Ameaças à família, passaportes cancelados: como o Irã persegue manifestantes no exterior

8 de Out de 2026 - 12:10
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Ameaças à família, passaportes cancelados: como o Irã persegue manifestantes no exterior

A agência britânica Reuters publicou nesta quinta-feira (8) uma investigação que apontou como o regime do Irã, além de reprimir manifestantes que pedem democracia dentro do país – onde pelo menos 34 pessoas foram executadas devido à participação nos protestos de janeiro –, também está visando iranianos em outras regiões do mundo.

Tal perseguição ocorre por meio de várias ações, como assédio a familiares dessas pessoas que continuam morando no Irã, negativa de renovar passaportes e ameaças.

Um dos casos mencionados foi o de Zahra, uma estudante universitária iraniana que mora em Istambul, na Turquia.

Em dezembro, quando os protestos começaram no Irã, a jovem postou vídeos no Instagram com críticas ao regime islâmico. Em seguida, agentes da inteligência da ditadura islâmica foram à casa do pai de Zahra, na região central do Irã.

“Disseram a ele: ‘Você tem que dizer a ela que ela precisa parar de postar’”, relatou a estudante.

O assédio não parou por aí: no final de fevereiro, os agentes voltaram à casa do pai de Zahra e falaram que se ela não apagasse todas as suas publicações no Instagram em até oito horas, a mãe dela seria presa.

Zahra removeu as postagens com críticas ao regime do Irã, mas o assédio continuou, com ameaças de confisco dos bens da família.

Iman Asghari, um engenheiro iraniano do setor petrolífero de 37 anos e que foi condenado a dez anos de prisão por participar de protestos no Irã em 2018, está recorrendo de uma ordem de deportação emitida em junho pelas autoridades da Geórgia, onde mora.

A família do engenheiro contou à Reuters que a Embaixada do Irã no país europeu se recusou a emitir um novo passaporte para Asghari, o que o impede de ir para outro país.

A Geórgia deportou 95 iranianos no primeiro semestre deste ano, como parte de uma operação anti-imigração mais ampla, mas que ganha significado diferente no caso de cidadãos do Irã porque seu atual governo, aliado da Rússia, tem se aproximado de Teerã.

Outra forma de repressão contra dissidentes no Irã que moram no exterior tem sido a violência direta. Um relatório divulgado no mês passado pelo think tank americano Soufan Center afirmou que Irã, Rússia e Índia estiveram envolvidos em pelo menos 12 assassinatos ou tentativas com o uso de organizações criminosas nos últimos dez anos em outros países.

O relatório apontou que o Irã cometeu pelo menos cinco assassinatos desde 2011 encomendados a redes criminosas, como a Zindashti e a Foxtrot, tendo como alvos dissidentes e críticos do regime islâmico na Europa e na América do Norte.

A primeira organização citada é liderada pelo traficante de drogas iraniano Naji Ibrahim Sharifi-Zindashti, que foi alvo de sanções dos EUA, do Reino Unido, do Canadá e da União Europeia por recrutar criminosos para assassinar ou planejar a execução de dissidentes iranianos.

Já a Foxtrot, organização criminosa transnacional sediada na Suécia, e seu líder, Rawa Majid, foram alvos de sanções dos Estados Unidos em 2025, devido ao seu envolvimento em planos para atacar alvos judaicos e israelenses na Europa a mando do regime do Irã, incluindo uma tentativa frustrada de ataque à Embaixada de Israel em Estocolmo, em janeiro de 2024.

A reportagem da Reuters apontou que um pequeno grupo de iranianos que protestava regularmente em frente à embaixada de Teerã em Ierevan, capital da Armênia, relatou ter sido informado em maio de que as autoridades locais receberam informações confiáveis sobre ameaças contra eles, que foram aconselhados a deixar o país.

“Eles nos alertaram que esses indivíduos haviam sido supostamente enviados para nos sequestrar, assassinar ou nos causar algum outro tipo de dano”, disse Ashkan, um iraniano de 30 anos que participou de uma reunião com agentes do serviço de segurança da Armênia. Apesar disso, ele permanece no país euroasiático.