Vendas de celulares da Xiaomi caem no Brasil; Apple e Samsung crescem

21 de Set de 2026 - 22:30
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Vendas de celulares da Xiaomi caem no Brasil; Apple e Samsung crescem

Os envios de smartphones ao varejo brasileiro caíram 11% no primeiro semestre de 2026 na comparação anual, segundo relatório da Counterpoint Research.

A retração combina custos mais altos de memória, produção doméstica reduzida e consumo cauteloso. A Samsung lidera com 42% de participação, seguida pela Motorola, com 31%. Xiaomi e Apple empatam em terceiro lugar, com 7% cada.

A Xiaomi foi a marca que mais perdeu espaço: caiu de 11% para 7% entre o primeiro semestre de 2025 e o de 2026, recuo de 34% na comparação anual. A Apple subiu de 6% para 7%, impulsionada pela linha iPhone 17 e por descontos nos modelos anteriores.

Acima de US$ 600 (cerca de R$ 3.065 em conversão direta, sem impostos brasileiros ou taxas de importação), a Apple fica com 63% das vendas, contra 34% da Samsung.

Participação de mercado por fabricante no primeiro semestre de 2026

FabricanteParticipação no 1º semestre de 2026Participação no 1º semestre de 2025Variação anual
Samsung42%38%Alta de 10%
Motorola31%30%Alta de 1%
Xiaomi7%11%Queda de 34%
Apple7%6%Alta de 19%
Novas marcas chinesas (Jovi, HONOR, OPPO e realme)20%26%Queda combinada
Vendas de celulares da Xiaomi caem no Brasil; Apple e Samsung crescem
Counterpoint Research

A Samsung e a Motorola somam 73% do mercado e ficaram com quase 3 de cada 4 aparelhos enviados às lojas no semestre. Já a participação combinada das marcas chinesas recém-chegadas (Jovi, que é a chinesa Vivo no Brasil, HONOR, OPPO e realme) caiu de 26% para 20%.

O relatório atribui à Samsung um avanço de 10% no semestre, mas três parágrafos antes registra uma queda de 6% no volume. A Counterpoint não detalha no texto qual medida descreve esse número.

Faixa de 100 a US$ 249 vira 61% das vendas

Seis em cada dez celulares vendidos no semestre custaram entre 100 e US$ 249 (de 511 a R$ 1.272, sem impostos brasileiros ou taxas de importação).

A faixa cresceu 37%, enquanto a de até US$ 99 caiu pela metade. Somados, os aparelhos de entrada abaixo de US$ 249 respondem por 78% do mercado.

Faixa de preçoParticipação no 1º semestre de 2026Variação anual
Até US$ 99Queda de 50%
100 a US$ 24961%Alta de 37%
Abaixo de US$ 249 (total)78%

A analista Tina Lu afirma que a expansão desse segmento reflete três fatores: consumidores mais dispostos a investir em especificações melhores, ampliação da oferta de modelos por novas marcas chinesas nessa faixa e os primeiros efeitos dos aumentos de preços ligados à memória, com escalada prevista para o segundo semestre de 2026.

Galaxy A07 4G lidera ranking com 8,3% do mercado

O Galaxy A07 4G ficou sozinho com 8,3% do mercado e ocupa o topo do ranking desde dezembro de 2025. Os cinco mais vendidos, todos da Samsung e da Motorola, somaram 29% dos envios. Completam a lista Galaxy A17 4G, Moto G06 4G, Moto G15 4G e Galaxy A16 4G.

ModeloParticipação no mercado totalPreço sugerido no lançamento
Galaxy A07 4G8,3%R$ 899 (setembro de 2025)
Galaxy A17 LTEA partir de R$ 1.399
Top 5 somados29%

O Galaxy A07 teve preço sugerido de R$ 899 no lançamento brasileiro, em setembro de 2025. O Galaxy A17 LTE, segundo do ranking, saiu a partir de R$ 1.399. Os dois ficam dentro da faixa que virou maioria.

Aparelhos 5G chegaram a 45% dos envios brasileiros, alta de 39% no ano, contra 40% na média da América Latina.

Memória mais cara pressiona o segundo semestre

A previsão da Counterpoint para 2026 inteiro é de queda de dois dígitos nos envios. A falta de chips de memória deve durar até 2027 e bate primeiro nos modelos de entrada e intermediários, nos quais o custo dos componentes pesa mais no preço final.

Infinix, TCL, realme e as fabricantes nacionais devem ter dificuldade para manter a produção local. O relatório prevê marcas saindo do país e catálogos menores. A eleição presidencial de outubro e o PIB projetado entre 1,9% e 2,3% completam a lista de freios.

Desde 2020, a economia brasileira desacelera. De 2020 a 2024, o crescimento anual do PIB ficou acima de 3%, caiu para 2,3% em 2025 e a projeção é de 1,9% a 2,3% em 2026.

As exportações de petróleo para a Ásia, impulsionadas pelo conflito no Oriente Médio, e a volatilidade cambial causaram inflação doméstica, afetaram o bolso do consumidor e reduziram o poder de compra.

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Xiaomi: imposto de importação e mercado cinza

O imposto de importação sobre celular no Brasil chega a 105%, e a Xiaomi não monta nenhum aparelho no país. Boa parte do volume da marca vem do mercado cinza que atravessa a fronteira pelo Paraguai, com preço até 50% menor que o do modelo equivalente vendido pelos canais oficiais.

A preferência crescente por celular montado no Brasil, a menor remessa global da fabricante para cá e a concorrência de chinesas recém-chegadas explicam o tombo. A Xiaomi segue em terceiro lugar.

Para finalizar, ressaltamos que a Apple emergiu como uma das marcas com melhor desempenho no primeiro semestre de 2026, elevando a produção doméstica em 7% na comparação anual. A Samsung, marca líder, cresceu 10% ano a ano, seguida pela Motorola, que avançou 1%.

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Fonte: Counterpoint Research