Sorologia: o que é, para que serve e quais testes fazer periodicamente

19 de Out de 2026 - 20:40
 0  0
Sorologia: o que é, para que serve e quais testes fazer periodicamente

A sorologia é um exame de sangue feito para encontrar pistas da presença ou passagem de vírus, bactérias e outros agentes infecciosos no corpo de um paciente.

Ela mostra se uma pessoa já foi exposta a determinado micro-organismo, bem como se a infecção é recente, está em curso ou ficou no passado.

O teste é uma das ferramentas mais usadas na medicina para diagnosticar infecções, rastrear doenças que podem não dar sintomas e até mesmo confirmar se uma pessoa está protegida depois de tomar uma vacina.

Parte dessas investigações, por sua vez, devem ser realizadas periodicamente por alguns públicos. A seguir, entenda melhor o que é o exame e quando realizá-lo.

Como a sorologia funciona

Para entender esse teste, é preciso, primeiro, saber o que é o soro sanguíneo.

Quando o sangue é coletado para um exame, ele pode ser colocado em um tubo e deixado em repouso até coagular. Nesse processo, as células e as plaquetas ficam retidas no coágulo, sobrando uma outra parte, líquida, que chamamos de soro.

O soro é composto principalmente de água, mas também contém sais minerais, proteínas, hormônios e anticorpos, entre outras substâncias.

Continua após a publicidade

Ao fazer um teste de sorologia, os laboratórios analisam essa parte, em busca, principalmente, de sinais de anticorpos, as proteínas produzidas pelo sistema imunológico para nos defender de invasores.

“Isso funciona porque, ao tentar se defender [de uma infecção], o organismo produz anticorpos específicos contra aquele agente”, explica a infectologista Rafaela Arvai Pereira, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Quer dizer que os anticorpos funcionam como soldados treinados para sempre reconhecer e atacar os vestígios do agente infeccioso que eles aprenderam a combater.

E eles podem permanecer no organismo mesmo depois que a infecção é controlada, como uma memória do sistema imunológico. Sabendo disso, na sorologia, o laboratório usa pedaços do micro-organismo investigado como uma espécie de isca para essas proteínas.

Se houver anticorpos específicos contra ele no soro, eles vão em cheio nessa isca, se encaixando nela como uma chave em uma fechadura e provocando uma reação que é detectada por um equipamento e traduzida em resultado.

Continua após a publicidade

Como interpretar os resultados

Os anticorpos para os quais as equipes dos laboratórios lançam iscas são as proteínas chamadas imunoglobulinas (Ig), cujo os principais tipos são a IgM e a IgG.

Quando o corpo encara uma infecção, o IgM é o primeiro anticorpo a aparecer e, por isso, em geral, sugere uma infecção recente.

Já o IgG surge mais tarde e permanece no corpo por mais tempo, indicando contato no passado ou imunidade, inclusive a obtida por vacinas.

O laudo costuma trazer a classificação “reagente” (positivo) ou “não reagente” (negativo). Em alguns exames, há também um valor numérico, que indica a quantidade de anticorpos, e o resultado “indeterminado”, quando é preciso repetir ou confirmar o teste.

Quando o laudo separa IgM e IgG, a combinação ajuda a situar a infecção no tempo. Nesse caso, o resultado pode aparecer assim:

Continua após a publicidade
  • IgM reagente e IgG não reagente: costuma indicar infecção recente, em fase inicial;
  • IgM e IgG reagentes: costumam indicar infecção recente ou em curso, que já está em fase mais adiantada;
  • IgM não reagente e IgG reagente: costuma indicar uma infecção antiga ou imunidade por vacina;
  • IgM e IgG não reagentes: não há sinais de contato com o agente, o que pode significar que a pessoa nunca foi exposta ou vacinada, ou que o exame foi feito cedo demais.

+Leia também: Por que é importante fazer exames em caso de suspeita de dengue?

