Irmã que denunciou puff milionário acusa delegada de violência psicológica
São Paulo — A irmã da delegada Maria Corsato, que afirmou ter encontrado mais de R$ 1 milhão em espécie escondidos dentro de um móvel da agente, registrou um boletim de ocorrência contra Maria por suposta violência psicológica contra a mulher. Leia também São PauloPuff com R$ 1,8 milhão: delegada é conhecida por ataques públicos a Deolane Fábia OliveiraIrmã de Deolane fala sobre investigação contra delegada Maria Corsato São PauloCandidata, delegada escondeu puff com R$ 1,8 milhão a 4 dias da eleição São PauloDelegada diz que R$ 1,8 milhão encontrados em puff são “herança de tia” Segundo relatado no documento, ao qual o Metrópoles teve acesso, Marise Rezende Corsato Braga afirmou ter sido procurada por Alberta De Luca Tesei, amiga das irmãs, a qual disse que estaria sendo requisitada pela imprensa em busca de mais informações sobre o caso e ressaltou que a própria Marise seria alvo de investigação policial. Na sequência, Alberta teria pedido que ela tomasse cuidado com o que iria dizer à polícia.14 imagensFechar modal.1 de 14Delegada Maria Corsato, que foi candidata a deputada estadual em SPReprodução/ Facebook2 de 14Detalhes de puff de delegada de SP em que foram encontrados mais de R$ 1 milhãoReprodução3 de 14Quantia milionária encontrada em puff de delegadaDivulgação/Polícia Civil4 de 14Quantia milionária encontrada em puff de delegadaDivulgação/Polícia Civil5 de 14Quantia milionária encontrada em puff de delegadaDivulgação/Polícia Civil6 de 14Quantia milionária encontrada em puff de delegadaDivulgação/Polícia Civil7 de 14Quantia milionária encontrada em puff de delegadaReprodução/Redes sociais8 de 14Quantia milionária encontrada em puff de delegadaDivulgação/Polícia Civil9 de 14Quantia milionária encontrada em puff de delegadaReprodução/Redes sociais10 de 14Delegada Maria Corsato, que foi candidata a deputada estadual em SPReprodução/Instagram11 de 14Delegada Maria Corsato, que foi candidata a deputada estadual em SPReprodução/ Facebook12 de 14Delegada Maria Corsato, que foi candidata a deputada estadual em SPReprodução/Instagram13 de 14Delegada Maria Corsato, que foi candidata a deputada estadual em SPReprodução/Instagram14 de 14Delegada Maria Corsato, que foi candidata a deputada estadual em SPReprodução/InstagramMarise entendeu essas declarações de Alberta como uma violência psicológica e então ressaltou às autoridades que sua irmã sabe que ela tem “medo profundo da polícia” e “conhece bem sua condição de fragilidade psicológica”, já que faz acompanhamento psiquiátrico periódico para tratamento de transtorno de ansiedade e depressão.Marise também afirmou que a irmã sabe manipulá-la “por meios indiretos”, o que lhe causa dano emocional e assim consegue controlar ações e comportamento.O Metrópoles entrou em contato com a defesa da delegada Maria Corsato, mas não obteve resposta até o momento. O espaço segue aberto.Sem sair de casaO boletim também registra que desde quando recebeu a mensagem de Alberta, Marise não tem saído de casa, inclusive ficando sem votar nas eleições. A irmã diz que a delegada não fez contato direto com ela e nem a ameaçou diretamente, mas diz temer por sua integridade física, principalmente porque a irmã “possui arma de fogo”.Marise também afirma que Maria expôs indevidamente a condição psicológica íntima dela ao afirmar em uma nota publicada nas redes sociais que “ela enfrenta problemas relacionados à dependência do álcool e à fragilidade emocional” e “Conheceu seu histórico de atitudes impulsivas, muitas vezes seguidas de arrependimento (…)”.Diante disso, a irmã da delegada relatou que, além do constrangimento causado pela mensagem transmitida indiretamente por meio de Alberta, no sentido de que ela também seria investigada, sentiu-se “humilhada e constrangida” pela publicação feita por Maria nas redes sociais.Dinheiro em puff de delegadaA irmã da delegada Maria Corsato acionou a Polícia Militar (PM) após supostamente ter encontrado notas de dinheiro dentro de um puff que foi entregue pela oficial.O caso é investigado pela Corregedoria da Polícia Civil.Segundo o relato, a irmã recebeu da delegada um puff no dia 30 de setembro, quatro dias antes do primeiro turno das eleições — Maria Corsato foi candidata a deputada estadual pelo União, mas acabou não sendo eleita.Ao entregar o móvel, Maria Corsato disse que estaria “sendo procurada devido a uma suposta ordem de busca e apreensão”, conforme o boletim de ocorrência.Nesse sábado (24/10), a irmã decidiu abrir o móvel com uma faca, quando teria encontrado, dentro do puff, notas de dinheiro e papéis com anotações. Ela, então, decidiu ligar para a polícia, que foi até o endereço e apreendeu os objetos.O boletim também indica que a equipe policial tentou localizar a delegada na residência dela, mas o porteiro do prédio informou que ela não estava.Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou procedimentos para investigar a origem dos valores apreendidos e apurar eventual responsabilidade criminal e administrativa da delegada. A Polícia Militar foi acionada pela proprietária do imóvel, irmã da delegada, após encontrar o dinheiro no interior de um móvel.“Os valores e as anotações encontrados foram apreendidos, e o dinheiro será encaminhado para depósito judicial. A apuração inclui a oitiva da denunciante e a realização das perícias cabíveis. Até o registro da ocorrência, a delegada não havia sido localizada para prestar esclarecimentos”, informou a SSP.O caso foi registrado como lavagem de dinheiro, irregularidades funcionais e apreensão de bens.Delegada diz que R$ 1,8 milhão encontrados em puff são “herança de tia”A delegada Maria Corsato afirmou que o dinheiro é de uma herança ainda não partilhada e declarada. Conforme publicado pelo Metrópoles, a irmã da delegada chamou a polícia após alegar ter encontrado as cédulas escondidas no móvel.As cédulas teriam sido encontradas na casa de uma tia em 2023. Segundo o advogado de Maria Corsato, a delegada e a irmã estavam “pensando como iam fazer para regularizar o dinheiro”, mas “não houve tempo” para declarar a quantia porque a irmã agiu durante um “surto”.Nas redes sociais, Maria Corsato afirmou que a denúncia da irmã foi motivada por um desentendimento entre ambas. “O episódio ocorreu alguns dias após ela ter ido ao local de trabalho do meu cunhado e provocado um escândalo. Como fiquei ao lado dele, ela se desentendeu comigo”, escreveu.A delegada também citou outro caso, de 2008. Na ocasião, a Corsato teria avisado que chegaria mais tarde do trabalho e, em reação, a irmã teria registrado um boletim de ocorrência na Corregedoria, alegando abandono.