Fechamento de banco gera pânico, filas e pedido de impeachment no Paraguai
A intervenção de um importante banco digital do Paraguai e o congelamento de contas bancárias geraram pânico, falhas em apps e grandes filas em agências para a retirada de dinheiro nesta quarta-feira (4).
Ao longo do dia, diversas entidades bancárias no país divulgaram comunicados informando que seus aplicativos estavam apresentando problemas. Diante do temor de não conseguir utilizar suas economias, um grande número de pessoas se dirigiu a agências para tentar sacar dinheiro.
O pânico se espalhou após autoridades iniciarem um processo de dissolução do banco digital Ueno, que possui cerca de três milhões de clientes – em uma população de cerca de 6,1 milhões – e administra aproximadamente US$ 850 milhões em fundos públicos no Paraguai.
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O congelamento das contas bancárias da entidade aumentou a pressão sobre o governo de Santiago Peña, que foi sócio do grupo proprietário do banco Ueno até março de 2025. Como resposta, o presidente paraguaio solicitou a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo.
Numa tentativa de contornar a crise, Peña promulgou, nesta quarta-feira, uma lei que permitirá a pessoas afetadas pelo congelamento das contas receber até quarenta salários mínimos mensais como fundos de garantia de depósitos em até cinco dias úteis.
Já o Banco Central do Paraguai afirmou em comunicado que o sistema financeiro do país “mantém níveis adequados de solvência e liquidez”, e negou outras intervenções.
Paralelamente, o Ministério Público do país imputou 27 pessoas pelo suposto vínculo com irregularidades financeiras no banco.
Além disso, 35 deputados opositores apresentaram oficialmente um pedido de impeachment de Peña e seu vice.
O pedido alega conflito de interesses e cooptação do Estado; manipulação regulatória e desvio de fundos de aposentadorias; superação de limites de créditos para o Ueno e acobertamento institucional pelo Banco Central; indícios de enriquecimento ilícito; e afetação da confiança no sistema financeiro nacional e exposição a um risco sistêmico.