Inteligência espanhola denuncia que Marrocos sabia dos preparativos da invasão de Ceuta
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16/10/2026 às 22:58
- Dê de presente
A Espanha denuncia que o governo de Marrocos tinha ciência de que estava sendo preparada uma entrada em massa de migrantes no enclave espanhol de Ceuta, localizado no norte da África, nos dias 30 e 31 de julho, segundo um relatório do Centro Nacional de Inteligência da Espanha (CNI). A informação foi publicada pela agência EFE nesta sexta-feira (16).
O documento foi entregue à juíza María Tardón, da Audiência Nacional (tribunal superior). Ela investiga as circunstâncias da avalanche migratória sofrida pela cidade autônoma espanhola que tem fronteira com o território marroquino .
O relatório sobre a entrada de mais de 80 mil pessoas a nado e a pé no enclave afirma que as autoridades marroquinas conheciam "com detalhes" a existência de convocações em redes sociais, "com grande acompanhamento" por parte de seus usuários, que faziam apelos para que houvesse uma grande adesão, coincidindo com a Festa do Trono de Marrocos (feriado nacional em 30 de julho).
"Essas autoridades estavam plenamente conscientes de que esse fluxo iria ocorrer", aponta o CNI.
O documento diz também que, em relação ao conhecimento prévio da ameaça, além de um aviso feito pelo CNI, os serviços de inteligência e as forças policiais e de segurança marroquinos estavam "absolutamente conhecedores de que estava sendo gerada uma situação anômala em termos de possíveis tentativas de entradas irregulares" e de que havia "um relevante aumento na afluência de migrantes nos dias anteriores".
O relatório afirma que, em nível operacional, "não foi observada uma reação proativa por parte das autoridades marroquinas diante da perda de controle da situação", ou seja, a grande afluência de migrantes que queriam entrar em Ceuta a partir do país vizinho.
Marrocos conhecia "a extensão, dimensão, data e hora da possível entrada", segundo o documento.
Espanha alertou o serviço secreto do Marrocos
O relatório explica que o CNI enviou uma nota urgente no dia 29 de julho aos dois principais órgãos de inteligência de Marrocos, a DGED e a DGST, com informações sobre os grupos no Facebook e no WhatsApp que preparavam a entrada massiva, incluindo a hora prevista: 20h de 30 de julho.
"Considera-se que uma das razões dessa insuficiente mobilização se deve ao fato de as autoridades marroquinas terem decidido dar prioridade a garantir a segurança às celebrações da Festa do Trono na cidade marroquina de Rincón, já que o rei Mohamed VI lá estava presente".
Isso fez com que a chegada de imigrantes "de forma descontrolada" aos arredores de Ceuta "pudesse ser feita sem a oposição das forças de segurança marroquinas", de acordo com o relatório.
O serviço espanhol de inteligência informou que só começaram a ser aplicadas medidas mais contundentes, como detenções, transferências para o interior e uso de meios dissuasórios "quando já tinha ocorrido o pico de entradas por terra e mar a Ceuta".
De qualquer modo, foi possível constatar que, desde a tarde do dia 30, as forças marroquinas "retiveram preventivamente" grupos de migrantes subsaarianos nos montes da cidade de Fnideq para "bloquear" seu avanço.
Na prática, segundo o CNI, as autoridades marroquinas mostraram um envolvimento "muito irregular na prevenção e controle da crise".
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