Ministro da Fazenda critica temor do mercado após reeleição de Lula

3 de Nov de 2026 - 12:20
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Ministro da Fazenda critica temor do mercado após reeleição de Lula

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, questionou nesta terça-feira (3) o temor dos investidores em relação à política econômica do próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, as conversas com o petista sobre os rumos da economia não justificam a preocupação do mercado financeiro após a reeleição.

Durigan afirmou que o governo pretende promover um ajuste fiscal gradual, preservar os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral e melhorar as contas públicas.

“Nas agendas comigo, nós não estamos tratando de nada que justifique ao mercado ter uma posição de medo. Nós estamos tratando de um ajuste gradual que respeite os compromissos de campanha, que seja justo em relação aos mais pobres, em relação à progressividade que é necessária ser buscada no nosso sistema”, declarou Durigan a jornalistas.

O ministro também afirmou que o governo precisa conciliar a melhora dos indicadores fiscais com a manutenção de políticas sociais.

“Esse é um grande desafio. Nós vamos ter que achar o caminho para fazer essas duas coisas sem procurar uma narrativa fácil”, acrescentou.

Reeleição de Lula amplia incertezas sobre política econômica

A declaração ocorre em meio à reação negativa do mercado financeiro à reeleição de Lula, anunciada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 25 de outubro.

A vitória do petista provocou forte desvalorização dos ativos brasileiros e ampliou as preocupações dos investidores com a condução da política econômica no próximo mandato.

O episódio também ocorre após a repercussão de uma proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para alterar a condução das políticas fiscal e monetária.

A ideia prevê a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional e uma redução gradual da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 13,75% ao ano, para aproximadamente 7,5% em 12 meses.

A possibilidade de Lula discutir a proposta com o economista provocou apreensão entre investidores.

Durigan negou que o presidente tenha uma reunião marcada com Lara Resende e afirmou que a ideia ainda não representa uma proposta em avaliação pelo governo.

O ministro disse enxergar “várias deficiências” na formulação do economista.

Ministro promete melhorar contas públicas sem retirar direitos

Durigan afirmou que o governo ainda não concluiu a elaboração das medidas de ajuste fiscal para o próximo mandato.

Segundo ele, a equipe econômica trabalha na revisão de políticas públicas para melhorar a aplicação dos recursos, sem retirar direitos da população.

“Vamos melhorar o resultado primário, como nós fizemos de 2023 para cá, fazendo com rigor a avaliação das políticas públicas já existentes, não para tirar direitos, mas para garantir que o dinheiro público seja bem aplicado e olhar para os investimentos estratégicos do país”, declarou.

O ministro reconheceu que o governo precisa encontrar uma solução para conciliar a responsabilidade fiscal com os compromissos sociais assumidos por Lula durante a campanha. Ele não apresentou, contudo, um cronograma para anunciar as medidas.

Contas públicas pressionam mercado e ampliam desconfiança dos investidores

A preocupação dos investidores tem como pano de fundo a situação das contas públicas.

Reportagem da Gazeta do Povo mostrou que mais de 90% do Orçamento federal de 2027 está comprometido com despesas obrigatórias. A dívida bruta alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, segundo dados do Banco Central.

A reação dos mercados à reeleição de Lula evidenciou a desconfiança sobre a capacidade do próximo governo de conter o endividamento.

No primeiro pregão após o resultado eleitoral, em 26 de outubro, o Ibovespa recuou 13,88%, enquanto o dólar ultrapassou R$ 5,60 durante as negociações.

Na semana seguinte, a Bolsa acumulou perda de 18,12%, o pior desempenho desde março de 2020.

Na avaliação de investidores e analistas ouvidos pela Gazeta do Povo, o próximo mandato exigirá mudanças estruturais nas despesas públicas para estabilizar a dívida.

Entre as alternativas discutidas estão a revisão de regras de benefícios sociais e aposentadorias, a redução de despesas administrativas e mudanças na distribuição de recursos do Orçamento.