O que mostra o gráfico publicado por Milei com críticas à gastança de Lula
Em uma crítica direta ao presidente Lula (PT), o mandatário argentino Javier Milei compartilhou na terça-feira (22) um gráfico que mostra o aumento do déficit fiscal do Brasil — quando as despesas do setor público superam suas receitas — em proporção do PIB nos últimos anos.
Conforme o quadro, o Brasil apresenta resultado negativo desde 2011, mas vem piorando as contas públicas desde 2022, quando saiu de um déficit de 4% do PIB, até o ano passado, quando atingiu 8,1%. Para 2026, é projetado um resultado de -9,9%.
O déficit recorde no período ilustrado foi 2020, quando houve enorme expansão fiscal em todo o mundo em razão da pandemia de Covid-19. Com exceção desse ano, os números vinham caminhando para o equilíbrio desde 2016, após o governo Dilma Rousseff (PT).
A fonte dos dados é a consultoria Econométrica, com base em números do Tesouro Nacional e do Banco Central.
Em publicação no X, Javier Milei mostra crescimento do déficit fiscal brasileiro em relação ao PIB no atual governo Lula
“Os progressistas locais (esquerdistas) querem apresentar essa política fiscal como o modelo a seguir. NÃO, OBRIGADO. Nunca contem comigo para esse absurdo. Tivemos uma situação semelhante em 2001 e todos sabemos como terminou”, escreveu Milei no X.
A publicação foi feita horas antes do discurso de Lula que abriu a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde ambos os presidentes estiveram presentes.
O que o gráfico de Milei realmente mede
O gráfico ilustra o aumento do gasto público no atual governo, embora o indicador utilizado não seja o adotado oficialmente para cálculo de resultado primário. Os números exibidos por Milei referem-se ao chamado resultado fiscal nominal em relação ao PIB.
Nesse indicador, considera-se todo o setor público, incluindo União, estados, municípios e empresas públicas (com exceção da Petrobras e Eletrobras), além de incluir os pagamentos líquidos de juros da dívida pública – no resultado primário, excluem-se os juros.
A diferença é relevante porque ajuda a revelar também como o Brasil gasta com o crescimento da dívida, tanto em razão de seu montante quanto das altas taxas de juros.
Além disso, traz uma comparação implícita importante: diferentemente do Brasil, a Argentina deixou de ter déficit em seu resultado fiscal nominal desde 2024.
Com Milei, Argentina tem superávit fiscal mesmo após pagamento de juros
O governo de Javier Milei, que assumiu em dezembro de 2023, trabalha com um orçamento público que busca ativamente superávits primários grandes o suficiente para pagar os juros da dívida pública e ainda fechar as contas no azul.
Em 2024, o resultado fiscal nominal foi positivo em 0,3% do PIB, e o superávit primário, de 1,8% do PIB. Já em 2025, os números foram de 0,2% e 1,4%, respectivamente, segundo dados do Ministério da Economia da Argentina.
A referência a 2001 na publicação de Milei lembra o ano que ficou marcado com o símbolo da maior crise econômica da história argentina, que ele associa com o quadro de déficits fiscais persistentes que fizeram disparar a dívida pública do país.