Abandonado por 20 anos, icônico clube às margens do Lago Paranoá reabrirá

8 de Nov de 2026 - 03:00
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Abandonado por 20 anos, icônico clube às margens do Lago Paranoá reabrirá

Quem frequentou o antigo Clube do Servidor Civil, às margens do Lago Paranoá na L4 Norte, nas décadas de 1970 e 1980, certamente se lembra das piscinas, quadras e das apresentações de artistas como Alceu Valença, Legião Urbana e outros astros da música brasileira.Esse espaço que tomou tanto o imaginário de brasilienses poderá ganhar um ressignificado após 20 anos fechado: será reinaugurado em 9 de dezembro como Senado Cultural, aberto para a comunidade com exposições e galerias.O antigo clube começou a ser desenvolvido em 1973 e foi inaugurado em 1976. Com o passar dos anos, o uso do lugar foi se reduzindo até fechar em 1997.A marcante fachada de colunas brancas em forma de elipse, no entanto, nunca deixaram de chamar atenção de quem passa pelo Setor de Clubes de Brasília, e no final deste ano, poderá voltar ao calendário de visitas das famílias do DF.3 imagensFechar modal.1 de 3A fachada com colunas brancas em elipse é um icônico símbolo do localCarlos Moura/Agência Senado2 de 3Nos 20 anos em que o local esteve fechado, diversas estruturas foram danificadasCarlos Moura/Agência Senado3 de 3Imagem aérea do antigo Clube do ServidorAero DF/Senado FederalComo o clube ficou no tempo fechadoA ideia inicial era construir um clube para servidores do Ministério da Educação e Cultura, mas a proposta foi ampliada para atender funcionários públicos de toda a capital por determinação do então presidente Ernesto Geisel.Após ser fechado em 1997, o lugar que tinha sido tão estimado se tornou um palco para depredação e abandono: postes derrubados, vidros quebrados, telhas retiradas, cabos elétricos arrancados à força e até sanitários removidos.Em 2024, uma reportagem do Metrópoles mostrou que as piscinas, agora vazias, vegetações sem poda e chuvas que formavam poças d’águas contribuiram com o que o local virasse um chamariz para proliferação de mosquitos que transmitem dengue.Confira filmagens que registraram o estado do clube à época: Como funcionará o localO local que há pouco tempo estava inutilizado dará espaço para um ambiente familiar e cultural, previsto para inauguração no dia 9 de dezembro. A exposição inaugural já foi divulgada: Senado em Movimento, 200 anos de História.Segundo a Agência Senado, o local oferecerá auditório, exposições, espaços de convivências e restaurantes aberto a toda a comunidade, além de um paisagismo assinado pelo Escritório Burle Marx.Os ingressos serão gratuitos, mas sob a condição de registrada em bilheteria para organização interna. A plataforma que será utilizada ainda não foi definida.A diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, compartilhou que o espaço pretende “incluir playground, coworking, paisagismo e local para palestras. Este é um projeto grandioso e diferenciado de tudo que já existe em Brasília”.5 imagensFechar modal.1 de 5Obras do Centro Cultural do Senado Federal, que a partir de dezembro de 2026, deve abrigar um espaço de integração entre história, cultura e cidadania. Carlos Moura/Agência Senado2 de 5Obras do Centro Cultural do Senado Federal, que a partir de dezembro de 2026, deve abrigar um espaço de integração entre história, cultura e cidadania. Carlos Moura/Agência Senado3 de 5Obras do Centro Cultural do Senado Federal, que a partir de dezembro de 2026, deve abrigar um espaço de integração entre história, cultura e cidadania. Carlos Moura/Agência Senado4 de 5Obras do Centro Cultural do Senado Federal, que a partir de dezembro de 2026, deve abrigar um espaço de integração entre história, cultura e cidadania. Carlos Moura/Agência Senado5 de 5Obras do Centro Cultural do Senado Federal, que a partir de dezembro de 2026, deve abrigar um espaço de integração entre história, cultura e cidadania. Carlos Moura/Agência SenadoApós a exposição inaugural, ainda segundo informações da Agência, o espaço da galeria principal será ocupado com uma exposição dos itens do acervo museológico do Senado, e contará com quatro espaços, em que uma destas áreas será dedicada a obras representativas de todos os estados, enquanto uma segunda terá produção artística local.Entre as funções de cada espaço, o projeto prevê uma área para exposição sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, em que 1,5 mil bolsonaristas foram detidos pela vandalização de estruturas e danos patrimoniais ao Palácio do Planalto, Congresso e Supremo Tribunal Deferal (STF). Leia também Distrito FederalGDF aprova projeto urbanístico para o bairro Setor Jóquei Clube EntretenimentoJudiciário do DF lança clube de cinema e literatura para a comunidade Do planejamento à execuçãoSegundo Maria Cristina Monteiro, chefe do Serviço do Acervo Museológico do Senado, a ideia de transformar o espaço surgiu em 2018, após negociações e uma indicação para que o local recebesse uma destinação cultural. Depois das tratativas, o espaço foi cedido para uso por 50 anos.2 imagensFechar modal.1 de 2Obras do Centro Cultural do Senado Federal, que a partir de dezembro de 2026, deve abrigar um espaço de integração entre história, cultura e cidadania. Carlos Moura/Agência Senado2 de 2Obras do Centro Cultural do Senado Federal, que a partir de dezembro de 2026, deve abrigar um espaço de integração entre história, cultura e cidadania. Carlos Moura/Agência SenadoInicialmente, a proposta era criar o Centro Cultural dos Poderes da União (CCPU), com a participação dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo. Entretanto, por diferentes motivos, os órgãos saíram do projeto, e apenas o Senado permaneceu.Com a liberação do uso do espaço, ainda foi necessário viabilizar o orçamento e realizar alterações no Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT), visto que o terreno corresponde a uma área destinada a clubes.O projeto também precisou ficar de lado por um tempo após os atos antidemocráticos de 8 de janeiro, visto que os esforços foram concentrados na restauração de peças e estruturas que foram danificadas nos ataques.Para Maria Cristina, a inauguração do espaço representa a realização de um sonho dos que trabalham na área: “É um sonho nosso. É gratificante, pois todos trabalham com amor, com sangue no olho, pra ver esse projeto acontecer”.