Bitcoin testa os US$ 80 mil: correção ameaça a recuperação do BTC?

O Bitcoin (BTC) voltou a testar uma região decisiva depois de perder força na recuperação iniciada em julho. A criptomoeda chegou a se aproximar dos US$ 80 mil nos últimos dias e, nesta sexta-feira (9), às 14h15, voltava a negociar na casa dos US$ 82,5 mil, ainda abaixo da resistência recente de US$ 87,4 mil.
A correção acontece depois de uma alta de quase 47% desde a mínima de US$ 57,8 mil, registrada em 1º de julho. O movimento recuperou parte das perdas acumuladas desde a máxima histórica de US$ 126,2 mil, alcançada em outubro de 2025, mas ainda não é suficiente para confirmar a consistência da recuperação.
Nos últimos dias, o cenário ficou mais desafiador. O Bitcoin perdeu os US$ 83 mil e zerou os ganhos acumulados no início de outubro, em um movimento acompanhado por liquidações de posições alavancadas e alta dos juros americanos.
A leitura conjunta dos gráficos diário e semanal mostra uma diferença importante: o Bitcoin perdeu força no curto prazo, mas ainda não desmontou a recuperação em um horizonte mais amplo.
Nesse cenário, a região dos US$ 80 mil passa a funcionar como um teste importante para distinguir uma realização dentro da recuperação de uma correção de maior alcance.
US$ 80 mil vira primeiro teste no gráfico
A perda de força aparece com clareza no gráfico diário. Depois do fundo anual em US$ 57,8 mil, o Bitcoin passou a formar topos e fundos ascendentes e chegou à região de US$ 87,4 mil. A dificuldade para superar essa barreira, porém, abriu espaço para a correção atual.
O BTC passou a negociar abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos, próximas de US$ 83,85 mil e US$ 84,19 mil, respectivamente. Somada à dificuldade de superar a máxima recente, a perda dessas referências mostra enfraquecimento no curtíssimo prazo, embora ainda não seja suficiente para desmontar toda a recuperação.
Agora, a faixa entre US$ 80 mil e US$ 80,4 mil aparece como o primeiro suporte relevante. Sua preservação manteria a correção dentro da estrutura recente. Uma perda consistente aumentaria o risco de extensão do movimento em direção à região próxima dos US$ 75 mil.
Na direção contrária, o Bitcoin precisa recuperar as médias de curto prazo e, principalmente, superar os US$ 87,4 mil. Acima desse patamar, as próximas referências aparecem em US$ 91,2 mil e US$ 97,9 mil.
Nível Leitura US$ 87,4 mil Resistência para retomada US$ 83,8 mil–84,2 mil Médias perdidas no diário US$ 80 mil–80,4 mil Suporte-chave US$ 75 mil Próxima referência abaixo
Alta de 47% ainda não confirma fundo, diz Binance
A discussão sobre os US$ 80 mil ocorre em um momento em que a própria dimensão da recuperação precisa ser colocada em perspectiva.
Em análise publicada nesta semana, a Binance Research lembra que o Bitcoin caiu 54,2% entre a máxima de US$ 126,2 mil, em outubro de 2025, e a mínima de US$ 57,8 mil, em julho deste ano.
A perda nominal foi bem menor que as registradas nos três grandes mercados de baixa anteriores, de 86,9%, 84,1% e 77,6%. Mas há uma diferença importante: o Bitcoin também ficou menos volátil ao longo dos ciclos.
Segundo a Binance, a volatilidade anualizada caiu de 99% no ciclo de 2013 a 2015 para 47% atualmente. Ajustada por essa mudança, a queda atual corresponde a um movimento de 1,94 desvio-padrão, magnitude próxima à observada nos três ciclos anteriores.
Ciclos de baixa e janela histórica de fundo
Em outras palavras, uma queda percentual menor hoje pode representar um movimento estatisticamente tão relevante quanto recuos muito maiores registrados quando o Bitcoin era mais volátil.
A leitura é que as quedas percentuais podem estar ficando menores à medida que o próprio ativo oscila menos — e não necessariamente porque o Bitcoin tenha passado a sofrer mercados de baixa menos intensos.
O avanço de quase 47% desde julho tampouco é suficiente, isoladamente, para confirmar que a mínima ficou definitivamente para trás.
A Binance identificou sete episódios entre 2011 e 2023 nos quais o Bitcoin avançou pelo menos 40% desde uma mínima enquanto continuava 25% ou mais abaixo de seu recorde histórico. Nos cinco casos em que a reação começou depois de quedas entre 30% e 38%, quatro terminaram com um novo teste da mínima anterior.
