Menopausa: a revolução na ciência que traz novas soluções para os sintomas
Se uma nave alienígena chegasse à Terra em busca de um único ser humano para estudar e entender a espécie, esse alguém deveria ser uma mulher depois da menopausa. É o que propôs a escritora americana Ursula K. Le Guin no ensaio Space Crone (“A Anciã Espacial”, em tradução livre), publicado há exatos 50 anos.
“Será muito difícil explicar a ela que queremos que ela vá, mas apenas uma pessoa que vivenciou, aceitou e agiu conforme a totalidade da condição humana — cuja qualidade essencial é a Mudança — pode representar a humanidade com justiça”, defendeu a autora.
No texto de 1976, Le Guin critica o descaso com o climatério à época — descaso com o período que transforma a capacidade da mulher de ter filhos naquela de “dar à luz a si mesma”.
“Poucos a ajudarão nesse parto. Certamente nenhum obstetra cronometrará suas contrações, lhe aplicará sedativos, ficará a postos com o fórceps e suturará com destreza as membranas rompidas. Essa gravidez é longa, esse trabalho de parto é árduo”, anota a escritora.
É certo que cada mulher irá viver a menopausa de forma bastante particular, mas nenhuma precisa encarar esse caminho hoje de forma tão árdua e solitária. As palavras de Le Guin e tantas outras ativistas da causa reverberaram ao longo das décadas, e, hoje, vemos profissionais de saúde, celebridades e comunicadoras trabalhando para subjugar os últimos tabus.
A menopausa está nas livrarias, entre as obras mais compradas e lidas; nos programas de TV; nas redes sociais. Nomes que sempre foram ícones de juventude e beleza, como as atrizes Cláudia Raia, Fernanda Lima e Flávia Alessandra, reafirmam esse posto agora na meia-idade, compartilhando com o público inclusive desafios que vão de ondas de calor a névoa mental.
Ninguém dirá que a passagem é tranquila. Mas a ciência tem estudado cada vez mais essa fase da vida para sanar dúvidas e necessidades de uma fatia da população que, segundo as projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS), vai somar 1,2 bilhão de pessoas até 2030. E as coisas já estão mudando…
“Nunca houve momento melhor para ser uma mulher na menopausa”, crava a ginecologista canadense Marla Shapiro, professora da Universidade de Toronto e uma das principais convidadas do 20º Congresso Mundial sobre Menopausa, recém-sediado no Rio de Janeiro.
O evento, organizado pela Sociedade Internacional de Menopausa (IMS), reuniu mais de 4 mil médicos de todos os cantos do planeta para discutir as melhores formas de aliviar incômodos, acolher experiências e melhorar o acesso aos tratamentos já existentes. Porque, sim, caríssima Ursula K. Le Guin, acreditamos que os terráqueos finalmente darão o devido valor a essas mulheres.
Nesta matéria você lerá sobre:
- Por que passamos pela menopausa?
- Sintomas da menopausa
- Mulheres merecem atenção médica
- Menopausa precoce
- O que diz o Ministério da Saúde
- Tratamento da menopausa
- Limitações no acesso
- Novos tratamentos não hormonais
- Fitoterápicos na menopausa
Por que passamos pela menopausa?
Entre um fogacho e outro, é inevitável se perguntar: “Por que eu preciso passar por isso?” A ciência ainda não sabe tão bem por que nós, ao contrário da maioria das espécies animais, perdemos a capacidade de reproduzir com o avanço da idade.
“A principal hipótese é a de que a menopausa seja uma adaptação evolutiva para poupar energia e recursos do organismo durante o processo de envelhecimento”, explica o ginecologista José Maria Soares Júnior, chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
A demanda, de fato, existe. Com o progresso da medicina, estamos vivendo mais, a ponto de hoje pelo menos um terço da expectativa de vida feminina ser vivido após a menopausa. O momento em que os ciclos menstruais ocorrem é influenciado por diversos fatores.
