Judi Dench revela doença que interrompeu sua carreira
A atriz britânica Judi Dench, hoje com 91 anos, revelou que precisou se afastar da carreira em função de uma progressiva perda de visão. Sofrendo com a degeneração macular há cerca de uma década, ela contou em entrevista à BBC Radio, nesta quinta-feira, 21, que o problema já a impede de ler e reconhecer amigos.
Com uma trajetória que atravessou sete décadas, a multipremiada Dench – ganhadora de algumas das honrarias mais prestigiosas do cinema e do teatro, incluindo prêmios Oscar, Tony e BAFTA – deixou de atuar nos palcos em 2015, e vem reduzindo sua participação também em filmes.
Entenda melhor o problema de saúde que afeta a atriz.
Como acontece a degeneração macular?
A degeneração macular relacionada à idade (ou DMRI) é considerada a principal causa de cegueira irreversível em pessoas com mais de 50 anos.
Diferentemente de problemas mais comuns como a catarata, que podem ser contornados com cirurgia, para a DMRI a abordagem consiste em tentar atrasar os sintomas – embora novas técnicas venham tentando mudar essa história.
Como o nome indica, o problema tem relação direta com a idade: o envelhecimento natural faz com que uma parte da retina associada à visão central, a mácula, comece a desenvolver lesões.
A doença pode afetar qualquer pessoa e é mais comum após os 60 anos, mas também pode surgir antes disso. Histórico familiar, obesidade, hipertensão e tabagismo são fatores de risco para antecipar ou acelerar a DMRI.
A degeneração muitas vezes evolui de forma assintomática até que as perdas sejam mais notáveis. Por isso, exames regulares com o oftalmologista costumam ser a principal maneira de detectar uma degeneração macular cedo o suficiente para que o tratamento consiga conter os sintomas por mais tempo.
A DMRI pode ser seca (ou atrófica), uma condição que responde por cerca de 90% dos casos e é caracterizada por depósitos amarelados que ressecam a mácula e reduzem a sua espessura; ou úmida (também chamada de exsudativa), mais associada a perdas graves e repentinas de visão, quando há acúmulo de fluidos e inchaço na mácula.
A permanência da visão, e por quanto tempo, depende do tipo de DMRI – o quadro seco é mais tratável, enquanto o úmido pode levar a uma rápida perda da visão central – e de fatores individuais de saúde. Evoluções lentas, como a de Judi Dench, que sofre com o quadro há mais de uma década, são características da versão seca da doença.
Novos tratamentos
O tratamento costuma envolver suplementação nutricional, medicamentos e tratamentos com laser ou terapia fotodinâmica.
Em julho deste ano, a Europa aprovou o implante PRIMA, considerado o primeiro tratamento capaz de restaurar parcialmente a visão de pacientes com degeneração macular. A técnica consiste em implantar um chip de 2 milímetros na retina, associado a óculos especiais com câmera que transmitem sinais ao cérebro, onde as imagens são processadas.
O implante é a primeira esperança para reverter os danos da DMRI.
O estágio atual da tecnologia ainda não permite recriar imagens de alta resolução, mas trouxe ganhos significativos em qualidade de vida para pacientes que já usaram a engenhoca, incluindo uma melhor capacidade de reconhecer letras e outros detalhes do cotidiano.