O ciclo atual entrou nessa faixa em setembro. A própria Binance ressalta, contudo, que se trata de uma amostra pequena e que o histórico funciona como referência, não como previsão.
A recuperação recente foi forte. No fim de setembro, o Bitcoin encerrou o terceiro trimestre com valorização próxima de 40%, superando os principais investimentos acompanhados pelo InfoMoney no período. A questão agora é quanto desse movimento consegue ser preservado.
“Uptober” começou sob pressão
Outubro costuma carregar uma reputação favorável entre investidores de criptomoedas. Segundo a Binance Research, o mês apresenta retorno mediano de 12,7% para o Bitcoin desde 2013.
A sazonalidade, porém, não representa garantia de retorno positivo. O próprio levantamento da Binance tratava outubro de 2026 como um teste para saber se a recuperação iniciada no terceiro trimestre conseguiria ganhar continuidade.
Nos primeiros pregões do mês, esse teste encontrou resistência.
O mês começou depois de um setembro forte, quando o BTC chegou a superar os US$ 85 mil em meio à melhora de dados de inflação dos Estados Unidos e a uma sequência de entradas nos ETFs. O InfoMoney mostrou, em 30 de setembro, que os fundos haviam acumulado nove sessões consecutivas de captação.
Poucos dias depois, o cenário mudou.
ETFs, liquidações e juros aumentam a pressão
O fluxo institucional, que havia ajudado a sustentar a recuperação em setembro, perdeu força em outubro.
Dados compilados pelo CoinMarketCap apontaram saída líquida de US$ 484,9 milhões dos ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos em 7 de outubro, maior retirada diária desde 25 de junho.
O movimento contrasta com o observado no fim de setembro. Na semana encerrada em 25 daquele mês, os ETFs haviam captado US$ 2,39 bilhões, a maior entrada semanal de 2026 até então, segundo dados citados pelo InfoMoney.
A pressão recente também foi ampliada pela desalavancagem. Mais de US$ 290 milhões em posições compradas em Bitcoin foram liquidados em 24 horas durante um dos momentos de maior pressão vendedora.
O ambiente externo completa o quadro. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano permanecem elevados e mantêm pressionados ativos de maior risco, entre eles as criptomoedas. Essa combinação de juros altos e posições alavancadas já havia aparecido na queda do Bitcoin abaixo dos US$ 83 mil nesta semana.
O próximo ponto de atenção será o CPI dos Estados Unidos, previsto para 14 de outubro, que pode alterar novamente as expectativas para os juros americanos e o apetite por ativos de risco.
Gráfico semanal ainda preserva a recuperação
Se o diário mostra deterioração no curtíssimo prazo, a fotografia muda quando o horizonte é ampliado.
Depois de três semanas consecutivas de alta, o Bitcoin caminha para uma semana negativa, mas ainda permanece acima das médias móveis de 9 e 21 períodos no gráfico semanal, próximas de US$ 79,3 mil e US$ 71,4 mil, respectivamente.
O BTC também segue acima da linha de tendência de baixa rompida durante a recuperação dos últimos meses. Por isso, segundo Paz, o movimento atual ainda pode ser interpretado como um pullback dentro de uma estrutura de recuperação, desde que os principais suportes sejam preservados.
A faixa entre aproximadamente US$ 76,8 mil e US$ 80 mil concentra referências importantes no semanal. Abaixo dela, a média de 21 períodos, próxima dos US$ 71,4 mil, passa a ganhar relevância.
Na direção contrária, a superação dos US$ 87,4 mil seria o primeiro sinal técnico mais consistente de retomada do avanço.
É justamente esse contraste entre os horizontes que ajuda a definir o momento do Bitcoin: o gráfico diário perdeu força, mas o semanal ainda não confirmou uma reversão da recuperação iniciada em julho.
Nesse cenário, os US$ 80 mil concentram as atenções no curto prazo. A região reúne referências importantes nos gráficos diário e semanal, enquanto o Bitcoin enfrenta uma combinação de saídas dos ETFs e juros elevados nos Estados Unidos.
O comportamento nesse nível ajudará a indicar se a queda recente permanece como uma correção dentro da recuperação iniciada em julho ou se o movimento pode ganhar maior profundidade.
(Rodrigo Paz é analista técnico)
Guias de análise técnica:
- O que é uma linha de tendência na análise gráfica?
- O que são médias móveis e como usá-la para estratégia de Trade
- Bandas de Bollinger: como usar e interpretar?
Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice.
The post Bitcoin testa os US$ 80 mil: correção ameaça a recuperação do BTC? appeared first on InfoMoney.