“Já nascemos com uma quantidade predeterminada de óvulos nos ovários, e eles vão sendo liberados ao longo da vida. E, quando chegamos à meia-idade, a reserva ovariana é reduzida drasticamente”, descreve a ginecologista Lúcia Helena da Costa Paiva, presidente da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
A falta progressiva de novos óvulos é um dos motivos por trás da queda progressiva dos hormônios sexuais, como o estrogênio e a progesterona, que ajudam a manter não apenas a fertilidade mas também o equilíbrio metabólico em todo o corpo.
E, aí, lá vêm os sintomas do climatério, o nome oficial do período que costuma durar de quatro a oito anos, mas pode se estender a até uma década de mudanças físicas e mentais.
Sintomas da menopausa
Sem exagero: as oscilações hormonais afetam do cérebro aos ossos. “O corpo tem receptores nas células que se ligam a esses hormônios, principalmente ao estrogênio, por todas as partes: nos músculos, na pele, nos vasos sanguíneos, no sistema digestivo, e por aí vai”, elenca o ginecologista Ivaldo da Silva, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A partir do momento em que a linha de montagem dessas nobres moléculas entra em greve natural, a carência se faz sentir e podem surgir as dezenas de sintomas da perimenopausa, o período que antecede a cessação dos ciclos menstruais.
“A mulher pode ter fogachos, insônia, queda de cabelo, ressecamento da pele e perda de lubrificação vaginal, assim como ficar mais exposta a problemas cardiovasculares”, diz Silva. Sim, a lista de manifestações é ampla, daí a necessidade de cada uma de nós ser avaliada individualmente — até para evitar que um suposto sintoma da menopausa não seja, na verdade, indício de qualquer outra doença.

Mulheres merecem atenção médica
Foi pensando nisso que o Einstein Hospital Israelita, em São Paulo, criou um protocolo de atendimento para menopausa que será instituído nas unidades privadas e públicas administradas pelo grupo.
“O objetivo principal é até mesmo preparar a mulher com antecedência para a transição hormonal, evitando que ela seja pega de surpresa”, conta a ginecologista Helena Hachul, que lidera a iniciativa.
“A consulta inicial deve fazer um rastreio minucioso dos sintomas, indo além de queixas como fogachos e menstruação irregular, e o atendimento ainda busca ajudar a mulher a se engajar em um estilo de vida mais saudável, que vai ser um pilar no tratamento, para além das medicações”, resume a médica.
Não é por menos que o climatério cobra, caso isso ainda não tenha sido feito, uma autêntica revisão do estilo de vida. Como anda a alimentação? E a prática de exercícios? E as noites de sono? Parou de beber e fumar? Ajustar esses rumos faz parte, inclusive, do plano de cuidado indicado pelas diretrizes médicas.
Só que esse acolhimento ainda é oferecido de forma desigual pelo Brasil, como documentou um painel do congresso mundial de menopausa.
“Mulheres negras, migrantes, LGBTQIA+ e com menor renda são as que mais sofrem com a falta de tratamento. São dez anos enfrentando sintomas vasomotores, como os fogachos, entre as pacientes negras, comparados a 6,5 anos entre brancas”, expõe Gustavo Maciel, ginecologista da USP que se apresentou no evento no Rio de Janeiro.
Menopausa precoce
Mas tem idade para começar a se preocupar com essa história toda? No país, as mulheres costumam ter as primeiras irregularidades nos ciclos menstruais, em média, aos 46 anos, e, aos 48, entram na menopausa em si, de acordo com um estudo com 1 500 brasileiras de 45 a 65 anos. São cerca de três anos a menos do que a média global.
“Muitas mulheres se chocam quando percebem que chegaram a essa fase”, conta Hachul. “Para umas, a notícia carrega o peso do envelhecimento. Para outras, esse período chega cedo demais, a ponto de colocar em xeque os planos de ter filhos.”
Esse é o caso de um número crescente de mulheres diagnosticadas com a insuficiência ovariana prematura (IOP), mais conhecida como menopausa precoce. Trata-se de uma condição na qual o corpo entra no climatério antes dos 40 anos, um processo que pode ocorrer naturalmente por uma série de fatores que só agora começam a ser descortinados pela ciência.
