Subocupação: 4,3 milhões trabalham menos do que gostariam, diz IBGE

30 de Out de 2026 - 11:00
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Subocupação: 4,3 milhões trabalham menos do que gostariam, diz IBGE

Cerca de 4,3 milhões de brasileiros trabalham menos horas do que gostariam e estão disponíveis para trabalhar mais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essas pessoas são classificadas pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua como subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas. Os dados mais recentes foram divulgados nesta sexta-feira (30).

O contingente cresceu 5,2% do segundo para o terceiro trimestre de 2026, com a entrada de 214 mil pessoas nessa condição. Comparando com o mesmo período do ano anterior, houve uma queda de 5,4%.

O dado, referente ao período de julho a setembro, ganha relevância diante do recente debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1, promulgado pelo Congresso em outubro.

Durante a tramitação, parlamentares contrários à mudança defenderam que a definição da jornada deveria privilegiar a negociação entre trabalhadores e empregadores. Representantes do setor produtivo também manifestaram oposição, mas concentraram parte das críticas no impacto da redução da jornada sobre custos e produtividade.

A oposição se posicionava contrariamente à alteração na jornada de trabalho máxima. A aprovação popular e o contexto eleitoral, no entanto, acabaram levando a uma mudança de postura, e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) recebeu votos favoráveis de ambos os lados.

2,5 milhões não procuram trabalho e não entram na taxa de desemprego

Outra alta registrada foi a do número de desalentados, pessoas disponíveis para trabalhar, mas que não procuram emprego por acreditar que não encontrariam. O indicador subiu 7,5% e chegou a 2,5 milhões de pessoas do segundo para o terceiro trimestre, mas caiu 6,8% comparado ao mesmo trimestre de 2025.

A taxa de desemprego caiu para 5,2%, menor patamar em 14 anos em um terceiro trimestre. O resultado, no entanto, considera apenas quem está sem trabalho, mas procurando uma vaga. Em outras palavras, as 2,5 milhões de pessoas desalentadas não integram o indicador. Caso integrassem, a taxa de desemprego seria de 7,2%, uma diferença de cerca de dois pontos percentuais.

Como é construída a taxa de desemprego oficial

A PNAD Contínua foca em pessoas que têm pelo menos 14 anos de idade. Essa população é dividida entre força de trabalho e pessoas fora da força de trabalho.

A força de trabalho inclui ocupados e desocupados. Os ocupados são todos aqueles que trabalham em quantidade suficiente ou insuficiente em relação ao que poderiam ou gostaríam. Já os desocupados são os que não trabalham, procuraram trabalho e não encontraram. É aqui que entra o que é conhecido como taxa de desemprego.

Do outro lado, há a categoria "fora da força de trabalho". Aqui entra a força de trabalho potencial, com pessoas que podem trabalhar. Parte desse grupo inclui quem chegou a procurar uma vaga, mas não estava disponível para o trabalho na semana de referência. Um dos subgrupos é o dos desalentados, que sequer buscaram emprego.

Além da taxa oficial de desemprego de 5,2%, o IBGE também calcula uma medida mais ampla que soma os desocupados à força de trabalho potencial. Pelos números divulgados para o terceiro trimestre, esse contingente corresponderia a aproximadamente 9,2% da chamada força de trabalho ampliada.

O cálculo é baseado em padrões da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e adotado por outros países. A própria organização, no entanto, pontua que a taxa de desocupação não representa necessariamente toda a falta de trabalho de uma economia e recomenda um olhar conjunto para os outros indicadores.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) publicava uma versão mais ampla. A Pesquisa de Emprego e Desemprego incluía desemprego aberto e desemprego oculto por desalento ou trabalho precário. O levantamento foi extinto por falta de financiamento.