Por que Jardim comentou possível saída do Flamengo e como está cenário para sua permanência e a de Boto

31 de Out de 2026 - 04:10
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Por que Jardim comentou possível saída do Flamengo e como está cenário para sua permanência e a de Boto

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Treinador tem contrato até o fim do ano que vem, mas permanência ainda não é certa; vínculo de Boto termina em dezembro

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Leonardo Jardim aproveitou o clássico contra o Vasco para abordar as especulações sobre o futuro no . Ao ser perguntado se continuará no clube na próxima temporada, o treinador preferiu dizer que não dá atenção a rumores, sem deixar claro se a ideia é ou não permanecer para cumprir o contrato que vai até o fim de 2027. Todas as atenções estão voltadas para a disputa do título do Campeonato Brasileiro, mas o futuro realmente ainda é incerto para o português.

A eliminação em casa na Libertadores foi um balde de água fria dentro do clube, mas não fez com que Jardim ficasse ameaçado no cargo. Há uma avaliação de que o trabalho é bom, especialmente porque o clube foi semifinalista da competição continental e tem vantagem na ponta do Brasileirão, mas não é possível dizer com certeza que isso vai pesar o suficiente para uma continuidade. Houve também a subida de produção de nomes como Samuel Lino, Pedro e Carrascal, mérito do técnico. Até o momento não houve por parte do clube uma sinalização de rompimento. A decisão fica para depois do Brasileiro.

— Na minha vida, eu tento fazer sempre o meu melhor, sem me preocupar com os que vêm antes, com os que vão a seguir. Em todos os clubes em que trabalhei, o que importa é o trabalho que desenvolvo. Em relação a rumores, já ouvi falar tanta coisa, já ouvi falar que tinha me despedido, que não queria ficar. Não dou importância a isso. O que dou importância é à relação que tenho com meus jogadores internamente, ao espírito que a gente criou, às informações que eu troco com o presidente, com o Boto. Isso, para mim, é o que é importante - afirmou Jardim.

Conforme o ge já vinha reportando há alguns meses, existe uma divergência sobre modelo de jogo, treinamentos e aquilo que o time poderia e deveria estar rendendo desde o início do trabalho. A queda em casa para o Estudiantes e os altos e baixos ao longo do ano ajudam a resumir um sentimento interno que perdura. Antes do jogo contra o Cruzeiro, nas oitavas de final da Libertadores, essas diferenças chegaram ao ápice, algo que acabou sendo acalmado com o passar do tempo e das vitórias.

Leonardo Jardim, técnico do Flamengo, em partida contra o Atlético-MG, pelo Campeonato Brasileiro. — Foto: REUTERS/Ricardo Moraes

O sentimento de algumas pessoas de dentro do futebol naquela altura era de que uma eliminação faria a relação ser rompida. Desgastes e questionamentos sobre o trabalho do treinador começaram a ganhar ainda mais força. No dia a dia, havia até um entendimento de que o português já não demonstrava a mesma vontade do início do trabalho. Outra corrente dentro do clube acreditava se tratar de uma insatisfação natural de atletas com pouco espaço.

Apesar do tempo que passou, essa leitura se manteve. Uma ala do futebol rubro-negro avalia que o perdeu quase tudo que tinha de bom dos tempos de Filipe Luís. Esse grupo ressalta que o time parou de controlar os jogos e também ficou mais vulnerável defensivamente. Não há problemas específicos de relacionamento com Leonardo Jardim, mas as ideias não batem completamente.

Houve também um período de rota de colisão da comissão técnica com o departamento médico, além de uma cobrança forte por reforços. Por uma orientação da diretoria, Jardim parou de ser tão vocal sobre as duas coisas. Com relação ao DM, ainda existem divergências sobre processos e decisões, inclusive em casos mais recentes.

Houve até reuniões no CT envolvendo José Boto e Bap com lideranças do elenco para tratar das impressões sobre o treinador já há algum tempo. A falta de uma relação próxima e de confiança entre as partes fez a conversa não evoluir da maneira esperada.

Quem convive no dia a dia do Ninho do Urubu garante que tanto Jardim quanto Boto conversam normalmente sobre o planejamento para 2027. No momento, a cabeça de ambos está em buscar o título do Brasileirão, mas a discussão sobre a continuidade será inevitável. Pelo lado do , quem dirá é Bap, responsável pela palavra final em qualquer decisão.

Leonardo Jardim e José Boto conversam no Flamengo — Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

O diretor de futebol também não tem futuro garantido no clube carioca. Isso porque o contrato dele termina em dezembro. Se 2025 foi um ano turbulento para o dirigente, 2026 provavelmente tem sido ainda mais. Desta vez, não haverá o título da Libertadores para amenizar a situação. O chefe de scouting trazido por ele, Andrii Fedchenkov, está de saída para o Liverpool e, portanto, vai gerar uma mudança no trabalho do setor para 2027.

A relação do diretor de futebol, José Boto, com jogadores e funcionários continua desgastada, marcada pela frieza e por cobranças consideradas duras demais em alguns casos. O processo de demissão de Filipe Luís, em março, aumentou a rejeição ao diretor internamente e as conversas em algumas renovações também ampliou o desgaste. Desde que chegou, o português não fez questão de ser uma figura bem-quista.

Boto é apontado como grosseiro em alguns momentos e foi criticado não só por aparecer demais em materiais de divulgação do clube como também dar entrevistas que pegaram mal em vários sentidos nos bastidores. A relação com o elenco é distante e há uma crítica de que Boto não coloca a cara nos momentos mais complicados. Após a eliminação para o Estudiantes, por exemplo, ele não deu entrevistas, diferentemente do que fez na janela de transferências quando o buscava Thiago Almada.

O presidente Bap esperava que a crise se dissipasse com os títulos conquistados no ano passado, mas viu o desgaste atingir o ápice. O presidente chegou a procurar substitutos para Boto no primeiro semestre, mas decidiu mantê-lo, apostando também na relação do diretor com Leonardo Jardim. Nem isso acalmou os ânimos, e a permanência de Boto para 2027 é considerada incerta.

Enquanto isso, o mantém o foco para buscar o título do Campeonato Brasileiro. Faltando cinco rodadas para o fim da temporada, a tendência é que todas as conversas envolvendo futuros, renovações e negociações sejam deixadas para dezembro, quando termina a competição. Jardim, vale ressaltar, tem vínculo até o fim de 2027.

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