Segundo estimativas globais, 4% das mulheres entram prematuramente nessa fase por influência de aspectos genéticos e ambientais. Um dos destaques do congresso internacional de menopausa deste ano, inclusive, foram as novas diretrizes para o diagnóstico e o tratamento do quadro, baseadas nos estudos mais recentes.
No documento, publicado pela IMS em parceria com entidades médicas do mundo todo, os autores destacam a influência de mais de 100 genes no adiantamento da menopausa. Histórico familiar, baixo índice de massa corporal (IMC), tabagismo e consumo exacerbado de bebida alcoólica também contribuem para o desfecho.
Condições como a síndrome ovariana metabólica poliendócrina (Somp) — como agora é chamada a síndrome do ovário policístico — e certas doenças autoimunes também estão mais associadas à menopausa precoce.
As mudanças de humor são os sintomas mais relatados pelas jovens com o diagnóstico: sete a cada dez passam por irritação, melancolia e névoa mental. A irregularidade menstrual sempre merece ser investigada — e a agilidade no diagnóstico é essencial para iniciar o tratamento e prevenir problemas relacionados à queda do estrogênio. Pensando nisso, as novas diretrizes facilitaram o caminho.
“Antigamente, era necessário realizar várias dosagens repetidas do hormônio folículo-estimulante, o FSH. Com a atualização, basta uma única dosagem de FSH com valor acima de 25 U/L para selar o diagnóstico, desde que a paciente apresente irregularidade ou ausência de menstruação por pelo menos quatro meses consecutivos”, explica Sérgio Conti Ribeiro, ginecologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Além daquelas que encaram a menopausa antes da hora por razões genéticas ou ambientais, há quem se veja abruptamente sem os hormônios devido a tratamentos contra o câncer ou à remoção cirúrgica dos ovários por outros problemas de saúde.
“É a menopausa precoce secundária, que vem com outros desafios. Em alguns casos, a mulher deve passar por um bloqueio hormonal para evitar a recidiva de tumores que crescem em contato com estrogênio ou progesterona. Mas esses quadros podem ser transitórios, e a mulher ainda realizar o sonho de ser mãe”, detalha o médico.
Hoje, a mulher com IOP pode recuperar sua capacidade reprodutiva e se safar dos riscos associados ao declínio dos hormônios.
As principais opções de tratamento são a terapia de reposição hormonal, que, em geral, é mantida até cerca de 50 anos, idade em que a paciente passaria naturalmente por essa transição, e métodos de fertilização in vitro caso queira engravidar.
Mas, de novo, escapar dos percalços exige acesso a médicos e tratamentos.

O que diz o Ministério da Saúde
Num país grande como o nosso, que tanto depende do SUS, essa assistência faz diferença a quem entrou mais cedo ou mais tarde na menopausa — em outras palavras, a toda cidadã que envelhece.
É por isso que o próprio Ministério da Saúde teve de se mobilizar nessa pauta. “Nós estamos trabalhando na criação de um protocolo para o cuidado na menopausa”, diz o sanitarista Adriano Massuda, secretário-executivo da pasta. “As equipes estão sendo treinadas e capacitadas para acolher essas mulheres e garantir a elas a atenção integral.”
Apesar do anúncio, ainda não foram divulgadas datas concretas para a efetivação dessas ações.
Tratamento da menopausa
A menopausa não é uma doença. Ponto. Mas, como já ficou claro até aqui, é um processo natural e inevitável que pode resultar em sintomas e desconfortos. E a medicina está se sofisticando nas formas de contê-los.
O principal meio de minimizar o impacto do bungee jump hormonal e da montanha-russa metabólica é a terapia de reposição hormonal (TRH), hoje amplamente indicada e considerada segura para a maioria das mulheres. O esquema, no geral, mira na dupla de hormônios que acompanha as mulheres durante toda a vida — e debandou.
