TVs Samsung podem analisar áudio e hábitos de visualização para exibir anúncios direcionados

27 de Out de 2026 - 13:00
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TVs Samsung podem analisar áudio e hábitos de visualização para exibir anúncios direcionados

Um pesquisador de segurança que assina log4j no X diz ter encontrado um sistema de rastreamento dentro do Tizen de uma TV Samsung comprada em 2025. Segundo ele, o software classifica áudio, reconhece o que está na tela e cruza hábitos de visualização para alimentar anúncios direcionados nas TVs Samsung.

A investigação começou porque os comerciais que ele via eram específicos demais, e terminou com acesso root ao aparelho via falhas inéditas.

Importante frisas desde já que nada foi verificado de forma independente até agora. O relato está em uma sequência de posts, o estudo técnico completo ainda não foi publicado, e a Samsung não comentou publicamente as alegações.

Mesmo assim, o caso surge uma semana depois de um estudo da Northeastern mostrar que o rastreamento de conteúdo em TVs da marca continuava ativo mesmo com a função desligada.

O que o pesquisador diz ter achado no Tizen

Como o firmware vinha cifrado em AES e sem chaves disponíveis, a alternativa seria abrir a TV e usar portas de depuração. Ele preferiu explorar vulnerabilidades sem correção até obter um shell com privilégios de root.

A partir daí, segundo o relato, apareceram módulos de categorização de áudio, reconhecimento do conteúdo da tela e mapeamento da rede local.

Havia também serviços de localização e identificadores de publicidade que acompanham o usuário em vários aparelhos.

Estudo da Northeastern mostrou na semana passada que o ACR de Samsung, Roku e Vizio seguia ativo após ser desligado.
Foto: Reprodução/Mundo Conectado

A parte mais chamativa é uma rede neural convolucional, ajustada por região, que rodaria na própria TV. Ela analisaria quais vídeos a pessoa assiste, até onde ela chega em cada um e quais anúncios ela pula.

O pesquisador supõe que esse processamento em segundo plano explique parte da lentidão típica das smart TVs, embora não tenha apresentado nenhuma medição.

Também há uma alegação sobre TVs sem microfone, pois o sistema procuraria microfones em dispositivos conectados, como soundbars e acessórios Bluetooth, para capturar áudio por eles. Detectar que um microfone existe, porém, não prova que ele é acionado sem permissão.

“Finalmente achei uma empresa que realmente escuta os clientes.” log4j, pesquisador de segurança, no X

Teste com Flipper Zero deu resultado inconclusivo

Xuan-Son Nguyen, engenheiro da Hugging Face conhecido como ngxson, decidiu checar a história do microfone com um Flipper Zero e um app próprio. A TV abriu o microfone por uns cinco segundos e parou, sem nenhuma outra atividade nas horas seguintes.

Ele mesmo avisou que o resultado não serve de prova, pois a TV já estava com root e com várias funções desativadas. Um aparelho de fábrica pode se comportar de outro jeito.

Vale separar o que seria vigilância oculta do que a Samsung vende abertamente. Os recursos Pet Care e Family Care usam o microfone para reconhecer latidos e choro de bebê.

Já o ACR, o reconhecimento automático de conteúdo, identifica o que está na tela para montar o histórico de visualização, sempre com consentimento e com opção de desligar, segundo a fabricante.

Esse consentimento já virou assunto de tribunal. Em fevereiro, a Samsung fechou um acordo com a Procuradoria-Geral do Texas que exige autorização explícita dos consumidores do estado antes de coletar ou processar dados do ACR.

A briga paralela com a OpenAI

No meio do trabalho, o pesquisador teve a conta da OpenAI suspensa por “abuso cibernético”, segundo o e-mail que recebeu.

Ele contesta a punição e afirma que usou as ferramentas apenas em análise local de firmware, nunca para explorar ou procurar falhas. O prejuízo, segundo ele, foi de US$ 500 em créditos, cerca de R$ 2.660. A OpenAI não explicou a decisão publicamente.

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Até o estudo técnico sair com evidências reproduzíveis, a presença de componentes de monitoramento no firmware não pode ser confundida com gravação secreta de áudio ou envio não autorizado de dados.

O que já existe de concreto é o ACR. Ele pode ser desligado no menu de privacidade do Tizen, em Termos e Políticas, junto com a publicidade baseada em interesses.

O estudo da Northeastern, porém, sugere que desligar nem sempre resolve, e é esse o ponto que a Samsung precisa responder. Você já desativou o reconhecimento de conteúdo na sua TV ou nunca mexeu nessa configuração?

Fonte(s): log4j (X), ngxson (X), Tom’s Hardware, Wccftech e Procuradoria-Geral do Texas