Técnico na base do Fluminense exalta versatilidade de Martinelli, hoje na Seleção: "Talento acima da média"
Eduardo Oliveira trabalhou com Martinelli, André, João Pedro e Luiz Henrique em Xerém
Martinelli, do Flu, é uma das novidades da Seleção Brasileira
O volante do Martinelli fará sua estreia pela seleção brasileira na manhã desta sexta-feira, às 7h, em Brisbane, contra a Austrália. Aos 24 anos, o meia terá a primeira oportunidade com Ancelotti no novo ciclo que se inicia após o fracasso na Copa do Mundo.
Treinador na base do Fluminense exalta Martinelli e "geração de ouro" na Seleção
Quem conhece bem o jogador, desde o processo de formação em Xerém, acredita que ele pode não só acrescentar no que faz hoje no clube, mas também em diferentes funções. Esse é o caso de Eduardo Oliveira, treinador que trabalhou com o meio-campista na base tricolor do sub-17, em 2018, até o momento que ele subiu para o profissional, já na reta final de 2020.
— O Martinelli fica e hoje ele tem essa identificação com o clube e tendo esse grande prêmio da convocação por muito mérito. É um cara que trabalha demais, tem um potencial também acima da média, mas é um cara que se coloca sempre na disposição de evoluir no seu dia a dia. Tinha uma concorrência muito grande dentro do próprio elenco da geração dele. Por ser um um rapaz muito trabalhador, honesto e de grupo, conquista o espaço dele e potencializando outros jogadores — destacou o técnico de Martinelli no sub-17 do Flu, Eduardo Oliveira, em exclusiva ao ge.
"Geração de Ouro" com quatro na Seleção
Oliveira foi técnico de um elenco na base do Fluminense que ganhou, ainda em Xerém, o apelido de "Geração de Ouro", formado por jogadores nascidos em 2001 e que, com Martinelli, .
Além dele, os atacantes João Pedro e Luiz Henrique, sendo este último parte do grupo que disputou a Copa do Mundo de 2026, e o volante André acumulam participações em listas deste último ciclo com a Amarelinha.
Martinelli fala da adaptação dos "moleques de Xerém" ao profissional: "Passam muita confiança para a gente"
Esse quarteto junto do restante da geração de ouro conquistou o Carioca sub-17 e ficou com o vice-campeonato na Taça BH, então principal torneio nacional, e na Copa do Brasil. Além desses quatro, aquele time ainda contava com o lateral-direito Calegari, o volante Alexsander e o atacante John Kennedy, todos nascidos em 2002, mas peças relevantes.
— São os jogadores que sempre tiveram um talento acima da média. Só que o talento sem processo ele não se atualiza. Eu acho que eles também conseguiram, por mérito, é construir um ambiente aonde era muito propício para eles se desenvolverem. Então, quando o talento se junta com outro talento, aquele ambiente começa a derramar a influência e você começa a ver muitas pessoas se desenvolvendo. A porta de entrada para o processo é muito qualificada através do departamento de captação, mas o processo ensina as diferentes categorias, faz com que esses jogadores consigam ir evoluindo passo a passo, a ponto de conseguir chegar numa numa escala profissional e ter esse grande destaque que estão tendo hoje em dia — exaltou Eduardo.
Eduardo Oliveira dá instruções ao time sub-17 do Fluminense em 2018 — Foto: Mailson Santana/Fluminense FC
Formação no Brasil
A formação de jogadores no futebol brasileiro é um tema que vem se tornando cada vez mais debatido nos últimos meses. Em especial após a eliminação na Copa do Mundo, que resultou em uma reformulação promovida por Ancelotti no elenco principal da seleção brasileira.
Eduardo Oliveira acumulou anos de experiência trabalhando em divisões de base, com passagem por Botafogo e Fluminense, além outros projetos de desenvolvimento de jovens jogadores pelo Brasil, e também um trabalho profissional no Majd FC, dos Emirados Árabes Unidos. Ele acredita que é preciso pensar de forma ampla nos processos e na transição dos jogadores.
— O ambiente muda. No momento que aquela pessoa ela é projetada numa idade muito cedo, a gente vai ter que entender qual vai ser o comportamento, assim como a interação com os outros. Tem esse lado social da coisa. A trilha do desenvolvimento das pessoas é diferente. O grande lance na categoria de formação é conseguir maximizar as virtudes e minimizar os problemas dos jogadores. Mas cada ser humano é um ser humano.
Técnico de Martinelli na base do Fluminense debate formação: "Resultado não é o fim"
Se o debate sobre desenvolvimento de jogadores já ganhou força, especialmente após as medidas recentes aprovadas pelos clubes no sentido de dar mais oportunidades a jovens jogadores, o dos treinadores ainda parece não ter a mesma proporção.
As oportunidades para jovens brasileiros formados nos clubes ou nas academias da CBF são, em geral, mais escassas. Nesse momento, no entanto, há mais treinadores brasileiros com menos de 50 anos na série A do Brasileirão (seis) do que o total de estrangeiros (cinco).
— O treinador brasileiro é alguém hoje que está se capacitando, conseguindo se organizar e que precisa ter um espaço também dentro do futebol profissional para que possa mostrar essa capacidade. Então, o que a gente pensa o futebol profundamente que a gente cria estratégias para que o nosso futebol brasileiro se desenvolva cada vez mais. Um ecossistema como um todo. Vale a pena a gente criar essa reflexão. Para que aí sim a gente possa ter um orgulho muito grande do futebol praticado aqui — concluiu o técnico.
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