Às vésperas de eleição para o Congresso, como está a economia dos EUA sob comando de Trump?

21 de Out de 2026 - 19:20
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Às vésperas de eleição para o Congresso, como está a economia dos EUA sob comando de Trump?
    • Author, Ben Chu
    • Role, Correspondente de política e análise
  • Published 21 outubro 2026, 18:11 -03Atualizado Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 6 min

O presidente dos , , tem se vangloriado do desempenho da economia americana às vésperas das , alegando ter impulsionado a renda, reduzido a inflação e criado empregos.

Trump afirmou repetidamente: "Temos o país mais aquecido do mundo."

Embora a economia americana como um todo esteja se saindo melhor do que muitos esperavam após Trump ter lançado suas tarifas do "Dia da Libertação" em 2025, há evidências de que esses impostos de importação e o impacto da guerra entre EUA e Israel com o Irã , com efeitos nocivos sentidos pela maioria das famílias americanas.

A economia dos EUA também está sendo impulsionada por um boom de investimentos em inteligência artificial, mas ela pode se enfraquecer caso esses gastos diminuam no futuro.

Então, como o americano médio se sente em relação a tudo isso? A BBC analisou se as evidências dão respaldo às afirmações do presidente.

1. A economia dos EUA está crescendo

A economia dos Estados Unidos como um todo está crescendo em um ritmo considerado respeitável pelos padrões históricos recentes do país.

Os dados mais recentes mostram que o PIB dos EUA, a medida usada pelos economistas para avaliar o tamanho da economia americana, está atualmente crescendo a uma taxa anualizada de 2,2%.

E ele aumentou cerca de 3,2% no total desde o fim de 2024, pouco antes de Trump assumir seu segundo mandato.

Esse crescimento foi superior ao registrado por qualquer outro integrante do G7, grupo que reúne algumas das principais economias do mundo, no mesmo período.

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A taxa de crescimento dos EUA foi mais rápida do que a prevista pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) imediatamente após o anúncio de Trump sobre uma série de novas tarifas sobre mercadorias importadas pelos EUA em 2 de abril de 2025.

Na época, o FMI revisou para baixo suas previsões, citando o impacto negativo das tarifas de importação de Trump sobre o investimento e o consumo.

É importante observar, porém, que Trump reduziu substancialmente essas tarifas nos meses seguintes, diminuindo o impacto que inicialmente se esperava que elas teriam sobre a economia.

A economia dos EUA também tem sido fortemente impulsionada nos últimos anos por empresas de tecnologia americanas que fazem investimentos maciços em IA, inclusive construindo centros de dados em todo o país.

Em agosto de 2026, os gastos das empresas americanas com a construção de centros de dados (excluindo o hardware de TI necessário para instalá-los) foram de US$ 5 bilhões, quase o dobro da taxa mensal registrada quando Trump retornou ao cargo.

2. A inflação aumentou

Muitos eleitores americanos queriam punir Joe Biden nas eleições presidenciais de 2024, responsabilizando-o pelos prejuízos causados pelo aumento significativo dos preços em decorrência da pandemia.

A taxa atual de inflação nos EUA é de 3,7%.

Essa taxa ainda está bem abaixo do pico recente de 9% sob Biden em 2022, mas acima da taxa de 3% que Donald Trump herdou em janeiro de 2025.

Economistas estimam que a inflação nos EUA teria sido menor sem as novas tarifas impostas por Trump desde que ele retornou ao cargo.

Ao mesmo tempo, o impacto da guerra com o Irã sobre os preços globais da energia, com a significativa interrupção do fornecimento de petróleo e combustíveis provenientes do Oriente Médio, também contribuiu para pressionar a inflação nos EUA.

O preço do galão de diesel nos EUA — um combustível usado não apenas por motoristas, mas também amplamente na agricultura e na indústria — atingiu um recorde de US$ 6,52 em setembro.

O preço de alguns produtos básicos de supermercado, como carne bovina e café, aumentou desde que Trump retornou ao cargo, embora o preço dos ovos tenha caído.

E alguns varejistas dos EUA alertaram que o aumento dos preços da energia, causado pela guerra com o Irã, encarecerá a produção de alimentos e, consequentemente, aumentará os preços nos caixas.

3. Crescimento da renda das famílias ficou contido

A renda média das famílias americanas continua aumentando sob o governo Trump.

