Usina vê “impacto grande” com menor cota de venda de açúcar aos EUA
A redução da cotas de importação de açúcar pelos EUA para o Brasil gerou surpresa nas usinas dos Nordeste. A Central Açucareira Santo Antônio, de Alagoas, por exemplo, acreditava que a os volumes seriam redistribuídos e não cortados.
A Santo Antônio é uma das usinas do Nordeste que vende açúcar diretamente para os EUA desde os anos 1990.
O diretor comercial do grupo, José Ernesto Maranhão, explica que a cota brasileira era distribuída entre as usinas da região de acordo com a capacidade produtiva de cada uma.
“Trabalhamos com essa cota há anos. Algumas vezes ela ficou, inclusive, maior”, comenta Maranhão à CNN.
Em 2025, a usina exportou 9,7 mil toneladas. Com a nova cota, a empresa acredita que deverá exportar 6 mil toneladas.
“É um impacto muito grande nas contas da usina porque os EUA pagam muito melhor pelo açúcar, cerca de 50% a mais na comparação com outros países. E fora da cota, com tarifas e impostos que protegem a produção local, é completamente impraticável exportar para lá.”
A cota de importação de açúcar é definida pelos EUA com base em compromissos assumidos junto à OMC (Organização Mundial do Comércio). Desde que começaram a vender aos norte-americanos é a primeira vez que José Maranhão vê uma redução tão abrupta no volume exportado.
“Desde julho sabíamos que nossa cota seria reduzida. Achamos que ela seria redistribuída a outras usinas. A surpresa veio ao saber que só o Brasil teve esse corte e que outros países ficarão com as 56 mil toneladas redirecionadas”, diz o diretor comercial.
Segundo apuração de Luciana Franco, a redistribuição de cotas de importação de açúcar para outros países deve gerar um prejuízo estimado em US$ 30 milhões e impactar um setor que gera cerca de 250 mil empregos na região Nordeste, que detém 100% das exportações nesta modalidade.
Segundo Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco, a decisão frustra a expectativa dos usineiros, que esperavam renegociar o volume a ser embarcado em 2027.