Suja e depredada: Ponte das Bandeiras enfrenta abandono 2 anos após obras
Rachaduras, pichações, sujeira e até a escadaria de uma das cabeceiras desmoronando. Por dentro das estruturas, pessoas em situação de rua buscam abrigo em meio a fios soltos, móveis e entulho, com evidente risco de incêndio e morte. A Ponte das Bandeiras está abandonada, pouco mais de dois anos após uma obra que custou R$ 68 milhões, segundo a própria Prefeitura de São Paulo.
Cruzando a marginal, a ponte é uma das principais ligações entre Santana e a região central de São Paulo, compondo o Corredor Norte-Sul, por onde milhares de veículos passam diariamente.
A situação atual não condiz com a relevância. Uma das laterais da cabeceira na margem direita do rio tem sinais de desmoronamento. A escadaria que dá acesso à pista expressa da marginal já pende em direção contrária à ponte.
No mesmo local, um tapume improvisado, apoiado na parede, não consegue esconder a entrada para o interior da ponte, onde há muita sujeira acumulada. Uma espécie de calabouço, o lugar era ocupado no passado por dezenas de pessoas, que chegavam a pagar aluguel a usurpadores por cômodos improvisados, divididos com paredes de madeira e sobre estrados, como relatado à reportagem.
No lado oposto do rio, o “calabouço” persiste. Buracos abertos na parede da pista sentido Ayrton Senna da marginal expõem a moradia precária de quem vive em situação de rua. A base da torre também é ocupada, com fiação exposta para todo lado. Na escadaria que dá acesso a essas habitações, pichações na parede ameaçam usuários de drogas que utilizam o local como banheiro para suas necessidades.
Além da função no tráfego da capital paulista, a Ponte das Bandeiras tem caráter histórico. A estrutura foi inaugurada em 25 de janeiro de 1942, como parte da comemoração do aniversário da cidade, pelo então prefeito Prestes Maia. Ele foi autor do hoje contestado Plano de Avenidas, que promoveu a ocupação das várzeas em um projeto rodoviarista, voltado para os carros, definindo o futuro da capital paulista.
Com caráter monumental, as duas torres de 25 metros de altura surgiram como pontos de observação para as provas de remo que aconteciam no Tietê, ainda limpo, na primeira metade do século passado. Com o tempo, passaram a servir também para o monitoramento do trânsito por parte da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), antes do total abandono.
O que diz a Prefeitura de São Paulo
A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) diz que a obra da Ponte das Bandeiras, entregue em março de 2024, contemplou a recuperação estrutural da ponte para garantir sua estabilidade e maior vida útil, recuperação do pavimento e rebaixamento das pistas da Marginal para evitar a colisão de caminhões contra a parte inferior da estrutura. A obra recebeu um investimento de R$ 68,1 milhões. Segundo a Siurb, uma vistoria será realizada no local.
A Secretaria Municipal das Subprefeituras diz que realiza a limpeza no entorno da ponte e no escadão de acesso à Marginal Tietê.
Segundo a prefeitura, semanalmente, o Serviço Especializado de Abordagem Social (Seas) da região do Bom Retiro e realiza o monitoramento da área.
“Nessa quinta-feira (17/9), uma equipe esteve no local para os encaminhamentos necessários. Foram abordadas sete pessoas e duas delas aceitaram ser encaminhadas para Centros de Acolhida para Adultos”, diz.
A prefeitura diz que, em outra frente, o Consultório na Rua também realiza visitas semanais à região da ponte e seu entorno para fortalecer o acolhimento e a assistência à saúde às pessoas em uso abusivo de álcool e outras drogas conforme avaliação individualizada.
A Guarda Civil Metropolitana afirma que realiza o patrulhamento ostensivo 24 horas por dia em todas as regiões da cidade. “As ações de zeladoria, segurança e assistência social serão reforçadas na região”, afirma.























