Originalidade vale mais que grandiosidade, diz diretor sobre IA no cinema

4 de Nov de 2026 - 21:30
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Originalidade vale mais que grandiosidade, diz diretor sobre IA no cinema

O diretor Yeon Sang-ho, conhecido internacionalmente pelo sucesso de zumbis “Invasão Zumbi”, disse que agora quer fazer filmes para um público disposto a refletir, em vez de simplesmente se emocionar. Ele acrescentou que a inteligência artificial tornou possível criar histórias de qualquer gênero para qualquer pessoa, fazendo com que a originalidade, e não a grandiosidade, se torne o principal diferencial da indústria cinematográfica.

“A IA generativa trouxe a humanidade a uma era em que qualquer pessoa pode escrever histórias de gêneros universais e produzir qualquer tipo de vídeo. Por isso, acredito que, quando as pessoas pagam para assistir a um filme no cinema, o público entra em uma fase em que busca histórias mais originais”, disse Yeon à Reuters.

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Seu novo filme, “Paradise Lost”, um suspense de baixo orçamento, é seu passo mais recente nessa direção. A produção estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto, em setembro, e tem lançamento previsto nos cinemas da América do Norte nesta sexta-feira (6).

O suspense psicológico acompanha Ryu So-young, uma mãe que perdeu o filho em um episódio horrível. Ela fica confusa quando uma versão virtual do filho, recriada por inteligência artificial, aparece ao lado de seu filho verdadeiro, que retorna já adulto e como um estranho.

A ideia original do filme surgiu de uma história de três páginas escrita pela mãe de Yeon. No texto, uma mulher de uma aldeia, incapaz de controlar o comportamento cada vez mais delinquente do filho, planeja acabar com a vida dos dois.

Yeon disse que sua mãe era, como muitas mães sul-coreanas, extremamente protetora e tinha sua identidade fortemente ligada ao papel materno. No entanto, a história revelou um lado mais sombrio e complexo dessa imagem do que ele havia imaginado.

“Percebi que minha própria ideia de ‘maternidade’ talvez fosse muito mais um produto da minha imaginação e que poderia haver camadas muito mais complexas por trás dela. Acho que foi isso que me levou a começar este projeto, na tentativa de compreendê-la”, afirmou.

O diretor também disse que a contemplação é onde começa a identidade humana e descreveu a era da inteligência artificial como um mundo em que a reflexão deixou de existir. Segundo ele, a IA acelerou a circulação de informações como nunca antes, mas, paradoxalmente, também isolou as pessoas. Yeon afirmou que o isolamento provocado pelos algoritmos de inteligência artificial é um dos temas presentes na trajetória da personagem Ryu.

“Os seres humanos inevitavelmente mudam rapidamente, mas o filho criado por IA que ela encontra no espaço virtual representa exatamente a imagem que Ryu So-young deseja, aquela que ela espera que permaneça para sempre. Acho que é justamente isso que a isola ainda mais”, acrescentou.

A CJ ENM, responsável pelo investimento e pela distribuição do filme, informou que “Paradise Lost” foi produzido com um orçamento de aproximadamente 500 milhões de wons, ao longo de 14 sessões de filmagem. A empresa acrescentou que o longa foi vendido para 118 países e que a receita obtida apenas com as vendas internacionais já superou o orçamento líquido de produção.

Yeon disse que a estética do filme nasceu da escassez de recursos e descreveu o processo de produção com baixo orçamento como uma experiência que deu coragem aos criadores, apesar das limitações. “Paradise Lost” é o segundo longa-metragem de baixo orçamento do diretor, depois de “The Ugly”, lançado no ano passado.

Yeon, que começou a carreira como diretor de animação, disse que sua geração foi influenciada pelo cinema noir de Hong Kong e pela animação japonesa. Segundo ele, essa abertura cultural ajudou a criar as bases para o atual sucesso do conteúdo sul-coreano, conhecido como K-content. O diretor espera que essas produções também inspirem criadores de outros países e deem origem a novas culturas.

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