Nasa monitora queda de telescópio espacial que pode atingir o Brasil nesta quarta
O telescópio espacial Swift, da Nasa, encerra hoje sua missão de quase 22 anos ao reentrar na atmosfera terrestre. Com cerca de 1,5 tonelada, a maior parte do observatório deve ser destruída pelo calor do atrito com o ar, mas fragmentos resistentes podem atingir a superfície. O Brasil está na rota da trajetória orbital, embora o local exato da queda só seja conhecido nos momentos finais.
Qual é o horário previsto para a queda e onde ela pode ocorrer?
A reentrada está estimada para ocorrer por volta das 7h19 desta quarta-feira, no horário de Brasília, segundo cálculos da Aerospace Corporation. No entanto, os cientistas trabalham com uma margem de erro de duas horas para mais ou para menos, já que a velocidade da queda depende de condições variáveis da nossa atmosfera. Sobre o local, a área de risco abrange uma faixa entre 20,6 graus de latitude norte e sul. Isso inclui grande parte do Brasil, especificamente as regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, além de vastas áreas de oceanos e outros continentes.
Existe um risco real de os destroços atingirem pessoas no Brasil?
Embora o Brasil esteja na rota do telescópio, as chances de alguém ser atingido por um fragmento são extremamente baixas. A Nasa calcula que a probabilidade é de apenas uma em 2.100 para qualquer lugar do planeta. É importante entender que a maior parte da estrutura do telescópio, que pesa 1,5 tonelada, vai se desintegrar e virar fumaça devido ao calor intenso gerado pela alta velocidade ao atravessar o ar. Apenas peças muito densas, feitas de metais como titânio, ou partes dos espelhos internos, têm potencial para resistir e chegar ao solo, geralmente caindo no mar.
Por que o telescópio está caindo e como funciona esse processo?
O Swift está em um processo chamado queda orbital. Mesmo no espaço onde ele operava, existe uma quantidade mínima de ar que gera uma força de resistência conhecida como 'arrasto'. Com o tempo, esse arrasto freia o equipamento, fazendo-o perder altitude. Recentemente, o aumento da atividade do Sol aqueceu a atmosfera da Terra, fazendo-a 'inchar' e subir para níveis mais altos, o que aumentou a resistência contra o telescópio. Como o Swift não possui motores próprios para corrigir sua rota e subir novamente, ele acabou sendo 'puxado' definitivamente em direção ao nosso planeta.
A agência espacial americana tentou salvar o equipamento de alguma forma?
Sim, houve uma tentativa inédita de resgate espacial. Em julho, foi lançada uma nave robótica chamada LINK, desenvolvida pela startup Katalyst Space, com o objetivo de capturar o Swift e empurrá-lo para uma órbita mais segura e elevada. Infelizmente, a missão de resgate falhou devido a problemas técnicos no sistema de orientação da nave LINK. Após essa tentativa fracassada, o telescópio voltou a realizar observações científicas por um curto período, mas o esforço acelerou ainda mais a perda de altitude, levando ao encerramento definitivo das operações em 20 de outubro.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.