“O estrogênio é o hormônio central do tratamento, pois ele atua em receptores distribuídos por todo o corpo”, ressalta Silva. “Já a progesterona protege o endométrio, impedindo o espessamento anormal da parede uterina e o risco de câncer ligados à ação isolada do estrogênio”, completa o professor da Unifesp.
Para a maioria de nós, os benefícios do uso desse par de hormônios supera em muito os supostos perigos. Mas por que ainda há tanta mulher com o pé atrás em relação a isso?
O estigma surgiu nos anos 2000 após a publicação de um estudo americano que integra a Women’s Health Initiative. O projeto acompanhou, entre 1993 e 1998, mais de 160 mil mulheres na pós-menopausa com 50 a 79 anos.
Uma das conclusões foi a de que a TRH poderia aumentar o risco de trombrose, acidente vascular cerebral (AVC), doenças cardiovasculares e câncer de mama. O trabalho, contudo, continha sérios problemas de interpretação, e uma revisão depois mostrou que apenas um grupo específico de pacientes teria essa contraindicação.
“Sabemos que há uma janela de oportunidade para o tratamento hormonal de até dez anos após a menopausa, ou seja, até uma década depois de parar a menstruação”, esclarece Lúcia Helena Paiva. “São essas pacientes que respondem melhor ao tratamento, diminuindo drasticamente os sintomas e com o menor risco de complicações relacionadas à reposição”, afirma a representante da Febrasgo.
É por isso que o histórico da paciente precisa ser devidamente avaliado antes de se iniciar a terapia — e ela deve ser reavaliada de tempos em tempos. Até porque existem formas e formas de recorrer aos hormônios.
Uma maneira bem-sucedida de minimizar problemas relacionados à reposição é optando pela via transdérmica, ou seja, por meio de adesivos, géis e sprays diretamente na pele ou na mucosa vaginal.
“Dessa forma, o hormônio é absorvido pelo tecido subcutâneo e liberado de forma gradual para a corrente sanguínea, garantindo níveis hormonais constantes e evitando picos de dosagem comuns aos comprimidos”, explica Silva.
O método é tão seguro que cientistas estão expandindo os formatos da via transdérmica. Ainda neste semestre, a farmacêutica Libbs deve lançar no Brasil o Lyra, estradiol de baixa dosagem para o tratamento da síndrome geniturinária da menopausa, em formato de comprimido que rapidamente se dissolve na vagina.
“Essa nova forma evita a sensação de ter um gel ou creme escorrendo na roupa íntima, o que aumenta a adesão ao tratamento”, afirma a ginecologista Thalita Russo Domenich, consultora do laboratório nacional.
Outro diferencial é que, sendo aplicados na pele, os hormônios não são processados pelo fígado, como acontece quando a terapia é feita via oral.
“Ao tomar os hormônios em comprimidos, eles seguem pelo trato digestivo e são absorvidos em alta concentração pelo órgão, que passa a produzir em maior número algumas proteínas, como os fatores de coagulação que tornam o sangue mais viscoso e facilitam a formação de trombos”, descreve Soares.
Um estudo dinamarquês recém-publicado no The BMJ corrobora o raciocínio do professor da USP. Ele constatou que a TRH oral está associada a uma maior propensão a trombos nas pernas e nos pulmões, a despeito da dose e da duração do tratamento, e, na contramão, não foi observado nenhum aumento de risco entre as mulheres que fizeram uso transdérmico.

Limitações no acesso
Um problema, porém, é que a distribuição da TRH, seja qual for o seu formato, é extremamente limitada no SUS. “Como o custo de um único medicamento pode ultrapassar R$ 200 por mês, o uso se torna inviável para boa parcela das mulheres no país”, observa Silva.
Ao contrário do que muita gente ainda pensa, no final das contas as contraindicações para a TRH são bastante restritas.
“Levamos em conta o histórico da paciente: aquelas que já tiveram câncer dependente de hormônios, trombose, embolia pulmonar, infarto, AVC ou têm sangramento uterino inexplicado e doença hepática grave são as que não podem realizar o tratamento”, esclarece Soares.
