EUA vão abrir duas novas bases militares na Groenlândia após acordo com Dinamarca
Os Estados Unidos planejam ampliar sua presença militar na Groenlândia com operações em dois novos pontos estratégicos da ilha após o acordo firmado com a Dinamarca e autoridades groenlandesas sobre a segurança do território no Ártico.
Segundo fontes ouvidas pela agência Reuters, os americanos pretendem voltar a operar em Narsarsuaq, no sul da Groenlândia, e estabelecer uma presença militar em Mestersvig, na costa leste. O acordo que permitirá a expansão deverá ser formalizado nesta terça-feira (22), durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Narsarsuaq abrigou durante a Segunda Guerra Mundial a base aérea americana Bluie West One, construída para apoiar operações no Atlântico Norte. Os Estados Unidos deixaram a instalação na década de 1950, e a estrutura passou posteriormente para controle dinamarquês.
Mestersvig, por sua vez, já possui presença militar da Dinamarca e serve de apoio a operações de patrulhamento no leste da Groenlândia. A área é utilizada pela Sirius Dog Sled Patrol, unidade especial dinamarquesa responsável pela vigilância de grandes extensões do território ártico.
Ainda não foram divulgados o número de militares, os equipamentos nem o tipo de estrutura que os Estados Unidos deverão manter nos dois pontos.
Acordo anunciado por Trump amplia presença militar dos EUA na ilha
A movimentação ocorre poucos dias depois de Donald Trump anunciar que Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia chegaram a um entendimento para ampliar a presença americana na ilha.
Segundo Trump, o acordo dará aos Estados Unidos maior capacidade para impedir que países considerados adversários estabeleçam instalações militares ou realizem investimentos considerados estratégicos na Groenlândia. O presidente afirmou ainda que o pacto será permanente.
O governo dinamarquês, porém, destacou que a soberania sobre o território não será transferida aos Estados Unidos. Copenhague também sustenta que o novo arranjo deve ser entendido dentro de uma ampliação da segurança coletiva da Otan no Ártico.
A Groenlândia é um território autônomo ligado ao Reino da Dinamarca e ocupa uma posição estratégica entre a América do Norte, o Atlântico Norte e o Oceano Ártico. Sua localização permite acompanhar rotas aéreas e marítimas entre a Rússia e o continente americano e aumentou de importância com a disputa entre grandes potências pela região.
Moscou vem reforçando instalações militares no Ártico, enquanto a China tenta ampliar sua presença econômica por meio de projetos relacionados a mineração, infraestrutura e novas rotas de navegação abertas pelo degelo.
Trump passou a tratar a Groenlândia como uma questão de segurança nacional desde o início de seu atual mandato. A pressão americana provocou atritos com a Dinamarca depois que o republicano defendeu maior controle dos Estados Unidos sobre a ilha e evitou, em diferentes ocasiões, descartar instrumentos econômicos ou militares para alcançar esse objetivo.
As negociações posteriores buscaram ampliar o espaço de atuação americana sem alterar formalmente a soberania dinamarquesa sobre o território.
EUA já tiveram forte presença militar na Groenlândia
Os Estados Unidos mantiveram uma rede militar muito maior na Groenlândia durante a Guerra Fria. No auge da presença americana, Washington operava 17 instalações no território e mantinha mais de 10 mil integrantes das Forças Armadas na ilha.
A maior parte dessas estruturas foi fechada à medida que a disputa com a União Soviética diminuiu.
Atualmente, a principal instalação americana em funcionamento é a Base Espacial de Pituffik, no noroeste da Groenlândia. Cerca de 150 militares dos Estados Unidos atuam no local, que possui sistemas utilizados para detectar lançamentos de mísseis e monitorar objetos e atividades no espaço.