Ataques a tiros na região de Paris são investigados como atos de terrorismo racista

23 de Out de 2026 - 09:30
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Ataques a tiros na região de Paris são investigados como atos de terrorismo racista

A Procuradoria Nacional Antiterrorista (PNAT) da França vai assumir a investigação sobre ataques a tiros ocorridos nesta sexta-feira (23) a cerca de 30 quilômetros de Paris, que deixaram um morto e quatro feridos em estado grave.

Os ataques ocorreram por volta das 10h30 (horário local, 5h30 de Brasília). Segundo informações da agência EFE, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, indicou que ocorreram no total três ataques a tiros nas cidades de Trappes e La Verrière, localizadas a sudoeste da capital francesa, no departamento de Yvelines.

Em entrevista coletiva, o ministro acrescentou que o autor dos ataques, que foi detido, utilizou uma arma automática.

“Todos os recursos das forças de segurança e da autoridade judiciária estão plenamente mobilizados”, afirmou no X o primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu.

Ali Rabeh, prefeito de Trappes, disse à emissora BFMTV que o autor do ataque disparou tiros de dentro de um carro. “Ele parecia estar atirando aleatoriamente, com a intenção de cometer um massacre”, afirmou.

Segundo Rabeh, uma das pessoas feridas é uma menina de 12 anos e o autor dos disparos morava em uma cidade vizinha.

O prefeito, embora tenha insistido em adotar cautela sobre a natureza dos eventos, indicou que o autor parecia ter escolhido suas vítimas, especificamente pessoas negras.

Rabeh disse que a vítima fatal era de origem africana e que outro dos feridos, que se encontra em estado muito grave, é magrebino.

A PNAT detalhou em um comunicado que abriu uma investigação por assassinato e tentativa de assassinato contra pessoas por pertencerem de forma “real ou suposta a uma raça, etnia, nação ou religião”.

O prefeito de La Verrière, Nicolas Dainville, disse à BFMTV que o homem detido em Coignières — outra cidade próxima — foi identificado como Kevin. Segundo a mídia francesa, ele tem 39 anos e é natural de Saint-Cyr, cidade situada no mesmo departamento. As forças de segurança estão verificando se ele possui antecedentes criminais.

As outras acusações são porte de armas e associação criminosa terrorista para a preparação de crimes contra pessoas.

O ataque ocorreu após os protestos violentos na França no último fim de semana, com o governo Emmanuel Macron atribuindo os tumultos a grupos de extrema-esquerda, enquanto líderes de direita, como o presidente americano, Donald Trump, e Marine Le Pen, do partido Reagrupamento Nacional (RN), culparam também a imigração.

Le Pen afirmou que a França está “pagando por décadas de imigração anárquica”, enquanto Trump escreveu na rede Truth Social que “os imigrantes tomaram conta da França” e que as autoridades francesas “precisam fechar as fronteiras, e rápido”. Macron disse que considera tais comentários “estúpidos”.