Ultraprocessados podem influenciar resposta do cérebro aos alimentos, diz estudo

26 de Out de 2026 - 19:30
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Ultraprocessados podem influenciar resposta do cérebro aos alimentos, diz estudo

Talvez você já tenha ouvido alguém dizer que o problema dos alimentos ultraprocessados, como refrigerantes, biscoitos recheados e macarrão instantâneo, não está no alto grau de processamento, mas apenas no excesso de gordura, açúcar e sódio.

Pois um novo estudo, publicado na revista científica Nature Metabolism, traz evidências de que a história não é bem assim.

Em um ensaio clínico randomizado, considerado o método de pesquisa mais confiável para investigar relações de causa e efeito, os pesquisadores descobriram que, mesmo quando apresentam quantidades semelhantes de calorias, gorduras, açúcares e outros nutrientes, refeições ultraprocessadas podem provocar respostas diferentes no organismo.

E mais: essas diferenças foram associadas à maneira como o cérebro reage aos alimentos. Entenda mais.

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Como o estudo foi realizado?

Conduzida por pesquisadores da Virginia Tech, nos Estados Unidos, a investigação envolveu 57 adultos jovens e saudáveis, divididos entre avaliações metabólicas e exames de atividade cerebral.

Na etapa metabólica, 32 participantes consumiram, em dias diferentes, duas refeições: uma com alimentos ultraprocessados e outra sem nenhuma comida dessa categoria.

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Mas o pulo do gato é que ambas tinham aproximadamente 300 calorias e foram cuidadosamente elaboradas para apresentar quantidades praticamente idênticas de carboidratos, proteínas, gorduras, fibras, sódio e água, além de índices glicêmicos semelhantes.

A proposta era justamente essa: investigar se o grau de processamento dos alimentos poderia influenciar o funcionamento do organismo independentemente de sua composição nutricional.

Após cada refeição, os pesquisadores acompanharam os participantes durante três horas, medindo três parâmetros:

  • Níveis de glicose e insulina no sangue;
  • Gasto energético;
  • Maneira como o corpo utilizava carboidratos e gorduras como fontes de energia.

Já na etapa cerebral, 52 voluntários passaram por exames de ressonância magnética funcional enquanto observavam imagens de alimentos ultraprocessados e não ultraprocessados.

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Eles também precisaram indicar quanto estariam dispostos a pagar por cada produto, permitindo investigar como o cérebro atribuía valor aos alimentos.

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O que os pesquisadores descobriram?

O resultado mais expressivo apareceu no campo metabólico: embora as duas refeições tenham gerado níveis semelhantes de glicose no sangue, a ultraprocessada provocou uma liberação significativamente maior de insulina.

Lembrando que a insulina é o hormônio responsável por ajudar a glicose a entrar nas células. Ou seja, diante de uma quantidade praticamente igual de nutrientes, o organismo respondeu de maneira diferente.

Ao cruzar os resultados metabólicos com os exames de imagem, os cientistas identificaram associações entre a maneira como o organismo utilizava carboidratos e a atividade de regiões cerebrais envolvidas na recompensa, na motivação e na valorização dos alimentos.

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Entre elas estava o estriado, uma região que ajuda o cérebro a aprender quais experiências são recompensadoras e merecem ser repetidas.

Ou seja, isso significa que os sinais produzidos pelo organismo após a ingestão de nutrientes podem estar relacionados à maneira como o cérebro atribui valor à comida, para além do sabor ou da aparência.

Isso sugere que o processamento dos alimentos pode ter alguma participação nesse mecanismo, embora essa relação ainda não esteja clara.

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O que há de novo e quais são os próximos passos?

A relação entre ultraprocessados e alterações no comportamento alimentar não é uma novidade.

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Em 2019, um estudo liderado pelo pesquisador Kevin Hall, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), já havia mostrado que pessoas submetidas a uma dieta ultraprocessada consumiam, em média, cerca de 500 calorias adicionais por dia e ganhavam peso, mesmo quando os alimentos oferecidos tinham composição nutricional semelhante à de uma dieta não ultraprocessada.

Mas o estudo não respondeu uma pergunta: por que isso acontece?

É justamente nisso que essa nova investigação busca se aprofundar. Ao controlar a composição nutricional das refeições, os pesquisadores conseguiram identificar diferenças metabólicas que não poderiam ser explicadas simplesmente pela quantidade de calorias, gorduras ou carboidratos ingeridos.

Uma das hipóteses envolve a chamada matriz alimentar, estrutura física dos alimentos in natura e a maneira como seus componentes estão organizados. Processos industriais não conseguem imitar essa estrutura, alterando a forma como os nutrientes ficam disponíveis para a digestão e a absorção.

Isso significa que dois alimentos com valores nutricionais muito semelhantes não necessariamente produzirão as mesmas respostas no organismo.

O estudo também abre caminho para investigar se tais diferenças influenciam os mecanismos cerebrais envolvidos nas escolhas alimentares e, eventualmente, no consumo excessivo de calorias, como mostrou a pesquisa de Hall.

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