A vida dupla de homem acusado de drogar e estuprar esposa com estranhos

3 de Nov de 2026 - 12:50
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A vida dupla de homem acusado de drogar e estuprar esposa com estranhos
    • Author, Jonny Humphries
    • Role, BBC News
    • Reporting from, Manchester, Inglaterra
  • Published Há 20 minutos
  • Tempo de leitura: 7 min

Importante: esta reportagem contém detalhes que podem ser perturbadores para alguns leitores.

Uma mulher que acreditava não ter tido sexo por nove anos, na verdade, era regularmente pelo seu próprio marido e por um grupo de estranhos "cuja depravação não conhecia fronteiras", segundo revelações que vieram à tona em um julgamento na .

Seu marido levava uma "vida dupla", segundo os promotores. Ele oferecia regularmente à sua esposa um "coquetel entorpecedor" de drogas para que ela "desconhecesses totalmente" o abuso.

Ele e quatro homens já se declararam culpados de uma série de crimes, mas o julgamento de outros nove réus, que negam todas as acusações, começou em um tribunal em Manchester, na Inglaterra.

Na abertura do caso, a representante da promotoria, Louise Oakley, declarou que a esposa era "feliz", mas que "a vida que ela conhecia terminou quando a polícia bateu à porta de sua casa".

Antes da abertura do processo, o juiz, Maurice Greene, alertou os jurados para que se preparassem para se confrontar com evidências que poderiam provocar sentimentos de "perturbação e raiva".

Logo na abertura do caso, foram exibidos vídeos da mulher, na casa dos 60 anos, sendo estuprada e abusada sexualmente enquanto estava inconsciente, segundo a promotoria.

Oakley disse ao júri que o marido e a vítima tinham a aparência de um casal que aguardava ansiosamente a aposentadoria, que "levava vidas movimentadas, usufruía da sua casa e do jardim, se socializava com a família e os amigos e passava férias no exterior — tudo, sempre juntos".

Mas a promotora afirmou que o marido, também na casa dos 60 anos (seu nome não pode ser divulgado para proteger o direito da esposa ao anonimato), compartilhava vídeos e imagens online desde 2004, mostrando a si próprio estuprando e abusando da sua esposa inconsciente na casa da família, na área de Stockport (região metropolitana de Manchester).

"Você pode achar difícil imaginar como esses abusos poderiam se agravar ainda mais, mas aconteceu", declarou ela ao tribunal.

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A promotora afirmou que o marido planejava havia anos convidar homens para irem à sua casa estuprar sua esposa, mas que só pôs a ideia em prática em 2023.

Os homens, segundo a promotoria, "sabiam muito bem que ela não estava consciente e é por isso que eles estavam ali, para usar seu corpo enquanto ela não tinha consciência".

Segundo Oakley, a polícia confiscou o telefone celular do marido, que continha seus "segredos mais sombrios" e suas "brutais fantasias sexuais".

Os investigadores encontraram ali mais de um milhão de fotografias e vídeos "catalogando" os abusos do marido. Oakley afirma que os arquivos forneceram à polícia "quase que um roteiro" dos abusos do marido e dos nove homens sendo julgados.

"Sua depravação parece não ter tido fronteiras", segundo ela.

"Eles também viviam vidas duplas. Seja entrando e saindo [da residência do casal], nas horas noturnas, silenciosa e cuidadosamente para que não fossem vistos nem ouvidos, ou se escondendo atrás das telas dos seus computadores ou telefones celulares, acreditando, sem dúvida, que estavam em segurança."

O júri ouviu os réus, incluindo "agressores que tiveram contato físico com a vítima", como o paramédico Jonathan Kirk, de 43 anos; o motorista de táxi Philip Wild, de 59; o técnico de futebol amador Alan Keelan, de 42; o funcionário de uma agência de recursos humanos Mohammed Sabir, de 28; Jordan Wallace, de 31, que trabalhava para uma empresa de materiais de construção; o montador de chapas metálicas Richard Townsend, de 37; e o aposentado Robert Stewart, de 70 anos.

Outros dois réus, Daniel Rayner e David Graves, foram descritos como agressores "sem contato". Eles não visitaram a casa da vítima, mas são acusados de terem incentivado os abusos ou ajudado de outras formas.

Oakley alertou o júri de que a defesa poderia fazer referências a práticas sexuais não convencionais, como "troca de casais" e "fetiches do sono", ou que as imagens seriam "posadas e que [a vítima], na verdade, está simplesmente fingindo estar dormindo ou inconsciente, como parte de uma fantasia com seu marido."

"O que estes homens fizeram não foi participação em práticas sexuais não convencionais, mas consensuais. Foi estupro e abuso sexual, puro e simples", afirmou a promotora.

Oakley mencionou como exemplo uma mensagem de um dos réus, o aposentado Robert Stewart, para o marido, enviada horas depois de ter supostamente estuprado a vítima, em setembro de 2025.

"Cara, fiquei com uma sensação ruim sobre aquilo o dia todo", leu a promotora. "Apague todas as imagens do seu telefone etc., pois é perigoso demais. Lembre-se do que aconteceu com o cara na França."

"Me exclua do seu telefone e da sua vida. Se ela descobrir, será um grande problema e o fim do seu casamento, arruinará sua vida."

"Como vocês certamente se lembrarão, 'o cara na França' estuprava sua esposa, uma senhora chamada ", declarou Oakley ao júri, fazendo referência ao famoso caso da mulher que foi estuprada sistematicamente por dezenas de homens após ser drogada pelo marido.

'Doente e pervertido'

A promotoria informou ao júri que, depois de se declarar culpado, o marido havia fornecido um relato das suas ações e compareceria como testemunha.

Ele contou aos promotores ter começado a abusar da sua esposa no início dos anos 2000.

Inicialmente, ele se recordava de abusar dela quando a esposa estava inconsciente e guardar as imagens "para si próprio". Mas logo começou a compartilhar as imagens em salas de bate-papo na internet com outros homens "com pensamentos similares".

Oakley afirmou que, "em uma mudança doente e pervertida", ele, às vezes, fingia ser sua esposa em conversas online, mas declarou ter abandonado esta prática logo "no princípio".

O júri foi informado que as investigações sobre o abuso começaram depois que uma equipe de jornalistas investigativos disfarçados se infiltrou em um canal no serviço de mensagens criptografado , em outubro de 2025.

Ao que parece, os participantes do canal eram homens que compartilhavam imagens de mulheres aparentemente inconscientes sendo estupradas e abusadas sexualmente.

Um usuário específico, segundo Oakley, afirmava ter drogado e estuprado sua esposa, convidando outros homens a participar. Ele também compartilhava imagens da mulher.

O usuário foi relacionado a um número de celular registrado em nome do marido, o que permitiu à polícia da região metropolitana de Manchester obter uma ordem de busca no seu endereço.

Oakley afirmou que, quando o conteúdo do celular foi baixado, foi encontrado material em uma pasta segura intitulada "visitas". Ela também continha aplicativos de mensagens utilizados para entrar em contato com outros réus.

A promotora declarou que o júri só veria uma seleção dos arquivos, mas que a polícia havia analisado cada um deles.

O marido se declarou culpado de 62 delitos, incluindo estupro, administração de substância de forma intencional, compartilhamento de imagens íntimas e abuso por penetração.

Keith Fotheringham, de 59 anos, de Dundee, na Escócia; Sean Peers, de 38, de Stockport; Graham Brougham, de 74, de Northwich, na Inglaterra; e Karl Lindsay, de 55 anos, de Taunton, também na Inglaterra, se declararam culpados de diversos crimes.

O julgamento ainda está em andamento.