A renda mediana — após ajustes pela inflação — aumentou 2,6% em 2025, atingindo US$ 87.460, o maior valor já registrado.

No entanto, o centro de estudos Institute on Taxation and Economic Policy (ITEP) estimou os efeitos combinados dos seguintes fatores sobre as famílias americanas:

  • os cortes de impostos de Trump;
  • o fim dos subsídios governamentais adicionais que tornavam o seguro de saúde mais barato para milhões de americanos;
  • aumentos de preços acima do esperado durante o segundo mandato de Trump, incluindo aqueles relacionados a tarifas e à guerra com o Irã.

A conclusão do Institute on Taxation and Economic Policy (ITEP) é que os 20% das famílias situadas na faixa intermediária de renda estarão, em média, cerca de US$ 1.700 em pior situação em 2026 do que estariam sem essas medidas, enquanto os 20% mais pobres estarão cerca de US$ 750 em pior situação.

Já o 1% mais rico deverá estar, em média, US$ 12.560 em melhor situação do que estaria de outra forma, principalmente em razão dos cortes de impostos promovidos por Trump.

As estimativas do ITEP sobre o impacto das tarifas nas famílias americanas de diferentes níveis de renda são semelhantes às do centro de pesquisa Tax Foundation.

4. A criação de empregos diminuiu

Trump previu que suas tarifas fariam os EUA serem "inundados de empregos", à medida que empresas manufatureiras passassem a instalar novas fábricas em território americano para evitar que seus produtos fossem tributados na fronteira.

Desde que voltou à Casa Branca, a economia americana tem criado, em média, 34 mil empregos por mês.

Mas esse número é significativamente inferior aos 122 mil empregos criados por mês no último ano da presidência de Biden.

E o número de americanos empregados na indústria manufatureira — 12,6 milhões em setembro de 2026 — é ligeiramente menor do que era quando o segundo mandato de Trump começou.

No entanto, a taxa de desemprego nos EUA permanece relativamente baixa, em 4,2%, praticamente no mesmo patamar de quando Trump retornou à Casa Branca.

Parte da explicação para isso é a política de repressão à imigração e o programa de deportações de Trump, que reduziram o tamanho da força de trabalho disponível nos EUA. Isso significa que é necessário criar menos empregos por mês para impedir que o desemprego aumente.

5. Aumento dos custos de empréstimo

O endividamento do governo dos EUA aumentou no segundo mandato de Trump, em parte devido aos seus significativos cortes de impostos.

O déficit do governo federal — a diferença entre a receita proveniente de impostos e suas despesas — foi de US$ 2 trilhões no ano encerrado em setembro de 2026. Isso equivale a cerca de 6% do PIB dos EUA.

E prevê-se que o déficit dos EUA suba para mais de 8% do PIB até 2030.

Essa alta taxa de endividamento público está, por si só, contribuindo para impulsionar o crescimento do PIB dos EUA.

O FMI alertou que os empréstimos excessivos do governo americano, utilizados para cobrir o déficit, e o rápido crescimento da dívida pública aumentam o risco de uma futura crise financeira nos EUA. Isso teria um impacto profundamente prejudicial sobre a maioria das famílias americanas.

O crescente déficit é também um dos motivos pelos quais o governo dos EUA paga taxas mais altas para tomar empréstimos nos mercados financeiros.

O rendimento dos títulos do governo americano com vencimento em 10 anos subiu fortemente desde que Trump retornou ao cargo em janeiro de 2025 e agora está acima de 5%, a taxa mais alta desde a crise financeira global de 2007.

Esse aumento no custo de mercado dos empréstimos do governo americano também exerce pressão ascendente sobre as taxas de juros dos financiamentos imobiliários disponíveis para as famílias americanas.

A taxa de juros para uma nova hipoteca de 30 anos nos EUA subiu para 7,4% ao ano, ante 6,9% quando Trump retornou à Casa Branca.

Isso agravou os problemas no mercado imobiliário dos EUA, tornando as casas menos acessíveis para novos compradores. Muitos proprietários atuais relutam em se mudar, pois isso significaria abrir mão de seus financiamentos imobiliários mais baratos, que foram contratados com taxas de juros mais baixas e não podem ser transferidos para um novo imóvel.

Gráficos de dados por Erwan Rivault.

  • Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. (link para texto em inglês).