Não temos leis que resolvam a falta de quórum no STF, diz especialista

19 de Set de 2026 - 04:20
 0  0
Não temos leis que resolvam a falta de quórum no STF, diz especialista

O STF (Supremo Tribunal Federal) pode enfrentar uma crise institucional sem precedentes caso o número de ministros impedidos ou investigados aumente. É o que alerta Fauzi Choukr, advogado doutor em processo penal da USP, em entrevista ao WW.

Segundo ele, não existe atualmente nenhuma norma legal que preveja a reposição de ministros em caso de deficiência de quórum na Corte.

O quórum mínimo do STF para funcionar é de seis ministros, em casos que não envolvam questões constitucionais. Contudo, com os ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques já fora do cenário, qualquer novo impedimento pode paralisar o tribunal.

Investigação de Mendonça e Moraes agravaria a crise

Fauzi Choukr destacou que, se André Mendonça e Alexandre de Moraes vierem a ser investigados, o STF ficará sem quórum algum. “Se dois ministros forem investigados, Mendonça e Alexandre de Moraes, aí nós não teremos quórum algum”, afirmou.

O especialista ressaltou que, numa investigação contra eles, medidas de caráter constitucional precisariam ser tomadas, e não haveria ministros suficientes para deliberar. “E não há lei que preveja isso hoje”, completou.

Ausência de norma legal é o principal obstáculo

De acordo com Choukr, o cenário que se desenha é justamente o da ausência de uma norma legal que venha a reger a matéria. Ele explicou que já existiu no passado uma previsão para esse tipo de situação, mas que ela não está mais em vigor.

Haveria a possibilidade de nomeação para o cargo vago existente para suprir parcialmente o problema, mas isso não seria suficiente diante de múltiplos afastamentos simultâneos.

Reforma regimental como alternativa

O especialista apontou uma saída possível para a crise: uma reforma regimental do próprio STF, para que a Corte volte à redação original do artigo 40 de seu regimento interno.

Esse dispositivo previa a convocação extraordinária de ministros de outros tribunais para compor o quórum em casos de deficiência. “À época, sobretudo, era o antigo Tribunal Federal de Recursos, e hoje é o STJ”, explicou Choukr. Para ele, essa seria “a saída mais digna do ponto de vista jurídico e que resolve o problema”.

O papel do Ministério Público no processo

Choukr também abordou a questão da inação do Ministério Público na revisão periódica das cautelares, obrigação prevista desde a reforma de 2019, conhecida como pacote anticrime, que impõe revisão a cada 90 dias. Segundo ele, o silêncio do Ministério Público tem consequências jurídicas graves.

“O Ministério Público precisa agir. E não pode o judiciário agir no lugar do Ministério Público”, afirmou. O especialista recordou um episódio anterior em que a inação do órgão resultou na soltura de um acusado de participar de organização criminosa, em decisão do então ministro Marco Aurélio.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.