Por que o burro e o elefante viraram mascotes dos partidos Democrata e Republicano nos EUA

3 de Nov de 2026 - 19:20
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Por que o burro e o elefante viraram mascotes dos partidos Democrata e Republicano nos EUA

As eleições de meio de mandato em curso nos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3), colocaram novamente em destaque dois dos mascotes mais conhecidos da política americana: o burro, do Partido Democrata, e o elefante, do Partido Republicano. Os animais costumam aparecer em alguns materiais de campanha, charges e na cobertura eleitoral da imprensa do país. A origem dos mascotes remonta ao século 19 e envolve insultos políticos, disputas presidenciais e críticas publicadas em jornais.

A história do burro como mascote democrata começou em 1828, quando o democrata Andrew Jackson disputava a Presidência dos Estados Unidos contra John Quincy Adams. Durante a campanha, adversários de Jackson passaram a chamá-lo de jackass, expressão da língua inglesa que significa "burro", mas que também pode ser utilizada para chamar alguém de idiota.

Em vez de rejeitar o apelido, Jackson decidiu utilizá-lo a seu favor. O candidato associou o burro a características como determinação e resistência e chegou a colocar imagens do animal em materiais de sua campanha. Jackson venceu a eleição - se tornando o primeiro presidente democrata dos EUA - e a associação entre o burro e os democratas continuou sendo utilizada nas disputas políticas dos anos seguintes.

Já a história do elefante como símbolo republicano começou em 1864, durante a campanha de reeleição do presidente Abraham Lincoln. Naquele ano, o jornal Father Abraham, que apoiava Lincoln, publicou uma ilustração de um elefante segurando uma faixa para celebrar vitórias das forças da União na Guerra Civil Americana. Na época, a expressão "ver o elefante" era utilizada pelos soldados para se referir à experiência de participar de combates. O animal também apareceu em outra edição do jornal, em outubro daquele ano, para comemorar vitórias republicanas em eleições estaduais. A imagem, porém, ainda não havia se consolidado como símbolo do partido.

Isso só começou a acontecer em 1874, quando o cartunista Thomas Nast publicou uma charge na revista Harper's Weekly. Na ilustração, o animal representava os eleitores republicanos, assustados com as críticas à possibilidade de o então presidente Ulysses S. Grant, também republicano, disputar um terceiro mandato. A controvérsia poderia prejudicar o partido nas eleições e favorecer os democratas.

Foi justamente Nast o principal responsável por popularizar os dois mascotes na política americana. Em 1870, ele já havia utilizado um burro para criticar jornais ligados aos democratas. Nos anos seguintes, o cartunista continuou utilizando os dois animais em suas charges sobre as legendas, ajudando a consolidar sua associação com os partidos.

Segundo o Museu Nacional de História Americana, as ilustrações de Nast tiveram papel decisivo na popularização desses símbolos para republicanos e democratas. Com o passar do tempo, o elefante foi adotado oficialmente como símbolo do Partido Republicano, enquanto o burro passou a ser associado de forma constante aos democratas, apesar de a legenda nunca ter escolhido oficialmente o animal como símbolo ou mascote.