'Eu não sabia que tinha deficiência de vitamina D até desmaiar no trabalho'
- Author, Vicki Loader
- Role, Repórter de saúde
- Published Há 47 minutos
- Tempo de leitura: 5 min
Saskia Reeves-Priestley, de 23 anos, estava no trabalho quando desmaiou repentinamente. "Eu me senti muito tonta, com muita náusea, tive palpitações e senti muito calor", disse ela.
Saskia, professora de educação especial no , é uma goleira dedicada que jogava futebol quatro vezes por semana e se sentia em boa forma e saudável. Embora seus sintomas não estejam diretamente ligados à deficiência de , ela percebeu que algo estava errado.
Exames de sangue posteriores mostraram que seus níveis da vitamina estavam baixos — "praticamente zero".
No Reino Unido, os baixos níveis de vitamina D estão aumentando em algumas faixas etárias, principalmente em meninas e mulheres jovens.
Segundo dados do Inquérito Nacional sobre Dieta e Nutrição, no ano passado quase um quarto dos jovens entre os 11 e os 18 anos foram classificados como tendo deficiências nutricionais.
Mesmo o Brasil sendo um país de alta incidência solar, mais de 50% da população adulta no país apresenta níveis insuficientes ou deficientes de vitamina D, de acordo com dados de pesquisas da Fiocruz e de estudos clínicos.
A vitamina D pode ser obtida através da nossa alimentação, em alimentos como peixes gordos e carne, ou por meio de suplementos.
Mas a maior parte é produzida pelo nosso corpo quando a luz ultravioleta do sol atinge a pele. Níveis mais baixos de luz solar — dependendo de onde você mora ou da época do ano — diminuem a capacidade do corpo de produzi-la.
Cobrir partes do corpo e usar protetor solar também tem impacto, apesar de suas vantagens protetoras.
Pessoas com pele mais escura precisam de exposição à luz mais forte para produzir a mesma quantidade de vitamina D que pessoas com pele mais clara.
Um exame de sangue pode identificar uma deficiência de vitamina D, mas médicos também podem prescrever um suplemento se o paciente estiver preocupado com um possível alto risco.
Quais são os sintomas e o impacto que eles têm no dia a dia?
A deficiência de vitamina D está associada ao raquitismo, uma doença óssea presente em bebês e crianças pequenas. Em adultos, causa um enfraquecimento ósseo semelhante, chamado osteomalácia.
"Eles a chamam de doença silenciosa", diz a Dra. Suma Uday, endocrinologista pediátrica que deseja conscientizar as pessoas sobre o problema.
Ela alerta que a deficiência de vitamina D em jovens e adultos é difícil de detectar e pode passar despercebida ou ser diagnosticada erroneamente. Os sintomas incluem fadiga e dores nas articulações e nos ossos.
"Basicamente, está corroendo os ossos silenciosamente, deixando-os amolecidos e propensos a fraturas", diz Uday.
Amaka estava no meio do preparo do jantar em sua casa universitária em Liverpool quando começou a tremer.
"Eu mal conseguia enxergar o que estava à minha frente", diz ela. Sua colega de quarto a levou ao pronto-socorro — mais tarde, ela também seria diagnosticada com deficiência de vitamina D.
Além do cansaço, ela diz que não teve outros sintomas: "Sou uma estudante de 21 anos. Tenho trabalho e faculdade — estou sempre me sentindo cansada."
Ela se lembra de sua mãe sofrendo de deficiência de vitamina D, mas diz que não imaginava que isso pudesse acontecer com ela.
Após tomar os suplementos, Amaka se sente muito melhor, mas está ansiosa caso aconteça novamente. "Foi assustador e não quero passar por isso de novo."
Déficit ao longo da vida em meninas
Uday junta-se a outros médicos e acadêmicos que formaram um grupo — ACT NOW Vitamin D — que pede que o limite a partir do qual você é classificado como deficiente seja ampliado.
Ela afirma que isso "identificaria" mais pessoas com baixos níveis de vitamina D e proporcionaria uma visão mais precisa da extensão do problema. Também significaria que a deficiência poderia ser tratada mais cedo, acrescenta.
Uday alerta para um "déficit ao longo da vida" nas mulheres — na adolescência, depois na gravidez e, por fim, no recém-nascido.
"Se você não corrigir isso desde o início", diz ela, "isso afetará várias gerações."
"É chocante", diz o professor Martin Hewison, da Universidade de Birmingham. Ele diz que, apesar de terem se passado 100 anos desde a descoberta da vitamina D, "o raquitismo não desapareceu".
"Se tivermos raquitismo na comunidade, haverá muito mais pessoas com deficiência de vitamina D."
Ele afirma que o governo do Reino Unido deveria analisar a possibilidade de um maior enriquecimento dos alimentos, com a adição de vitaminas durante a produção. Países como o Canadá e a Suécia já possuem políticas obrigatórias para esse fim.
No Reino Unido, alguns alimentos, como cereais matinais, já são fortificados com vitamina D, mas isso é opcional.
Durante os meses de inverno, as pessoas começam a perder seus níveis de vitamina D.
"Talvez tenhamos que aceitar que, para certos grupos, a suplementação de vitamina D seja algo natural", diz Hewison.
Saskia agora toma suplementos de vitamina D regularmente e voltou a atingir seu objetivo.
- Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. (link para texto em inglês).