Limitações do teste

Esse esquema é uma regra geral, mas há exceções. Em algumas infecções, como a toxoplasmose, o IgM pode continuar detectável por meses. Em outras, a confirmação só vem da soroconversão, quando o resultado passa de não reagente para reagente entre duas amostras coletadas em momentos diferentes.

Além disso, entre a infecção e a produção de anticorpos em quantidade suficiente para ser detectada no teste existe um intervalo chamado janela imunológica, que varia conforme o microrganismo e o tipo de teste.

Quem faz o exame cedo demais pode ter resultado negativo mesmo estando infectado. Por isso, algumas investigações pedem confirmação por outro método, como a Proteína C-Reativa (o famoso PCR), que detecta o material genético do micro-organismo e é mais útil na fase inicial da infecção.

Continua após a publicidade

Quais condições podem ser detectadas pela sorologia?

A sorologia pode ser utilizada para investigar quadros como:

  • Infecções virais: HIV, dengue, hepatites A, B e C, rubéola e citomegalovírus;
  • Infecções bacterianas: sífilis e doença de Lyme;
  • Infecções parasitárias: toxoplasmose e doença de Chagas;
  • Doenças autoimunes: lúpus e síndrome de Sjögren, por meio da pesquisa de autoanticorpos;
  • Imunidade contra determinadas doenças: presença de anticorpos associados à vacinação ou a infecções anteriores, como rubéola e hepatite B.

Quando o exame é indicado

A sorologia é pedida pelo médico em diferentes situações. Afinal, diante de sintomas e de histórico de exposição, ela ajuda a confirmar a suspeita de diversas infecções.

A indicação considera o momento ideal da coleta para cada agente infeccioso. Na dengue, por exemplo, a sorologia costuma ser indicada depois dos primeiros dias de sintomas, quando os anticorpos já aparecem. Na fase inicial, outros exames são mais adequados.

Exames sorológicos periódicos

A maioria das sorologias é solicitada de forma pontual, diante de uma suspeita de infecção ou de uma necessidade específica.

Continua após a publicidade

Algumas, porém, também são utilizadas no rastreamento de doenças, mesmo quando a pessoa não apresenta sintomas.

Isso porque certas infecções podem permanecer silenciosas por muito tempo, e o diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento cedo, bem como reduzir o risco de transmissão.

Entre os exames utilizados nesse contexto estão os testes para HIV, sífilis e hepatites B e C. Mas a necessidade e a frequência da testagem variam conforme o histórico de saúde e o grau de exposição de cada pessoa.

Para quem tem vida sexual ativa, a recomendação é avaliar a necessidade de testagem periódica. Em situações de menor exposição, o intervalo pode ser anual; já para quem tem maior risco de infecção, os testes podem ser indicados com mais frequência.

Para populações-chave, como trabalhadoras do sexo, o Ministério da Saúde recomenda a testagem para HIV a cada seis meses.

+Leia também: Cura do HIV? O que os dois novos casos anunciados em congresso significam

Testes sorológicos importantes para gestantes

Exames de sorologia também entram na rotina do pré-natal, quando a gestante é testada para infecções que podem afetar a mãe ou o bebê.

Testes para HIV e sífilis são recomendados no início do pré-natal e devem ser repetidos ao longo da gravidez, conforme as orientações do Ministério da Saúde. Também é indicada a investigação das hepatites B e C.

Outros exames, como o de toxoplasmose, podem ser solicitados para investigar infecções capazes de atingir o feto.

Antes de engravidar, a sorologia para rubéola também pode ajudar a identificar mulheres sem imunidade, que podem atualizar a vacinação antes da gestação, já que a vacina tríplice viral não deve ser aplicada durante a gravidez.

Como se preparar para o exame

Na maioria dos casos, a sorologia é feita por meio de uma coleta de sangue e não exige jejum. No entanto, a orientação pode variar conforme o exame solicitado e a realização simultânea de outros testes. Por isso, é importante confirmar as instruções com o laboratório.

Os verdadeiros “efeitos colaterais” das vacinas

Publicidade