Gadi Eisenkot terá que superar impasses para formar governo em Israel

8 de Nov de 2026 - 01:50
 0  0
Gadi Eisenkot terá que superar impasses para formar governo em Israel

Em um revés para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, seu principal rival, Gadi Eisenkot, será encarregado de formar o próximo governo de Israel.

Eisenkot, um chefe militar da reserva que liderou o partido de centro Yashar nas eleições de 27 de outubro, terá até seis semanas para tentar montar uma coalizão capaz de substituir Netanyahu. No entanto, sua trajetória rumo ao poder está repleta de obstáculos políticos e divisões dentro da própria oposição.

O presidente Isaac Herzog concederá oficialmente a Eisenkot o mandato para formar um governo no domingo (8), informou seu gabinete em um comunicado. A decisão de Herzog ocorreu após dois dias de consultas, na semana passada, com todos os partidos eleitos para o Knesset.

Eisenkot obteve o apoio de 67 membros do novo Knesset, incluindo 19 parlamentares dos dois partidos árabes. Netanyahu recebeu apenas 46 recomendações. Uma fissura significativa em seu bloco, antes fiel, ficou evidente durante as consultas, quando o partido Judaísmo Unido da Torá — um aliado tradicional de Netanyahu — recusou-se a recomendá-lo.

Mas a decisão de Herzog não remove automaticamente Netanyahu do poder. Eisenkot possui um mandato e, no papel, uma maioria parlamentar, mas ainda não têm uma coalizão de governo.

Eisenkot está se empenhando para formar o que chama de “governo de emergência nacional” e para empossar um governo minoritário o mais rapidamente possível.

Esse governo seria composto pelos quatro partidos de oposição judaicos, que, juntos, detêm 48 cadeiras: o seu próprio partido, Yashar; o bloco “Juntos”, liderado pelos ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid; o Yisrael Beiteinu, de Avigdor Liberman; e o partido de esquerda Democratas, liderado por Yair Golan.

Ele estabeleceu quatro condições para a adesão: o reconhecimento de Israel como um Estado judaico, democrático, liberal e igualitário; o compromisso com os valores da Declaração de Independência; a prestação de serviço universal — seja militar, nacional ou civil —; e o reconhecimento do Hamas como uma organização terrorista.

A última condição, na prática, impede que os partidos árabes integrem o gabinete. Ainda assim, eles poderiam apoiar o governo de fora da coalizão, servindo como uma rede de segurança parlamentar. A legislação israelense exige apenas maioria simples para formar um governo. Derrubá-lo, contudo, é muito mais difícil: requer uma maioria absoluta de 61 votos, das 120 cadeiras do Knesset, a favor de um governo alternativo.

O principal obstáculo para Eisenkot é Avigdor Liberman. O líder do partido Yisrael Beitenu — que, em diferentes momentos, ocupou os cargos de ministro da Defesa, das Relações Exteriores e das Finanças — descartou qualquer governo que dependa dos partidos árabes. Segundo ele, um governo minoritário teria vida curta e, a longo prazo, apenas fortaleceria Netanyahu. “Teremos o retorno de Netanyahu com 70 cadeiras por mais quatro anos e, a partir daí, é um caminho curto para a aniquilação”, escreveu Liberman na rede social X, na sexta-feira (6).

Em vez disso, Liberman propôs um caminho diferente. Deixando de lado o veto que mantinha há anos aos partidos ultraortodoxos, ele defendeu um “esforço máximo” para formar uma coalizão de 61 parlamentares com as duas legendas ultraortodoxas — Shas e Judaísmo da Torá Unida —, sem a Lista Conjunta nem o Ra’am. Uma vez formada a coalizão, acrescentou ele, três ou quatro parlamentares do Likud poderiam mudar de lado.

Esse plano, contudo, entra em conflito com um dos compromissos centrais da oposição: acabar com a isenção irrestrita do serviço militar obrigatório concedida aos homens ultraortodoxos. Os partidos ultraortodoxos pressionam por uma legislação que consolide essa isenção, enquanto Eisenkot, Liberman e o restante da oposição defenderam, ao longo de toda a campanha, a universalização do serviço militar. Além disso, um dos partidos ultraortodoxos permanece fiel a Netanyahu.

Netanyahu, que perdeu sua maioria parlamentar, também está exercendo forte pressão contra qualquer cooperação política entre judeus e árabes. Ele contesta os resultados eleitorais e alega que a votação foi “roubada” por partidos árabes por meio de suborno e financiamento estrangeiro. David Zini, diretor do Shin Bet e um de seus aliados leais, tem pressionado pela investigação de políticos árabes, sem apresentar qualquer prova pública.

Em um pronunciamento em vídeo no sábado (7), Netanyahu alertou que, caso um governo minoritário seja formado com o apoio de partidos árabes, Israel “simplesmente não sobreviverá”. Em vez disso, ele defendeu a formação de um governo de unidade nacional com todo o seu bloco, que inclui partidos de ultradireita e ultraortodoxos. Netanyahu fez um apelo a “todos os partidos sionistas que desejam preservar nosso único Estado do povo judeu”.

Eisenkot descartou a mensagem dele, classificando-a como uma “manobra patética”. Em um comunicado, o partido Yashar afirmou: “Se o Likud deseja um governo de ampla unidade, ele é mais do que bem-vindo a anunciar o rompimento da aliança com os extremistas e a integrar um governo sob a liderança do primeiro-ministro Eisenkot”.

O primeiro desafio de Eisenkot ocorre na terça-feira (10), com a posse do novo Knesset. A oposição pretende substituir o presidente do Knesset — cargo atualmente ocupado por um aliado de Netanyahu —, enfraquecendo o controle dele sobre o poder e permitindo que os partidos de oposição iniciem certas ações, como a criação de uma comissão de inquérito estatal para investigar as falhas de segurança que levaram ao ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.

A partir deste domingo, Eisenkot terá 28 dias para negociar com outros partidos a distribuição de cargos no gabinete, orçamentos e políticas públicas, com a possibilidade de uma prorrogação de 14 dias. Caso ele não obtenha sucesso, o mandato passará para Netanyahu por mais quatro semanas.

Na sexta-feira, Eisenkot declarou que pretende formar um governo o mais rapidamente possível, descrevendo o momento atual como uma emergência nacional.

“Uma situação em que um primeiro-ministro interino, à frente de uma minoria e que perdeu a confiança da população de forma tão drástica, continua a comandar o sistema de segurança e as autoridades responsáveis ​​pela aplicação da lei, é um cenário perigoso que não deve perdurar nem por mais um dia sequer”, escreveu ele na rede social X.

Knesset, Likud: Entenda os principais termos da eleição de Israel