Novos tratamentos não hormonais
Felizmente, é para elas — e aquelas que não querem tomar hormônios por princípio ou precaução — que a ciência vem oferecer alternativas tanto para alivar os fogachos como melhorar o sono.
“Nós costumamos focar muito no sistema reprodutor, mas é preciso olhar também para o sistema nervoso. O hipotálamo, uma pequena região na base do nosso cérebro, é quem controla a produção de hormônios sexuais e também está ligado a outras funções desreguladas no climatério”, diz a ginecologista Thaís Ushikusa, diretora de Assuntos Médicos da farmacêutica Astellas no Brasil.
A empresa de origem japonesa é a primeira a ter aprovado no país um medicamento de uma nova classe farmacológica para o tratamento de ondas de calor na menopausa. Trata-se do fezolinetanto, comercializado já em mais de 50 países sob o nome de Veoza.
No mediquês, ele é classificado como um antagonista do receptor de neurocinina 3 (NK3). Em bom português, é um remédio não hormonal que atua diretamente em células do hipotálamo, o termostato do nosso corpo.
Ao longo da vida reprodutiva da mulher, o estrogênio ajuda a regular neurônios chamados KNDy (pronuncia-se candy, como “doce”, em inglês), que se ligam aos receptores de um neurotransmissor para regular a percepção sobre a temperatura. Com a queda do estrogênio no climatério, essas células ficam hiperativas, formando mais ligações, o que aumenta nossa sensação de calor e a produção de suor.
Na reposição hormonal, o estrogênio reequilibra esse sistema. Já com os antagonistas de neurocinina, o medicamento bloqueia os receptores do hipotálamo, evitando os descompassos à flor da pele. Assim, os episódios de fogachos são reduzidos em até 80% após 12 semanas de uso.
Em junho deste ano, o remédio foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e atualmente está sendo analisado pelo órgão que define o preço nas farmácias brasileiras.
Na prática, ele poderá ser tomado tanto por mulheres que não podem fazer a TRH quanto por aquelas que apenas preferem não usar hormônios. Além dessa molécula, outra já aprovada nos EUA e na Europa e aguardando aval no Brasil é o elinzanetanto. Um diferencial do produto, criado pela alemã Bayer, é que ele se liga a dois receptores da neurocinina.
“O medicamento age diretamente na origem dos sintomas vasomotores relacionados à via da neurocinina 3 e das alterações do sono relacionadas à neurocinina 1”, destrincha Rodrigo Mirisola, gerente médico de Saúde Feminina da farmacêutica no país. “Bloquear essas duas vias faz com que consigamos acalmar esses neurônios e evitemos respostas exageradas do sistema nervoso no climatério.”
Fitoterápicos na menopausa
Enquanto essa nova geração de fármacos não debuta na farmácia, especialistas prescrevem uma dose de cautela diante de fitoterápicos e outras fórmulas ditas naturais para os sintomas da menopausa.
“Alguns deles também interagem com receptores de estrogênio, não sendo indicados a mulheres que não podem fazer reposição hormonal”, afirma Ana Flávia Marçal Pessoa, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.
Entre os fitoterápicos mais conhecidos por seus efeitos nessa fase estão aqueles que possuem fitoestrogênios, estruturas químicas semelhantes ao estrogênio, que até se ligam aos receptores hormonais, mas não têm um impacto tão pungente quanto às versões sintéticas da TRH.
“A principal função deles é exercer uma ação anti-inflamatória e antioxidante”, explica a farmacêutica. “É como se eles ‘limpassem a casa’ para que o estrogênio remanescente do corpo ou da reposição hormonal atue de forma mais eficaz.”
Embora derivem de séculos de conhecimento tradicional, essas soluções ainda carecem de estudos robustos. A ciência, quem diria, ficou do lado da mulher na menopausa.
E já não será preciso esperar os aliens imaginados pela escritora Ursula K. Le Guin para entender e remediar as dores dessa ilustre representante da nossa espécie.

Texto: Larissa Beani | Design: Letícia Raposo/Estúdio Coral | Ilustração: Priscila Barbosa