Megaiate de 30 metros e valor acima de R$ 90 milhões será produzido no Brasil
Um megaiate de 30 metros de comprimento, avaliado em mais de R$ 90 milhões, começou a ser construído em Itajaí, no litoral norte de Santa Catarina. A embarcação será a primeira unidade do modelo Grande 30 Metri produzida pela fabricante italiana Azimut Yachts no Brasil e tem entrega prevista para 2028, segundo a companhia.
A construção integra um plano de investimentos de R$ 120 milhões na operação brasileira. O projeto prevê ampliar o parque fabril para 65 mil metros quadrados, incorporar novas tecnologias e preparar o estaleiro para a produção seriada de embarcações de maior porte. A empresa pretende elevar o quadro de funcionários de 650 para cerca de 800.
Com mais de 300 metros quadrados de área útil equivalente, segundo a fabricante, o modelo terá um terraço superior integrado aos espaços de convivência e soluções para conectar os ambientes internos à popa e ao mar. A produção acrescenta novas exigências de engenharia, montagem e acabamento à fábrica catarinense, única unidade própria da marca fora da Itália.
“O início da construção da Grande 30 Metri é um marco para a nossa operação no Brasil porque traduz, na prática, uma decisão de longo prazo do grupo de ampliar capacidade, tecnologia e conhecimento industrial no país”, afirma o diretor-executivo da Azimut Yachts Brasil, Carlo Alberto Sisto.
Megaiate combina projeto italiano e produção brasileira
O Grande 30 Metri terá fibra de carbono em partes da superestrutura, a porção da embarcação acima do casco. Segundo a Azimut, a tecnologia reduz o peso na região superior e ajuda a baixar o centro de gravidade.
A solução permite trabalhar com volumes maiores no projeto sem comprometer a estabilidade e o desempenho. O desenho exterior é assinado pelo italiano Alberto Mancini, enquanto os interiores foram desenvolvidos pelo estúdio milanês m2atelier, com curadoria da Yachtique.
Projeto do megaiate prevê integração entre os ambientes internos, a popa e o mar, com espaços voltados à convivência a bordo
Conforme a fabricante, a proposta privilegia luz natural, linhas orgânicas e continuidade visual entre os espaços internos e externos. A execução do projeto demanda desenvolvimento de fornecedores e qualificação dos profissionais envolvidos na construção.
“Estamos falando de um projeto de alta complexidade, que exige preparação da fábrica, desenvolvimento de fornecedores e qualificação de pessoas”, afirma o diretor-executivo da Azimut Yachts Brasil. Todo o processo começa muito antes de o iate chegar à água.
Do luxo à cadeia de empregos da economia do mar
O investimento se insere em uma cadeia econômica que vai além da fabricação de iates. Em Santa Catarina, atividades ligadas ao uso produtivo do mar, como pesca, aquicultura, construção naval, transporte marítimo, turismo e serviços de apoio, reúnem cerca de 250 mil trabalhadores, equivalentes a 8,5% do emprego formal estadual, segundo levantamento da Secretaria de Estado do Planejamento.
Itajaí está entre os municípios com maior contingente de trabalhadores nessas atividades. A cidade liderou as exportações brasileiras de embarcações de lazer e esporte entre janeiro e abril de 2026, com US$ 4,3 milhões, conforme dados do Comex Stat. Em 2025, havia encerrado o ano em segundo lugar, com US$ 18,4 milhões.
Dentro do estaleiro, a produção mobiliza profissionais de diferentes especialidades. Sisto compara a construção de um iate à de uma casa que flutua, apontando que “tudo o que existe em uma casa, como marcenaria, elétrica, hidráulica, acabamentos, existe em um barco, com o desafio adicional da flutuação e da exigência técnica”.
Segundo o diretor-executivo, a formação dessa mão de obra integra a estratégia da operação brasileira, que mantém centros de treinamento dentro do estaleiro em Itajaí. “Estamos formando carreiras específicas no segmento náutico”, apontou ele.
Setor cobra marinas preparadas para barcos maiores
A ampliação da capacidade de construir iates traz outra exigência: infraestrutura para receber e manter embarcações maiores depois que elas deixam o estaleiro. A Azimut aponta esse descompasso como um obstáculo ao avanço do mercado.
“Não é só consumo de luxo: há clientes olhando para charter — serviço de locação de embarcações —, turismo e experiências mas, sem marinas preparadas para receber embarcações de 27 ou 30 metros, esse ciclo de investimento fica travado”, afirmou o diretor-comercial da empresa, Roy Capasso.
A estrutura necessária não se resume às vagas de atracação. Ela inclui equipamentos para retirar os barcos da água, manutenção e serviços de pós-venda. “É fundamental investir em infraestrutura náutica, não apenas marinas bonitas, mas marinas com capacidade para levantar barcos de até 200 toneladas, com pós-venda, manutenção e serviços completos”, apontou Sisto.