2,39 bilhões, a maior entrada semanal de 2026 até então, segundo dados citados pelo InfoMoney.

A pressão recente também foi ampliada pela desalavancagem. Mais de US$ 290 milhões em posições compradas em Bitcoin foram liquidados em 24 horas durante um dos momentos de maior pressão vendedora.

O ambiente externo completa o quadro. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano permanecem elevados e mantêm pressionados ativos de maior risco, entre eles as criptomoedas. Essa combinação de juros altos e posições alavancadas já havia aparecido na queda do Bitcoin abaixo dos US$ 83 mil nesta semana.

O próximo ponto de atenção será o CPI dos Estados Unidos, previsto para 14 de outubro, que pode alterar novamente as expectativas para os juros americanos e o apetite por ativos de risco.

Gráfico semanal ainda preserva a recuperação

Se o diário mostra deterioração no curtíssimo prazo, a fotografia muda quando o horizonte é ampliado.

Depois de três semanas consecutivas de alta, o Bitcoin caminha para uma semana negativa, mas ainda permanece acima das médias móveis de 9 e 21 períodos no gráfico semanal, próximas de US$ 79,3 mil e US$ 71,4 mil, respectivamente.

O BTC também segue acima da linha de tendência de baixa rompida durante a recuperação dos últimos meses. Por isso, segundo Paz, o movimento atual ainda pode ser interpretado como um pullback dentro de uma estrutura de recuperação, desde que os principais suportes sejam preservados.

Bitcoin corrige após três semanas consecutivas de alta, mas permanece acima das médias semanais; US$ 87,4 mil é a principal resistência para uma retomada. Fonte: elaboração de Rodrigo Paz/InfoMoney

A faixa entre aproximadamente US$ 76,8 mil e US$ 80 mil concentra referências importantes no semanal. Abaixo dela, a média de 21 períodos, próxima dos US$ 71,4 mil, passa a ganhar relevância.

Na direção contrária, a superação dos US$ 87,4 mil seria o primeiro sinal técnico mais consistente de retomada do avanço.

É justamente esse contraste entre os horizontes que ajuda a definir o momento do Bitcoin: o gráfico diário perdeu força, mas o semanal ainda não confirmou uma reversão da recuperação iniciada em julho.

Nesse cenário, os US$ 80 mil concentram as atenções no curto prazo. A região reúne referências importantes nos gráficos diário e semanal, enquanto o Bitcoin enfrenta uma combinação de saídas dos ETFs e juros elevados nos Estados Unidos.

O comportamento nesse nível ajudará a indicar se a queda recente permanece como uma correção dentro da recuperação iniciada em julho ou se o movimento pode ganhar maior profundidade.

(Rodrigo Paz é analista técnico)

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